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Em ambos os casos, o futuro das compras no Brasil está menos em discutir se o cartão vai acabar e mais em entender como combinar trilhos.
Há alguns anos, comprar online significava digitar número de cartão, validade, CVV, CPF, endereço completo e torcer para não cair em um captcha indecifrável. Hoje, para uma parcela crescente dos brasileiros, pagar virou quase um detalhe. Um toque em uma carteira digital, um QR Code Pix na tela, um parcelamento aprovado em segundos: o dinheiro sai, o pedido entra, e o meio de pagamento mal é percebido.
No meio dessa aparente simplicidade, está em curso uma transformação profunda no e-commerce brasileiro, e nas instituições que viabilizam cada transação.
O cenário macro ajuda a dimensionar o que está acontecendo. Em 2025, o e-commerce brasileiro faturou R$235,5 bilhões, com 439 milhões de pedidos e 94,2 milhões de compradores ativos. Mais da metade dessas compras aconteceu pelo celular.
Em paralelo, o Pix fez em poucos anos o que os cartões levaram décadas para consolidar: no comércio eletrônico, já responde por 42% das transações, superando o cartão de crédito, que ficou em 41% em 2025. É difícil encontrar outro país em que um método de pagamento instantâneo tenha se tornado tão rapidamente protagonista da economia digital.
O Pix é apenas a face mais visível de uma onda mais ampla. Segundo o Global Payments Report 2025, 84% dos brasileiros já utilizam algum tipo de wallet — de aplicativos como PicPay e Mercado Pago a soluções embarcadas como Apple Pay e Google Pay. Globalmente, as carteiras movimentaram US$16 trilhões em 2024 e devem ultrapassar US$28 trilhões até 2030.
No Brasil, o recorte geracional é revelador: entre os mais jovens, o conhecimento sobre bancos digitais dobrou em três anos, e dois terços da geração Z já mantêm conta em instituições nativas digitais.
Do ponto de vista da jornada do consumidor, o ponto crítico de fricção é o checkout. Taxas de abandono de carrinho acima de 60% continuam sendo um problema crônico no e-commerce brasileiro. Custos inesperados, formulários longos e a ausência do meio de pagamento preferido seguem como motivos recorrentes de desistência.
As carteiras digitais atacam exatamente esse ponto: cadastram dados uma única vez, reduzem o processo a poucos toques e embutem o Pix como opção padrão. O que para o consumidor parece conveniência, para o varejista se traduz em pontos percentuais de conversão, e bilhões de reais em receita adicional.
O parcelado sempre fez parte da cultura de consumo no Brasil. O que muda agora é a forma como o crédito chega ao consumidor. O modelo Buy Now, Pay Later (BNPL) permite parcelar compras sem cartão de crédito, com aprovação em segundos e sem necessidade de limite prévio.
Em 2025, o mercado global de BNPL deve movimentar US$560,1 bilhões, com 900 milhões de usuários projetados até 2027. No Brasil, o segmento deve alcançar US$4,66 bilhões no ano, com crescimento anual próximo de 14%. Uma pesquisa com e-commerces nacionais aponta que 62,7% já oferecem alguma forma de parcelamento fora do cartão tradicional. O que era experimento virou linha obrigatória na prateleira do checkout.
O Banco Central chegou a sinalizar movimento nessa direção com o chamado “Pix Parcelado”, mas desistiu de regulamentar o produto em dezembro de 2025 e ainda proibiu o uso do nome. O recurso, que permite parcelar compras via Pix enquanto o lojista recebe o valor à vista, com juros definidos livremente por cada instituição, e segue disponível no mercado sob diferentes nomes, como “Pix no Crédito” ou “Parcele no Pix”, mas sem padronização de taxas, prazos ou transparência mínima ao consumidor. O potencial de alcance é inegável: seriam até 60 milhões de brasileiros sem cartão de crédito com acesso a uma nova modalidade de crédito no checkout. O desafio, agora, é que esse potencial seja capturado com as salvaguardas que o mercado ainda não garantiu.
Esse novo arsenal de meios de pagamento convive com um desafio intrínseco ao crescimento digital: o risco. Só no primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou quase 7 milhões de tentativas de fraude, um salto de quase 30% em relação ao ano anterior, com o setor bancário concentrando mais da metade dos ataques.
Não surpreende que pesquisas recentes indiquem que quase 90% dos brasileiros temem fraudes digitais, ao mesmo tempo em que seguem adotando carteiras e pagamentos instantâneos como padrão. Crescimento e risco caminham lado a lado.
A resposta das instituições passa por tecnologia e arquitetura de mercado. Dados de pesquisa com mais de mil líderes financeiros latino-americanos, sintetizados no Reporte Pulso 2025 produzido pela Topaz em parceria com a Celent, mostram que infraestrutura tecnológica, cibersegurança e soluções móveis concentram boa parte das prioridades de investimento para os próximos anos. A inteligência artificial aparece como ferramenta-chave especialmente em detecção de fraudes em tempo real, citada por 53,9% dos executivos como principal aplicação de IA nos pagamentos.
Essa combinação de novos trilhos de pagamento, clientes mobile-first e pressão por segurança abre espaço para um novo tipo de protagonista: quem consegue orquestrar, nos bastidores, essa complexidade.
Plataformas de core bancário em nuvem, motores de crédito integrados ao checkout, soluções de fraude alimentadas por dados de milhões de transações por dia e camadas de wallet white label que podem ser plugadas em superapps de varejo ou delivery formam o novo backstage do e-commerce. A Topaz, ao atuar como plataforma full banking em 25 países e atender centenas de instituições financeiras, é um exemplo de como essa infraestrutura deixa de ser apenas suporte e se torna estratégia de negócio.
No limite, a vantagem competitiva deixa de ser oferecer “mais um meio de pagamento” e passa a ser dominar a infraestrutura que permite criar experiências de pagamento invisíveis, personalizadas e confiáveis.
A mensagem que emerge do Reporte Pulso é clara: em um mercado no qual dois terços dos executivos já enxergam pagamentos instantâneos como porta de entrada para novos modelos de negócio, não basta acompanhar a adoção de Pix, carteiras e BNPL. É preciso decidir qual papel se quer ocupar nesse ecossistema — emissor, orquestrador, parceiro de varejo, provedor de infraestrutura, ou algum híbrido desses papéis.
Para o varejo, a escolha não é muito diferente: tratar pagamentos como custo de processamento ou como parte central da experiência, da conversão e do relacionamento com o cliente.
Em ambos os casos, o futuro das compras no Brasil está menos em discutir se o cartão vai acabar e mais em entender como combinar trilhos, dados e confiança para que o pagamento continue sumindo, justamente porque funciona.
Acesse o relatório completo clicando aqui.
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