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O que esperar do futuro do trabalho?

Após meses de distanciamento social e gestão remota, negócios se preparam para o modelo híbrido de trabalho, de olho na segurança e na produtividade dos times

Angela Miguel

07 de Dezembro

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Artigo O que esperar do futuro do trabalho?

Desde meados de março, quando os primeiros casos de Covid-19 foram confirmados no Brasil, colaboradores por todo o país deixaram os escritórios e se isolaram em casa, respeitando as orientações sanitárias estabelecidas com o objetivo de reduzir o contágio do novo coronavírus. Imediatamente, as empresas precisaram encontrar maneiras de facilitar o trabalho remoto de seus times, forçando a aceleração da transformação digital para muitos negócios e exigindo novos rituais para que a produtividade fosse mantida em alta.

Após mais de nove meses, a maioria dos brasileiros segue em home office, mas companhias em todo o planeta planejam os próximos passos para gerir seu capital humano. Enquanto Facebook e Google decidiram manter seus funcionários trabalhando em casa até o fim de 2021, os atendentes de call center da TIM seguirão em regime de home office permanente. Por outro lado, há empresas que colocaram parte de suas equipes na rua desde que a quarentena foi flexibilizada em diversos estados.

Encontrar esse equilíbrio, portanto, parece ser o grande desafio corporativo para 2021, e maior tendência – aposta confirmada pela pesquisa The Rise of the Hybrid Workplace, publicada em outubro pela Dimensional Research e Cisco. O estudo entrevistou 1569 executivos de áreas de negócios e TI em países de cinco continentes.

Entre os principais achados, o levantamento mostrou que nove em cada dez trabalhadores querem ter o poder de escolha sobre trabalhar fora ou em casa e ter mais autonomia sobre seus horários, e 58% dos entrevistados vão trabalhar de oito a mais dias do mês em casa no cenário pós-pandemia.

Modelo híbrido veio para ficar

Para além de promover ambientes de trabalho higienizados e seguros, os negócios esperam reduzir custos e conseguir realizar mais economias em 2021. Uma das principais opções está no fechamento de alguns escritórios físicos, e já há 53% das grandes empresas em busca de negociação. Enquanto 77% das companhias com mais de 10 mil funcionários estão liderando o movimento em direção à flexibilidade, seja em jornada ou em locação, 53% das organizações com até 1 mil colaboradores devem investir na redução do tamanho de seus escritórios.

Entre executivos e gerentes das áreas de RH, TI e instalações das organizações, a pesquisa indicou que 99% estão fazendo mudanças para que os funcionários se sintam mais seguros, como habilitar o home office com maior uso de videoconferências (66%), utilização de aplicativos de colaboração (59%) e dispositivos de colaboração (47%), além do aumento da higienização local (60%) e de jornadas flexíveis (58%).

Para os profissionais que cumpriram parte de suas jornadas presencialmente nos escritórios, 89% revelaram suas principais frustrações: funcionamento dos equipamentos durante reuniões com colegas em home office (49%), ferramentas para compartilhamento de conteúdo (42%), reservas e posterior não utilização de salas de reunião (47%) e dificuldade em acessar outros colegas que também cumpriam suas jornadas no escritório (36%).

Sobre a produtividade das equipes, 96% dos executivos e time de RH afirmaram que as tecnologias-chave fornecem benefícios diretos à empresa, como dispositivos de colaboração que reconhecem os usuários e emparelham automaticamente os dispositivos (57%). Foram citadas outras tecnologias como telas para compartilhamento de informação (55%) e assistentes de reunião controlados por voz (45%).

O home office segue forte

Ainda que o trabalho remoto tenha se tornado a única possibilidade para continuidade da rotina durante a Covid-19, está claro para empresas e funcionários que uma parte substancial do trabalho seguirá sendo realizado dos domicílios após o fim da pandemia. A pesquisa mostrou que 58% dos entrevistados seguirão trabalhando de casa mensalmente de oito a mais dias – e essa mudança é esperada para todos os níveis hierárquicos das empresas.

Outro dado interessante prevê que 98% de todas as reuniões no futuro deverão contar com ao menos um colaborador em home office, o que justifica a preocupação das organizações com a melhoria da infraestrutura tecnológica de suas equipes. Nesse tema, o estudo trouxe a informação de que os participantes disseram usar um laptop para ingressar nas reuniões com áudio e vídeo dos aparelhos, 42% e 77%, respectivamente. Headsets apropriados são utilizados apenas por 23%, enquanto câmeras USB só estão ao alcance de 28%.

Entre as reclamações sobre o home office, 98% listaram três grandes problemas: 50% reclamaram do áudio ruim durante as reuniões, 47% afirmaram sentir-se frustrados com muitas pessoas falando ao mesmo tempo, 46% se queixaram de ruídos de fundo de outros participantes. Em termos de produtividade, problemas com áudio costumam atrapalhar o foco dos funcionários e a eficácia dos encontros.

Um retorno desconfortável

O receio de retornar aos escritórios segue forte entre os entrevistados da pesquisa. Como ainda não há vacinação em larga escala, o medo do contágio dita as ações de milhares de trabalhadores pelo mundo (95%). A maior preocupação dos colaboradores está no compartilhamento de dispositivos do escritório (64%), seguida por elevadores lotados (62%) e por compartilhar mesas (61%).

Para reduzir o receio do retorno ao local de trabalho físico, os entrevistados esperam que as empresas reforcem medidas de segurança, como o aumento da higiene local (66%) e a fiscalização do distanciamento social nas salas de reunião (58%) e elevadores (58%). Também está na lista de desejos dos colaboradores verificações de temperatura obrigatórias e alternância de times para diminuir a quantidade de pessoas em um mesmo ambiente.

Quanto a modificações nas atividades operacionais, 76% esperam aumento no uso de reuniões por vídeo, 67% desejam aumento da limpeza das instalações, 64% aguardam mais flexibilidade e jornadas adaptáveis. Em paralelo, a tecnologia poderá servir como forte aliada na criação de um ambiente seguro, saudável e confortável para todos, indicando a utilização dos dispositivos e espaços compartilhados e gerando insights para propor o rodízio entre os times, por exemplo.

Embora o futuro do trabalho ainda pareça nebuloso, a movimentação realizada por negócios de todos os setores da economia para encontrar soluções que funcionem para todos os atores da cadeia é positiva. Em combinação com a comunicação transparente da situação do ambiente de trabalho, o aconselhável pode estar no encontro do equilíbrio entre a presença física e a atividade remota, pois o modelo híbrido não parece uma fase passageira. Portanto, esteja pronto para exercitar toda sua flexibilidade.

Confira mais artigos sobre a realidade corporativa na pandemia no Fórum Trabalho Remoto.

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Autoria

Angela Miguel

Angela Miguel é editora de conteúdos customizados na Qura Editora para as revistas MIT Sloan Management Review Brasil e HSM Management.

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