Organização foca na economia digital social e ambiental para aumentar a presença de mulheres na tecnologia
A atriz e ativista Maria Paula, que foi mais uma vez mestre de cerimônias do Viasoft Connect, que aconteceu em Curitiba, em junho, logo na abertura fez questão de chamar a atenção para os acessórios que estava usando: brincos e colares feitos de lixo eletrônico. Microprocessadores deram origem aos brincos, enquanto um mini CD de memória RAM era o pingente do colar.
Foi uma baita divulgação para a Tech Girls, negócio socioambiental focado na empregabilidade em tecnologia e geração de renda para mulheres. O projeto social estava presente no evento de inovação, expondo suas bijuterias tecnológicas num pequeno balcão. No entanto, essas peças, além de chaveiros, bolsas feitas de teclado e objetos de decoração confeccionados a partir de lixo eletrônico, são apenas a ponta do iceberg da atuação da Tech Girls.
Fundada em 2017 pela paranaense Gisele Lasserre, a Tech Girls tem o objetivo de tornar o conhecimento sobre tecnologia acessível para mulheres. Ela foi idealizada a partir da própria experiência de Lasserre: aos 40 anos, durante uma transição de carreira, a empreendedora decidiu aprender sobre TI e percebeu a carência de educação de tecnologia para o público feminino.
Os cursos da Tech Girls preparam as mulheres para atuar no mercado de TI, para criar negócios digitais (com treinamento em hard e soft skills) ou simplesmente para aprender a usar plenamente computadores e celulares. Em cinco anos, ela já formou mais de 500 mulheres.
Com metodologia própria, os cursos são adaptados ao perfil das alunas: mulheres em condições de vulnerabilidade social, autônomas, donas de casa, com mais de 50 anos, etc. Após a formação das primeiras turmas, surgiu outro desafio: muitas das alunas não tinham computador para dar continuidade aos seus projetos. A Tech Girls, então, começou a recolher equipamentos que seriam descartados, consertando-os e doando-os para aquelas que precisavam ao finalizar o curso. Assim surgiu o curso de manutenção e assistência técnica da Tech Girls.
Como nem tudo tinha conserto, havia acúmulo de lixo eletrônico. Isso motivou o surgimento da oficina Arte-Lixo Eletrônico. Os artistas plásticos paranaenses Simoni Uaska e Adriano Moro estão à frente do projeto, que cria bijuterias e objetos de decoração a partir de sucatas de componentes de informática.
Vale ressaltar que os novos objetos recebem tratamento a fim de isolar o contato do metal com o corpo. Um dos canais de venda é a Magalu.
A Tech Girls oferece também cursos gratuitos em parceria com centros comunitários e associações de bairro, principalmente na região metropolitana de Curitiba. Entre os parceiros estão ONGs como Gerando Falcões e Mães do Cerrado, além de empresas como O Boticário, OLX e Renault. A montadora, por meio do Instituto Renault, dá um curso customizado para alunas ligadas à Associação Borda do Campo, em São José dos Pinhais (PR).
No primeiro dia Viasoft Connect, Lasserre fez uma palestra sobre a Tech Girls. “Aprender tecnologia da informação aos 40 anos me fez repensar que educação não precisa ter sofrimento, mas afeto e incentivo com conquistas diárias para não deixar ninguém desanimar”, contou.”