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A América Latina está no meio de uma transformação financeira acelerada. Em toda a região, pagamentos digitais deixaram de ser conveniência para se tornar infraestrutura – um novo piso sobre o qual milhões de pessoas acessam o sistema financeiro pela primeira vez. E nesse cenário, o Brasil ocupa uma posição fora do comum.
O que coloca o país na liderança não é apenas o Pix, embora ele seja central nessa história. É a combinação de três movimentos que se reforçam: um sistema de pagamentos instantâneos desenhado para ser universal e gratuito, um ecossistema dinâmico de carteiras e bancos digitais, e uma agenda de inclusão financeira que coloca o cidadão no centro. Essa tríade é o que a 7ª edição do Reporte Pulso — O futuro dos pagamentos digitais na América Latina, produzido pela Topaz em parceria com a Celent, mostra com dados.
Os pagamentos digitais se tornaram o ponto de encontro entre inclusão financeira, inovação e experiência do cliente na América Latina
Jorge Iglesias, CEO da Topaz
Para Jorge, entender essas dinâmicas é essencial para que as instituições financeiras permaneçam relevantes e ampliem seu impacto social.
O relatório, baseado em pesquisa com 1.023 líderes de serviços financeiros de 20 países da América Latina, descreve o Pix como uma ferramenta crucial tanto para consumidores quanto para pequenos comerciantes, chegando a ser o primeiro contato com o sistema bancário para muitos que antes dependiam exclusivamente de dinheiro físico.
A lógica é direta: ao eliminar a necessidade de conta tradicional, maquininha de cartão e taxas de aceitação, o Pix reduziu as barreiras de entrada ao sistema financeiro. Um microempreendedor que vende na feira ou pelo aplicativo de entrega passou a registrar cada transação digitalmente, e cada registro vira dado, que abre espaço para crédito, gestão de caixa e relacionamento com instituições.
O impacto aparece nas comparações regionais. Enquanto Argentina, Colômbia e Peru concentram 50% ou mais de suas pequenas empresas com dificuldade de adotar pagamentos digitais, no Brasil esse índice cai para menos de 20%, o menor da região, segundo o Pulso.
Entre todos os países pesquisados, o QR Code é o formato mais adotado para pagamentos digitais. Mais da metade das instituições financeiras ouvidas pelo Pulso já oferecem essa solução, impulsionadas, principalmente, pela integração do QR ao Pix e pelo volume de transações gerado no Brasil.
Mas o relatório deixa claro que disponibilidade não basta. A satisfação com o desempenho das soluções depende de uma base tecnológica robusta. E é aí que as prioridades de investimento revelam muito: infraestrutura de tecnologia de pagamento lidera a lista, escolhida por 52% dos entrevistados como área prioritária para os próximos dois anos. Cibersegurança e prevenção de fraudes vêm logo atrás, com 40,7%.
A inteligência artificial entra nesse contexto de forma concreta. Entre as aplicações em que as instituições mais planejam investir, a detecção de fraude em tempo real aparece em primeiro lugar, citada por 53,9% dos respondentes. É a IA como ferramenta de proteção, não como promessa genérica.
Se a tecnologia é o meio, a confiança é o combustível. O Pulso mostra que as principais razões pelas quais usuários têm dificuldade de adotar pagamentos digitais são: desconfiança em plataformas digitais (56,2%), baixo nível de alfabetização digital (54,7%) e medo de fraude ou roubo (47,3%).
Diante disso, a pesquisa destaca um dado que contradiz a percepção comum: são os bancos tradicionais, não as fintechs, que mais investem em campanhas de educação financeira e digital. No Brasil, 45% dos bancos e cooperativas implementam medidas educacionais, contra apenas 18% das fintechs e neobancos. A explicação é simples: quem tem história no relacionamento com o cliente usa esse capital para puxar a adoção entre públicos menos digitalizados.
Essa diferença de postura representa, também, uma vantagem competitiva. As instituições que conseguirem combinar infraestrutura resiliente, proteção contra fraudes e experiência
educacional tendem a ocupar posição privilegiada à medida que o ecossistema se expande.
À medida que México, Bolívia e Colômbia avançam em seus próprios arranjos de pagamento instantâneo, muitos dos desafios que enfrentam, da educação do usuário à integração com o varejo informal, já foram navegados pelo Brasil. A vantagem competitiva brasileira não está apenas em “ter saído na frente”, mas na acumulação de aprendizados que podem orientar a próxima onda de inovação latino-americana.
O Pulso mostra que 66,8% das instituições esperam que pagamentos instantâneos permitam o desenvolvimento de novos modelos de negócios. Outros 60,8% acreditam que a experiência do cliente vai melhorar significativamente. A direção é clara, a discussão, agora, é sobre velocidade e consistência de execução.
Para instituições que desejam ir além do panorama regional e acessar dados por país, por tipo de instituição e por prioridade de investimento, o Reporte Pulso – O futuro dos pagamentos digitais na América Latina oferece comparativos e recomendações que ajudam a transformar intenção em estratégia.
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