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Três lições das lideranças “flores do deserto”, que prosperam sob condições adversas

Quando estamos nos afogando no trabalho, mindfulness só ajuda até certo ponto. Veja como líderes sobrecarregados encontraram estratégias surpreendentes para gerar resultados (mas não valem para a vida toda)

Melissa Swift
15 de julho de 2025
12 min de leitura
Três lições das lideranças “flores do deserto”, que prosperam sob condições adversas

Nos últimos anos, muitas manchetes nos têm dito que estamos todos um pouco esgotados no trabalho. Entre o “quiet quitting” passivo-agressivo e o “ghost work” assustador, as pessoas estão como que dormindo ao volante, ou pelo menos cochilando a cada poucos quilômetros, o que mantém essa linha de pensamento.

Mas e se isso não for verdade, pelo menos para um número significativo de pessoas?

E se houver um grupo de indivíduos de tamanho apreciável que se sente muito sobrecarregado, mas permanece motivado e eficaz? No mercado de trabalho atual, em que modificar suas condições de trabalho pode parecer muito além do seu alcance, o que podemos aprender com essas pessoas  sobre como seguir adiante?

Em abril de 2025, em conjunto com Patrick Hyland, psicólogo organizacional da Remesh, minha empresa Anthrome Insight conduziu um estudo com mais de 1.000 pessoas em diversos setores, hierarquia organizacional e gerações que se concentraram em como estão lidando com um fenômeno chamado “intensificação do trabalho”. O fenômeno ocorre quando o trabalho é demais – muitas tarefas para fazer em pouco tempo, muita burocracia e interdependências ou muita demanda emocional. (Às vezes podem ser os três!) Sem surpresa, 75% dos nossos entrevistados disseram que se sentem legitimamente atingidos pela intensificação do trabalho e sobrecarregados por pelo menos parte do tempo.

Aqui está o que é estranho: quando examinamos os dados sobre eficácia e motivação, identificamos uma boa quantidade de pessoas que relataram sentir-se bastante eficazes (fazendo tudo ou a maior parte do que precisam fazer no dia a dia) e motivadas (altamente ou um pouco mais motivadas recentemente), mas também se sentindo sempre ou frequentemente sobrecarregadas. Doze por cento de nossa amostra se sentiu assim – quase 1 em cada 8 pessoas.

Adoro uma descoberta contra-intuitiva, mas esta realmente me intrigou. Essas pessoas estavam lutando contra a exaustão e ligaram o turbo? Em vez de desistir silenciosamente, eles estavam em busca silenciosa? Passo rápido silencioso? (Vou parar de arrumar sinônimos; as palavras de que necessitaria estão em nosso vocabulário mais ativo.)

Em minha opinião, altos níveis de sobrecarga deveriam ser assassinos de produtividade e motivação, mas essas pessoas desafiaram essa suposição lógica. Para mim, esses líderes são verdadeiras “flores do deserto”, prosperando sob condições adversas.

Então, aprofundando os dados, descobrimos que esse grupo de líderes sobrecarregado mas ainda assim eficaz e motivado tem algumas lições a nos dar.

Três lições sobre o excesso de trabalho

Vamos explorar o que as lideranças do tipo “flores do deserto” podem nos ensinar a respeito da sobrecarga de trabalho:

1. Lute ativa e apaixonadamente contra as maneiras pelas quais o trabalho é “demais”.

Perdi a conta de quantas conversas tive sobre como é difícil lutar contra a natureza avassaladora do trabalho. Muitas pessoas se sentem desesperançadas com isso. O trabalho intensificado é, afinal, o que os cientistas sociais chamam de “problema perverso”, com muitas causas emaranhadas; lutar contra um trabalho ruim pode ser como lutar contra um polvo.

Mas as flores do deserto estão realmente lutando. Perguntamos aos participantes do estudo se eles estavam agindo contra as três dimensões da intensificação do trabalho. Os personagens de que falamos eram muito mais propensos do que a pessoa média a serem apaixonados por tentar consertar. Eles eram 43% mais propensos a tentar reduzir consistentemente a carga de trabalho, 55% mais propensos a tentar trabalhar regularmente de forma mais independente e 48% mais propensos a tentar habitualmente reduzir o impacto da emoção no local de trabalho. A ação é uma grande parte do molho secreto que esses líderes usam para se manterem motivados e eficazes, mesmo quando sentem que o trabalho é demais: eles estão focados, dia após dia, em fazer algo a respeito.

Vejamos um exemplo: administrar emoções no ambiente profissional. Para combater esse aspecto da intensificação do trabalho, as flores do deserto partiram da autorregulação, mas rapidamente se envolveram com outras pessoas. Esse grupo frequentemente descreveu fazer pausas pensativas no trabalho, levando outros colegas a reboque: “Eu faço exercícios de afirmação positiva com outros membros da minha equipe”, relatou um entrevistado.

Esse comentário incorpora três escolhas construtivas que surgiram em várias outras respostas da pesquisa sobre o grupo: uma pausa pensativa, uma reformulação em linhas positivas e um momento de comunidade. As lideranças do tipo flores do deserto não estão fazendo as coisas sozinhas ou confiando apenas em si mesmas. Para criar um ecossistema emocional melhor, eles estão reunindo a energia da equipe ao seu redor. Esta é uma postura altamente ativa.

2. Dedique (um pouco) menos energia ao mindfulness e mais à gestão do trabalho.

Como todos os nossos entrevistados, essas flores do deserto estavam de fato usando a prática de mindfulness como sua principal estratégia para permanecer eficaz sob condições avassaladoras, segundo disseram. Mas aqui está o que é interessante: em comparação com a população em geral, eles eram 13% mais propensos a usar estratégias para gerir o trabalho em si. (O autocuidado, terceiro conjunto de estratégias, foi praticamente usado na mesma proporção pelas flores do deserto e pela população em geral.)

As flores do deserto estão realocando parte de sua atenção – desde controlar suas próprias reações ao seu trabalho, até realmente tentar controlar cargas de tarefas pesadas e confusas. Isso representa uma mudança significativa de mentalidade de “meu próprio pensamento é o que posso controlar” para “posso fazer com que o trabalho em si se acalme”. Mais uma vez, é um ponto de vista de alta capacidade de ação. Com desculpas a Taylor Swift (sem parentesco), esses líderes estão dizendo que não são o problema. É o trabalho e ele pode ser abordado.

O que, exatamente, as flores do deserto estão fazendo? Para lidar com a sobrecarga de tarefas, bem como o trabalho altamente interdependente, eles geralmente procuram ajuda dos colegas de trabalho. Um tema popular entre muitas respostas abertas foi o destemor dos participantes do estudo em doar a carga de trabalho. Eles não se esquivam de técnicas “antiquadas” para tornar o volume de trabalho e os prazos mais administráveis, como dividir esse trabalho em componentes menores, criar listas de prioridades e – meu favorito – fazer uma coisa de cada vez.

3. Crie espaço para um trabalho mais independente – mesmo que isso seja um tabu.

Lendo as duas primeiras lições e examinando os dados, você pode se perguntar: como as flores do deserto se envolvem consistentemente em um comportamento empoderado quando admitem se sentir sobrecarregadas com frequência? Uma pista intrigante pode ser estrutural: esses líderes eram 14% mais propensos a notar que poderiam realizar muitas tarefas críticas sem a participação de outras pessoas. Simplificando, eles trabalharam de forma mais independente do que a população geral do estudo.

Isso é intrigante, já que apenas 17% deles eram colaboradores individuais, em comparação com 28% da amostra geral do estudo. As flores do deserto ocupavam principalmente funções interdependentes de gestão e, no entanto, se sentiam mais capazes do que muitas pessoas de trabalhar de forma independente.

As flores do deserto da amostra têm apenas boa sorte? Eles atuam em organizações ou funções mais organizadas e menos burocráticas? Não: eles eram 33% mais propensos do que a população em geral a dizer que seu gestor não prioriza bem o trabalho e 7% mais propensos a dizer que estão sobrecarregados com tarefas burocráticas.

Pode parecer simples tentar trabalhar de forma mais independente. No entanto, esse comportamento é um movimento verdadeiramente contracultural em muitas organizações.

Para as flores do deserto, o trabalho independente pode não ser uma característica do ambiente corporativo, mas sim uma escolha pessoal deliberada. Pode parecer simples tentar trabalhar de forma mais independente. No entanto, esse comportamento é um movimento verdadeiramente oposto à cultura dominante em muitas organizações, onde a necessidade de colaboração é constantemente martelada, desde os escalões iniciantes até o C-suite.

O problema: como pesquisas de Rob Cross, Cal Newport, Bob Sutton e outros têm deixado claro, colaborar o tempo todo na verdade nos deixa exaustos e improdutivos. Se as flores do deserto estiverem usando técnicas de colaboração mais felizes em um formato no qual alternam o trabalho em conjunto e o trabalho independente, elas podem se sentir menos esgotadas pelo excesso de colaboração. Isso deixa mais energia para lidar com a intensificação do trabalho diariamente.

Como as flores podem vicejar

Se recuperar essa energia parece atraente, agora você pode estar se fazendo uma pergunta importante: devo seguir o caminho para me tornar uma flor do deserto – ou devo escolher florescer em outro lugar?

Comece pensando em como você pode começar a usar as estratégias ativas das flores do deserto para combater um ambiente profissional avassalador. Um ótimo lugar para começar é escolher qual das três dimensões da intensificação do trabalho o atinge com mais força. Você é mais afetado por:

  • Sobrecarga de trabalho / tempo apertado?
  • Ter de colaborar com muitas pessoas?
  • Um local de trabalho altamente emocional?

Embora as flores do deserto recuem em todas as três dimensões, atacar as três ao mesmo tempo pode ser um ponto de partida difuso (e pode ser um tanto opressor).

Em vez disso, escolha uma área e teste três ou quatro maneiras de fazer progressos concretos. Por exemplo, se o excesso de colaboração está realmente irritando você, existem reuniões, iniciativas, grupos de trabalho ou processos que você possa evitar adequadamente? Você pode acertar com seus colegas de equipe a divisão do trabalho mais independente? Olhe para dentro de si mesmo também: você está fazendo partes do trabalho de outras pessoas e deve parar?

Lembre-se, você pode decidir agir para ser uma flor do deserto por enquanto, mas esse não deve ser o objetivo para sempre. Os mercados de trabalho não são infinitamente fluidos: todos nós temos que sustentar a nós mesmos e nossas famílias; não podemos dançar magicamente no tipo certo de organização. Nesse sentido, é lógico descobrir como prosperar apesar do excesso de trabalho em sua empresa atual. Mas, no longo prazo, do ponto de vista da saúde mental e da produtividade, todos devemos procurar ambientes (dentro de nossas organizações ou em outros lugares) em que não haja sobrecarga de trabalho para as pessoas.

Podemos todos ser flores do deserto, mas também podemos decidir florescer em solo mais rico.

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Melissa Swift
Melissa Swift comanda a prática de força de trabalho e organização da consultoria Capgemini para a América do Norte. É autora de *Work Here Now: Think Like a Human and Build a Powerhouse Workplace*, lançado em 2023.

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