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Fórum: A era da hiperpersonalização - Coprodução MITSMR + Capgemini

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No comando da cadeia de valor do negócio

Com tecnologias avançadas, a torre de controle usa inteligência artificial para monitorar processos e solucionar problemas em tempo real

Michel Alecrim

10 de Maio

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Artigo No comando da cadeia de valor do negócio

O conceito de torre de controle surgiu em 1921 quando foi implementada a primeira delas no aeroporto de Croydon, em Londres, com o objetivo de dar visibilidade e segurança aos pilotos e passageiros. Mais recentemente, empresas de diferentes segmentos se inspiraram nesse modelo da aviação para tornar mais eficiente a área de supply chain, setor que tem enfrentado uma série de desafios. Desde 2020, houve uma desaceleração maciça na cadeia de suprimentos o que gerou vulnerabilidades, interrupções imprevisíveis, e aumento da pressão sobre os executivos para atender aos anseios dos clientes, otimizar as operações e reduzir custos.

Diante desse cenário, as empresas perceberam que é preciso fazer diferente. Em um relatório do Capgemini Research Institute, 66% das organizações entrevistadas afirmam ter de mudar significativamente a estratégia da cadeia de suprimentos, o que inclui a implementação de novas tecnologias e abordagens de gestão, como a torre de controle.

A visão end-to-end de toda a cadeia é o que dá tanto poder à ferramenta. A lógica da torre é o controle centralizado de informações fornecidas por diferentes setores da empresa, e por que não, fora dela também. A tecnologia conecta dados de sistemas isolados e traz dashboards personalizados com as métricas do negócio e todos os eventos da cadeia. Isso permite melhor gestão de recursos, agilidade nas respostas e na identificação de problemas e oportunidades, melhoria na comunicação e otimização de processos com resultados mensuráveis em ganhos de produtividade.

Esse núcleo de inteligência é capaz de detectar e prever, por exemplo, a escassez de produtos nas prateleiras e reforçar o fornecimento sem perda de vendas. Também consegue encontrar fontes alternativas de matéria-prima quando há ameaça de atraso na entrega, além de permitir colher informações das reações dos consumidores nos pontos de venda ou de suas manifestações sobre produtos e serviços nas redes sociais.

A busca por eficiência e redução de custos não é nova. Mas essa tarefa ficou ainda mais desafiadora depois da pandemia de covid-19, que desorganizou as áreas de supply chain com interrupções na oferta e na demanda. Para Maurício Andrade de Paula, diretor de soluções para as indústrias de varejo e bens de consumo da Capgemini, a pandemia serviu como um choque de realidade para muitas empresas que ainda não tinham se dado conta da importância do controle digital de seus processos e da análise de informações.

Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, e professor convidado da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que a pandemia acelerou a adoção de torres de controle no Brasil não só por causa dos gargalos que trouxe, mas também pela necessidade de revolução logística para a entrega de vacinas. “Os principais sinais indicativos são desperdício, retrabalho, carga extraviada. Um ponto importante é que quando falamos sobre o uso de tecnologia, muitas vezes as empresas consideram que já fazem o suficiente. Um dos desafios é ter a percepção daquilo que não conseguimos medir. Tudo parece que vai bem, mas os sinais evidentes aparecem quando têm colapso, ou seja, carga perdida, perda de competitividade”, exemplifica o especialista.

Implementação e resultados

Se num primeiro momento pode parecer uma tarefa simples concentrar os dados em uma ferramenta, implementar a torre de controle requer planejamento e o engajamento de toda a organização para que a empresa atinja seus objetivos. O diretor da Capgemini explica que o primeiro passo para a implantação da torre de controle é ter um diagnóstico amplo sobre as operações da empresa, seu organograma e sua estrutura tecnológica. Só assim pode-se tomar a decisão mais correta com relação ao modelo a seguir e de como atingir a otimização necessária. Em seguida, é preciso avaliar se haverá necessidade de integrar os recursos tecnológicos disponíveis ou adquirir novos softwares e computadores.

Outra questão inicial importante é definir que setor comandará a torre, o que vai depender do perfil de cada empresa. Em companhias com forte peso na distribuição, a área de abastecimento ou suprimentos tende a ser a escolhida. Conectar os diferentes setores responsáveis pelo envio de dados para a torre também é um processo decisivo para seu bom funcionamento. O executivo ainda ressalta que depois de implantada, ainda na fase inicial, a consultoria deve acompanhar os primeiros resultados para fazer eventuais adaptações.

Vale lembrar que essa abordagem de torre de controle é voltada tanto para grandes como pequenos negócios. Para cada perfil de empresa há uma solução personalizada que envolve não só o emprego de softwares e hardwares, mas também a integração e sinergia entre os diferentes setores. “A unidade da torre de controle pode fazer parte da logística, do departamento comercial ou ficar na área de inteligência da empresa, dependendo do seu perfil. O importante é que a companhia tenha acesso às informações de toda a cadeia de valor, o que proporciona aumento da produtividade e antecipação de problemas. A solução permite simular cenários e apontar os melhorescaminhos”, explica de Paula. “É um conceito mais baseado em dados e informações, sempre atrelados à cadeia de valor do negócio. Reúne a forma como a empresa vende e distribui, juntando dados sobre toda a cadeia. Pode ser aplicado num ponto só, mas quanto mais amplificar a visão, melhor será o resultado”, ressalta de Paula.

De acordo com André Duarte, professor de gestão de operações e estratégia da cadeiade suprimentos do Insper, a adoção da torre de controle por grandes empresasbrasileiras dos setores de comércio eletrônico, bebidas e alimentos, que têm uma cadeia bastante complexa, está servindo de benchmarking para outras organizações. “A alta gestão das empresas está passando a dar maior atenção e relevância à visibilidade total das operações. A partir de resultados já conhecidos no mercado, fica mais fácilperceber a importância do ganho global e não apenas de áreas específicas”, avalia Duarte.

Na prática

A Vibra (ex-BR Distribuidora) vem adotando mudanças desde a sua privatização e priorizou a implementação de solução de supply chain digital e a criação da torre de controle de eficiência logística e ambiental. Com essas duas ações, a empresa aumentou o forecasting de vendas, aprimorou a política de estoques permitindo uma redução nos níveis de inventário, melhorou as execuções automáticas de rotinas operacionais diárias na sede e nas 80 bases, incrementou a comunicação entre as áreas logísticas e comerciais e otimizou as operações.

“À medida que a Vibra conseguiu melhorar a gestão da sua operação após a implantação da torre ficou claro como o sistema se adequou com rapidez às oscilações rotineiras, com ainda mais rapidez. Isso nos deu ganho de flexibilidade e de efetividadenas operações, o que permitiu uma economia em custos da ordem de 90 milhões de reais e melhorias nos resultados de segurança no transporte ao longo de 2021”, explica Aurélio Antônio de Souza, diretor de logística da Vibra

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Autoria

Michel Alecrim

Michel Alecrim é colaborador de MIT Sloan Review Brasil

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