Inovação

Inovação (também no Brasil) em tempos de pandemia

Conheça as oito frentes de inovação que a Covid-19 está provocando no mundo, em nosso País inclusive, neste artigo do gestor médico de estratégia e inovação do Grupo Fleury, Gustavo Meirelles

Gustavo Meirelles

29 de Maio

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Artigo Inovação (também no Brasil) em tempos de pandemia

“É na crise que surgem grandes oportunidades”. Difícil concordar em um momento com mais de 5 milhões de pessoas infectadas pelo novo coronavírus em todo o planeta, sendo o Brasil o segundo país mais afetado pela doença, com quase 400.000 casos, dos quais mais de 20.000 fatais. 

Um inimigo até pouco tempo desconhecido agora impacta a vida de praticamente todos os cidadãos, modificando de forma marcante o presente e o futuro de muitos, com efeitos sobre nossas atividades cotidianas, relacionamentos, saúde mental e hábitos de vida. 

Contudo, será que todos os efeitos da pandemia serão maléficos? Ou poderia haver algo de bom no meio de tantas notícias negativas?

Várias mudanças advindas da pandemia já se instalaram e muitas outras ainda virão, em um momento de tantas incertezas e instabilidade. 

Quem diria que teríamos uma redução global na poluição atmosférica, oceanos mais limpos e que, após mais de 30 anos, os indianos voltariam a ver o Himalaia?  Que presenciaríamos tantas ações voluntárias de grande impacto, seja para a construção de hospitais ou por meio de doações bilionárias para combater os efeitos negativos da pandemia? Que testemunharíamos tão avanços significativos na ciência e tecnologia, seja no combate direto ao coronavírus ou em mudanças no estilo de vida e de trabalho dos indivíduos? 

Embora ecossistemas de startups e alguns sites compilem inovações relacionadas à pandemia, muitas delas – principalmente as surgidas em solo nacional – não estão aparecendo ainda para a população. 

Nosso objetivo, ao longo das próximas páginas, é destacar algumas das principais inovações que despontaram neste novo cenário e dar projeção a iniciativas louváveis, especialmente as do Brasil.

  1. Detecção precoce da doença

Uma das grandes dificuldades no combate à Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, tem sido a detecção precoce e consequente isolamento dos indivíduos com quadro clínico suspeito para a infecção. 

Embora tenhamos diferentes testes para a detecção do vírus (RT-PCR, considerado o padrão ouro para o diagnóstico da doença) ou dos seus anticorpos (exames sorológicos), estes são relativamente caros, nem sempre disponíveis e de difícil utilização para testagem em massa. 

Ao redor do mundo, empresas têm buscado outras soluções para rastrear indivíduos com a infecção, seja por meio de dispositivos como relógios e monitores cardíacos, que podem detectar sinais bem precoces da doença, antes da apresentação de sintomas, ou com o auxílio de biossensores conectados a telefones celulares, fornecendo dados contínuos dos traçados de eletrocardiograma, saturação de oxigênio e análise da respiração

Em alguns pacientes, os achados enviados por estes dispositivos podem inclusive preceder sintomas clínicos, ajudando na detecção precoce da infecção e no pronto isolamento do paciente.

Outra iniciativa que tem sido bastante realizada em alguns países é a monitorização da população por meio de telefones celulares com a tecnologia bluetooth, notificando aqueles que tiveram contato recente com indivíduos posteriormente confirmados com o diagnóstico de Covid-19. 

A pandemia conseguiu algo que parecia impossível: empresas rivais, como a Apple e a Google, formaram uma parceria para um trabalho conjunto em tecnologia de rastreamento de contatos, com interoperabilidade entre os seus sistemas. 

Essa forma de avaliação, por meio da busca de indivíduos infectados e dos seus contatos, permite rápida detecção dos doentes e um monitoramento mais preciso da epidemia, tendo tido enorme sucesso em alguns países como a Coréia do Sul

Deixa dúvidas quanto à privacidade dos cidadãos, especialmente em regimes autoritários ou não democráticos? Sim. Mas diversas iniciativas em curso estão buscando a melhor forma de rastrear os indivíduos e, ao mesmo tempo, garantir sua privacidade, , como uma do MIT.  

Outras empresas buscam fornecer aos indivíduos meios de se autoavaliarem. Alguns aplicativos permitem que as pessoas informem os seus sintomas (ou a falta deles) e formem uma rede de colaboração, com os objetivos de entender melhor os sintomas da doença, rastrear sua progressão, identificar áreas de risco e dar suporte aos serviços locais de saúde. Outros permitem que os próprios indivíduos, ao apresentarem sintomas suspeitos de Covid-19, como tosse e falta de ar, possam carregar gravações da sua tosse e respiração para um sistema que coleta as informações, analisa-as por meio de inteligência artificial e constrói modelos preditivos. 

Também estão disponíveis soluções que concedem aos pacientes informações sobre a doença, autoavaliações de risco e atendimento por assistentes virtuais com o auxílio de plataformas de inteligência artificial.

Diferentes iniciativas online auxiliam a rastrear a evolução dos casos da pandemia no Brasil e no mundo. O jornal Financial Times, empregando dados divulgados diariamente por governos de vários países, tem consolidado as informações e as apresentado na forma de gráficos interativos, que permitem aos usuários uma melhor compreensão da disseminação e trajetória da doença em diversos locais do mundo. 

A COV-CLEAR, plataforma gratuita que consolida sintomas da doença de diferentes usuários ao redor do planeta, também permite avaliar o uso de testes pela população geral e a percepção dos pacientes a respeito da doença. 

Criada por epidemiologistas e desenvolvedores de sistemas do Boston Children's Hospital de Harvard e por um grupo de voluntários do setor de tecnologia, a iniciativa Covid Near You emprega múltiplos dados enviados de forma voluntária por indivíduos para ajudar as pessoas e agências de saúde pública a identificar hotspots atuais e potenciais para a Covid-19.

E algumas empresas ainda têm atuado no rastreamento de indivíduos em empresas, clínicas ou hospitais empregando câmeras térmicas que permitem a detecção de pessoas com febre, potencialmente infectadas pelo coronavírus. 

Outra forma de avaliação segura tem sido por meio de robôs. Além de participarem de tarefas arriscadas para os humanos, como desinfecção de salas na China e em outros países, entrega de alimentos e prescrições e transporte de amostras infecciosas para os laboratórios, robôs podem auxiliar no contato entre profissionais de saúde e pacientes infectados com o novo coronavírus. 

E no Brasil?

Aqui está funcionando a plataforma Juntos Contra o Covid, que conta com a participação voluntária do público geral, informando se o usuário ou seus familiares estão saudáveis ou doentes.  O sistema analisa milhares de relatórios e os consolida para gerar visões nacionais da infecção pelo coronavírus, fornecendo às autoridades de saúde pública e pesquisadores informações anônimas em tempo real que podem ajudar a encerrar a pandemia e impedir que o vírus se alastre.

Alguns dos robôs que foram usados no tratamento dos primeiros pacientes infectados em Wuhan e em outros lugares também têm sido empregados em diversos hospitaisdo Brasil, possibilitando a manutenção da interação entre médicos e pacientes, protegendo os profissionais de saúde e deixando para estes últimos a realização de tarefas que nos tornam humanos, como acolhimento dos pacientes, tomada de decisões difíceis e empatia.

  1. Testes diagnósticos

Com a escalada de casos de Covid-19 no planeta e o suprimento limitado de reagentes para os testes diagnósticos, a realização de testagem em massa tornou-se de difícil execução para empresas e governos. 

Uma parceria entre o Grupo Fleury, Bradesco Seguros, Coca-Cola Brasil e Coca-Cola Femsa, em conjunto com a Secretaria de Saúde do estado de São Paulo e com o Instituto Butantan, tem o objetivo de ampliar a capacidade de processamento de exames para diagnóstico da Covid-19 destinados com prioridade aos profissionais de saúde, que estão na linha de frente do atendimento à população que mais necessita de assistência. 

Outra iniciativa, fruto da parceria da Dasa com o Ministério da Saúde, pretende disponibilizar de forma gratuita profissionais e infraestrutura para o processamento dos exames diagnósticos.

Empresas brasileiras do setor de saúde desenvolveram soluções inovadoras para superar o problema da dificuldade de obtenção de reagentes e testagem em massa da população. 

O Hospital Israelita Albert Einstein conseguiu aumentar significativamente sua capacidade de processamento de testes para detecção do novo coronavírus por meio de uma análise baseada em sequenciamento de nova geração, permitindo a realização simultânea de até 1.536 amostras, volume 16 vezes maior que o possível pelo processamento tradicional. 

O Grupo Fleury, além de ter disponibilizado de forma pioneira testes de RT-PCR para detecção do vírus no país, investiu recentemente em um teste para detecção de antígeno do novo coronavírus por meio de proteômica dirigida baseada em espectrometria de massas, com especificidade de 100% para a detecção viral e sensibilidade elevada (atualmente em 84%, com intuito de chegar próximo a 90% em relação ao RT-PCR), com a vantagem de leitura rápida (em menos de 3 minutos), estabilidade maior que as amostras do RT-PCR e emprego de reagentes de maior disponibilidade, que não competem com os do RT-PCR e da sorologia. 

Uma startup brasileira chamada Hilab desenvolveu um teste rápido para avaliar a presença de anticorpos IgM e IgG em pacientes com suspeita da Covid-19. 

Algumas gotas de sangue são coletadas a partir de um pequeno furo na ponta do dedo e o material é enviado para um laboratório central para análise e emissão do laudo.

Outras empresas têm investido em autotestes realizados pelos próprios pacientes em suas residências. Após uma consulta por telemedicina, caso seja necessária uma testagem os pacientes receberão o kit em seus domicílios, farão a coleta e a enviarão para um laboratório parceiro, que executará a análise em até 24 horas. 

Outra iniciativa, que tem o apoio da Fundação Gates, permitirá a coleta domiciliar de material nasal pelos próprios pacientes, que depois o colocarão em um container líquido e terão o resultado em poucos minutos, sem a necessidade de enviar o kit para análise por um laboratório. 

Embora não tão sensíveis quanto o RT-PCR tradicional, estes tipos de testes têm a vantagem de não sobrecarregar os sistemas de saúde, reduzindo custos, mantendo o paciente em isolamento domiciliar e permitindo testagem em ampla escala.

  1. Diagnóstico auxiliado por inteligência artificial

O diagnóstico por imagem tem sido bastante impactado pela inteligência artificial (IA), mas a pandemia pelo novo coronavírus acelerou ainda mais o processo. 

Uma empresa de IA foi uma das primeiras a alertar para uma epidemia de uma nova infecção na província de Hubei, na China. 

Em todo o planeta, diversas startups e grandes empresas disponibilizaram em tempo recorde várias soluções para detecção, diagnóstico e quantificação dos achados pulmonares decorrentes da infecção viral

A ideia não é substituir radiologistas, mas auxiliá-los nos seus diagnósticos em um momento de grande demanda por exames de imagem, especialmente em locais desprovidos de testes por RT-PCR ou sorologia. 

Soluções diagnósticas baseadas na radiografia de tórax, tanto no exterior quanto no Brasil, têm sido muito empregadas para auxiliar médicos clínicos e radiologistas, inclusive com a possibilidade de análise imediata das imagens radiográficas enviadas pela internet. 

Outras empresas e consórcios têm feito o mesmo com a tomografia computadorizada de tórax, que permite avaliação ainda mais detalhada dos achados pulmonares, com a possibilidade de análise das imagens e quantificação dos achados por IA

Soluções baseadas em IA também tem sido usadas para predição de complicações da doença, como lesões cardíacas, com o intuito de tratamento precoce e, consequentemente, melhor prognóstico para os pacientes.

Diversos projetos nacionais unindo médicos radiologistas, físicos, cientistas, engenheiros de dados e outros pesquisadores têm sido realizados com o intuito de desenvolver uma ferramenta automática capaz de reconhecer padrões de alterações pulmonares na radiografia e tomografia computadorizada de tórax de pacientes com Covid-19. 

O Hospital Israelita Albert Einstein vem trabalhando neste sentido em colaboração com o Centro de Inteligência Artificial em Medicina e Imagem da Universidade de Stanford e espera ter resultados promissores desta parceria em breve. 

Outra iniciativa, liderada por médicos da Dasa, irá testar uma solução de IA em hospitais públicos e privados com o intuito de predizer o tempo de internação e prognóstico dos pacientes.

Talvez o projeto mais audacioso em termos de inteligência artificial para a avaliação de exames de imagem seja o RadVid19,  iniciativa do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em parceria com outras empresas de saúde como Grupo Fleury, Hospital Sírio-Libanês e Incor, além da participação do Colégio Brasileiro de Radiologia, Sociedade Brasileira de Radiologia, Amazon Web Services, GE Healthcare, Siemens Healthineers, Deloitte, Huawei, Itaú e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. 

O objetivo do projeto é constituir um núcleo de pesquisadores, radiologistas brasileiros e profissionais das ciências da computação e exatas para criar um banco de dados estruturado e anotado de imagens de radiografias e tomografias computadorizadas de tórax de pacientes com Covid-19 e posteriormente desenvolver um programa de auxílio diagnóstico por IA que possa auxiliar na epidemia da Covid-19 no estado de São Paulo e no Brasil.

  1. Soluções de big data e análise de dados

Um algoritmo de IA criado por pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein, com participação de especialistas do Laboratório de Big Data e Analise Preditiva em Saúde da Universidade de São Paulo (USP), pretende detectar a presença do novo coronavírus com base na coleta de sangue e nas informações básicas obtidas na admissão dos pacientes em unidades hospitalares. A tecnologia poderá ajudar médicos a detectar a doença mesmo na falta de testes específicos.

A área de análises de dados da DASA criou um site com a evolução de casos do novo coronavírus no Brasil e no mundo, com informações coletadas diariamente de exames realizados em laboratórios da empresa e de outras fontes.

Uma outra iniciativa, denominada Dados do Bem e liderada pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino em parceria com a Zoox Smart Data, consiste em um projeto de monitoramento epidemiológico que reúne tecnologia de geolocalização e metodologia para acompanhamento em tempo real da evolução da epidemia do coronavírus nos centros urbanos. 

Criada por pesquisadores, infectologistas e equipe de inteligência, a ferramenta, cedida gratuitamente ao poder público, fornece um mapa de distribuição do vírus e dados estratégicos sobre a Covid-19 para tomadas de decisão das autoridades.

O Grupo Fleury, em parceria com o Ibope Inteligência, Instituto Semeia, cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), realizou um projeto piloto de pesquisa em alguns bairros da cidade de São Paulo, buscando estimar o percentual de pessoas infectadas pelo novo coronavírus a partir de amostras de sangue e objetivando avaliar a resistência imunológica da população. 

Os resultados da primeira análise do estudo, realizada com 520 pessoas, demonstraram que 5,2% dos moradores dos bairros avaliados já tiveram contato com o vírus, dos quais 91,6% não entraram nas contagens oficiais do país. 

Na mesma linha, pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas, em parceria com o Ibope Inteligência e com financiamento do Ministério da Saúde, testaram 25.025 moradores de 90 municípios brasileiros e constataram que a proporção de indivíduos com anticorpos contra o novo coronavírus é de 1,4%, estimando um número total de casos sete vezes maior no Brasil.  

  1. Telemedicina

A telemedicina, até então motivo de grandes discussões e controvérsias no Brasil, teve seu uso acelerado com o início da pandemia no país. 

Os benefícios da telemedicina, como diagnósticos e tratamentos mais rápidos, possibilidade de segunda opinião e aumento da eficiência do sistema da saúde, ficaram ainda mais evidentes neste momento, ao permitirem que médicos pudessem manter a atenção aos pacientes em um cenário no qual o isolamento social se faz necessário. 

Governos de vários países do mundo, incluindo o do Brasil, viram-se forçados a acelerar iniciativas de saúde digital, sendo a telemedicina uma das maiores beneficiadas. 

Nos Estados Unidos, atendimentos por esta tecnologia dispararam em todo o país, com algumas empresas notando um crescimento de 650% nos atendimentos em certos estados. 

Antes da pandemia, apenas 10% dos pacientes nos EUA usavam telemedicina; poucos dias após a chegada do vírus, a maior parte dos grandes serviços de saúde contavam com alguma forma de atendimento por telemedicina.

Em todo o Brasil, diversas iniciativas têm sido realizadas para implementação de atenção médica por meio de telemedicina, seja por iniciativas dos próprios médicos ou com o apoio de universidades ou investimentos de empresas privadas. 

Uma destas iniciativas, desenvolvida pelo Grupo Fleury e denominada de Cuidar Digital, está sendo oferecida gratuitamente a médicos no período da pandemia, com a possibilidade de atendimento online, gravação de consultas ao vivo, acesso a sistemas de prontuário eletrônico e a exames de análises clinicas e de imagem. 

Após pouco mais de 1 mês do lançamento, já são mais de 2200 médicos cadastrados e um número superior a 3000 consultas realizadas.

Soluções de apoio para a telemedicina também têm sido muito empregadas no momento atual, como dispositivos médicos, métodos diagnósticos por imagem, automação de protocolos de atendimento clínico e telerradiologia com gestão de imagens médicas em nuvem

Em suma, a medicina tem se tornado cada vez mais digital, com o cuidado de não perder o foco na experiência, cuidado e atenção ao paciente.  

A comunicação entre diferentes profissionais de saúde e o compartilhamento de informações críticas de pacientes com suspeita de Covid-19, incluindo exames de radiografias e tomografias de tórax, é fundamental para triagem dos pacientes, monitoramento da epidemia e controle do fluxo de pacientes. 

Um aplicativo chamado Join tem sido empregado no Brasil e no Japão para que toda uma região, desde a unidade básica de atendimento ao centro de referência, tenham o mesmo padrão de qualidade e velocidade para triagem dos pacientes com suspeita de infecção pelo novo coronavírus, também possibilitando ferramentas de segunda opinião entre médicos clínicos e médicos radiologistas especializados na análise de imagens do tórax.

  1. Proteção a profissionais de saúde e pacientes

Um dos maiores impactos na pandemia tem sido sobre os profissionais de saúde diretamente envolvidos no atendimento aos pacientes. Equipamentos de proteção individual como máscaras, gorros, óculos e aventais são muito disputados entre diversos serviços de saúde no mundo e, por vezes, tornam-se escassos. 

Algumas empresas têm inovado nesta área, buscando maior proteção da equipe de saúde envolvida no atendimento aos pacientes, seja desenvolvendo caixas acrílicas para intubação orotraqueal, reduzindo o contato do profissional de saúde com gotículas do paciente, produzindo protetores faciais com impressoras 3D, elaborando agentes antimicrobianos para proteção das telas dos equipamentos médicos e redução de infecção hospitalar, desenvolvendo novos sistemas de máscaras para proteção dos profissionais de saúde, algumas das quais autolimpantes, e fomentando iniciativas que conectam fornecedores com aqueles que precisam de máscaras, álcool em gel e luvas em todo o Brasil, a preço justo e com boa qualidade, com o intuito de ajudar a população. 

Outras startups já estão de olho no momento de retorno às atividades habituais e na proteção aos indivíduos enquanto ainda não dispomos de um tratamento ou vacina eficientes. 

Uma destas empresas produziu um dispositivo que permite ao usuário reconhecer quando está muito próximo de outro usuário do sistema, o que ajuda no distanciamento social e evita novos casos da doença. 

  1. Tratamento

Diversas inovações têm surgido no campo do tratamento da Covid-19. Infelizmente, até o momento não dispomos de uma droga que seja capaz de neutralizar o vírus, mas existem inúmeros ensaios clínicos em todo o planeta, que podem ser acompanhados em tempo real por meio de alguns sites da internet. 

Há também uma busca incessante por vacinas, cujos estudos evolutivos podem ser acompanhados pela internet, além de novos tratamentos sendo investigados à base de anticorpos ou empregando plasma de indivíduos que já tiveram a doença. 

A Bright Photomedicine, startup brasileira que desenvolveu uma tecnologia emissora de luz para tratar dor, assinou um memorando de entendimento com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP para parcerias em pesquisas clínicas, incluindo uma linha de trabalho para ajudar a combater a inflamação pulmonar decorrente da Covid-19.

Com relação a equipamentos médicos, diversas inovações surgiram, incluindo adaptação de máscaras de mergulho para uso na ventilação não invasiva, máscaras faciais para suprimento de oxigênio sem necessidade de ventilador mecânico e desenvolvimento de novos ventiladores a baixo custo.

  1. Iniciativas de auxílio

A pandemia também tem trazido diversas inovações no campo social e de ajuda. Gigantes da tecnologia, como a Google, têm auxiliado pesquisadores em todo o mundo em análise de dados, ferramentas de aprendizado de máquina, predição de disseminação e impacto da doença e desenvolvimento de novas medicações. 

Empresas e universidades brasileiras têm oferecido atendimento psicológico online gratuito para ajudar a população brasileira em um momento de tantas dificuldades para a saúde física e mental. 

O Grupo Fleury e o Hospital Sírio-Libanês estabeleceram uma parceria, batizada de Telecorona Solidário, para oferecer orientação sobre o novo coronavírus para pessoas com necessidade de saúde durante a pandemia, utilizando uma plataforma online e com apoio de médicos voluntários das duas instituições. 

Outras iniciativas, como a Missão COVID e a Central Corona, conectam pacientes com suspeita de quadros clínicos leves da doença a médicos voluntários, permitindo desafogar o sistema de saúde e dando apoio a diversos indivíduos. 

Outras instituições têm feito a ponte entre indivíduos interessados em realizar doações com ONGs conveniadas, enviando cestas básicas digitais para as famílias mais necessitadas. 

Por fim, mas não menos importante, uma iniciativa com jornalistas voluntários, denominada de Inumeráveis, permite que familiares ou amigos de indivíduos que perderam a luta contra a Covid respondam a um questionário sobre a vítima, automaticamente direcionado para uma rede de jornalistas, que criam um texto tributo para cada pessoa, então inserido no memorial.

NESTE MOMENTO DE CRISE E DE TANTAS DIFICULDADES NOS QUATRO CANTOS DO PLANETA, saber que diversas inovações têm aflorado traz algum alento. Mais do que nunca, é tempo de união e trabalho para um bem comum; de aproveitar a crise para repensar nossos valores, aperfeiçoar nossos processos e adotar um caminho de solidariedade global. Desta forma, ganharemos não apenas esta, mas muitas outras batalhas ainda por vir.

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Autoria

Gustavo Meirelles

Gustavo Meirelles é médico radiologista, com doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pós-doutorado pelo Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de Nova York e MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. É gestor médico de radiologia, estratégia e inovação do Grupo Fleury. Idealizador do site Covid-19, uma compilação de informações sobre a doença. Para mais informações, acesse: www.gustavomeirelles.com.