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Crescer com confiança: regulação, tecnologia e o próximo estágio dos pagamentos digitais no Brasil

MIT SMR Brasil + Topaz
29 de maio de 2026
10 min de leitura
Crescer com confiança: regulação, tecnologia e o próximo estágio dos pagamentos digitais no Brasil

O Brasil construiu, em menos de uma década, uma das infraestruturas de pagamentos digitais mais avançadas do mundo. O Pix já está presente na rotina de mais de três em cada quatro brasileiros, com 76,4% da população utilizando o sistema regularmente. O Open Finance já soma dezenas de milhões de consentimentos ativos em centenas de instituições participantes. O Drex, moeda digital do Banco Central, está em fase de estruturação para um lançamento restrito em 2026. Esse conjunto de iniciativas foi descrito em estudo da McKinsey, desenvolvido em parceria com o Valor Capital Group, como o “Brazil Stack”: uma arquitetura digital coordenada que posiciona o país como referência global em inovação financeira.

Mas o próximo estágio desse crescimento não depende apenas de mais adoção. Depende de resolver três tensões que agora definem a agenda do setor: escalar sem fragilizar, regular sem frear e construir confiança num ambiente em que o risco cresce junto com o volume. É o que mostra a 7ª edição do Reporte Pulso, pesquisa produzida pela Topaz em parceria com a Celent com mais de 1.000 líderes financeiros de 20 países da América Latina.

O patamar que o Brasil atingiu

Os números ajudam a dimensionar o que está em jogo. Em 2025, o Pix registrou quase 80 bilhões de transações e se consolidou como camada de interoperabilidade entre o sistema bancário tradicional e as novas tecnologias financeiras. A bancarização chegou a mais de 90% da população adulta — um salto histórico impulsionado em grande parte pela facilidade de abertura de contas digitais e pela gratuidade do sistema de pagamentos instantâneos para pessoas físicas.

O Open Finance avançou além da troca de dados: com a regulamentação da chamada “jornada otimizada” pelo Banco Central em 2026, a novidade central é um modelo que combina iniciação de pagamentos e compartilhamento de dados em um único fluxo, reduzindo redirecionamentos e fricção. O potencial para o segmento PJ, historicamente subatendido, é visto pelo mercado como uma das maiores oportunidades de expansão para os próximos ciclos.

Já o Drex passou por uma reconfiguração relevante: após desligar, em novembro de 2025, a plataforma original do projeto, baseada em tecnologia de registro distribuído, o Banco Central adotou uma postura agnóstica em relação à infraestrutura tecnológica e redirecionou a iniciativa para casos de uso concretos — com foco inicial em reconciliação de garantias de crédito e interoperabilidade entre instituições.

A fraude como contrapartida do crescimento

Todo sistema que escala rapidamente também se torna alvo. No Brasil, o crescimento dos pagamentos digitais veio acompanhado de uma escalada equivalente nos ataques.

Em 2024, as perdas com fraudes no sistema financeiro brasileiro alcançaram R$ 10,1 bilhões, alta de 17% em relação ao ano anterior, segundo a FEBRABAN. Entre julho de 2024 e junho de 2025, pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública estimou que 24 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes financeiros envolvendo Pix ou boletos, com prejuízo próximo a R$ 29 bilhões. Só no primeiro semestre de 2025, os incidentes com fraudes bancárias cresceram 220% em relação ao período anterior, segundo a BioCatch.

O perfil das fraudes também mudou. Malwares passaram a automatizar transferências, reproduzindo cliques e digitação para se camuflar como atividade legítima. Deepfakes de áudio e vídeo foram usados em golpes de “falsa central de atendimento”, que dobraram em 2025. A pesquisa da Silverguard mostrou que 65% dos valores roubados foram parar em contas de pessoas jurídicas — dado que sinaliza, nas palavras da empresa, a “profissionalização do crime digital” mediante estruturas empresariais para evitar rastreamento.

O Reporte Pulso confirma que a fraude já figura entre os principais obstáculos internos para a expansão dos pagamentos digitais na América Latina. Segurança e combate a fraudes são agora a principal prioridade de investimento da região: 40,7% dos líderes entrevistados planejam alocar recursos em prevenção a fraudes nos próximos dois anos.

Confiança: o ativo que a tecnologia não substitui sozinha

Mesmo com alta adoção, a confiança do consumidor é um ativo frágil. Pesquisa da Opinion Box de 2025 mostrou que 62% dos brasileiros já relataram ter enfrentado problemas com fraude via Pix — índice bem acima dos 36% registrados para o cartão de crédito. Entre os usuários que desistem de compras online, 58% o fazem no momento do pagamento, segundo levantamento da Visa Conecta publicado em fevereiro de 2026.

No âmbito institucional, o Reporte Pulso aponta o medo de fraude e a baixa alfabetização digital como barreiras-chave à adoção pelos consumidores. Bancos tradicionais lideram iniciativas de educação digital, vistas como parte da estratégia de segurança. A autenticação biométrica emerge como resposta técnica com boa aceitação: 82% dos brasileiros consideram a biometria facial uma forma segura de proteger transações, e 79% dizem o mesmo da leitura de digital, segundo pesquisa sobre comportamento do consumidor financeiro digital.

O avanço dos pagamentos digitais ampliou a inclusão financeira, mas também expandiu a complexidade do risco operacional e regulatório. A mensagem dos líderes do setor é clara: eficiência e escala precisam caminhar junto com confiança e resiliência.

Jorge Iglesias, CEO da Topaz

O dado sintetiza um movimento que as instituições mais maduras já internalizaram: confiança não é consequência automática da tecnologia. É construída por arquitetura de risco, transparência e resposta rápida a incidentes. Os investimentos confirmam essa lógica — o Reporte Pulso aponta que os três principais focos de alocação das instituições financeiras latino-americanas são sistemas avançados de prevenção a fraudes (47,1%), autenticação biométrica (46,7%) e validação digital de clientes (39,5%).

Regulação como diferencial competitivo

Um dos movimentos mais relevantes da regulação brasileira recente foi transformar a resposta à fraude em responsabilidade coletiva. A Resolução Conjunta nº 6 do Banco Central exige que as instituições financeiras compartilhem indícios de ocorrências ou tentativas de fraude em até 24 horas — reduzindo a assimetria de informação que, historicamente, favorecia os criminosos. A declaração de conformidade mensal cria um ciclo contínuo de monitoramento.

O efeito prático é relevante: instituições que antes operavam com dados isolados passaram a ter acesso a um ecossistema de inteligência compartilhada. Para plataformas com visibilidade sobre grandes volumes de transações — como a Topaz, que atende quatro dos cinco maiores bancos do Brasil —, isso representa uma vantagem estrutural na detecção precoce de padrões fraudulentos.

No campo do Open Finance, a versão 7.0 do manual do BC caminha na mesma direção: menos fricção para o usuário legítimo, maior padronização para as instituições e, consequentemente, melhor rastreabilidade das operações. A médio prazo, casos de uso de maior valor — como portabilidade automatizada de crédito — dependem exatamente desse grau de padronização em andamento.

O Drex, por sua vez, foi redesenhado com uma lógica mais conservadora que aumentou as chances de sucesso na implementação: casos de uso definidos antes da escolha tecnológica, foco em operações entre instituições na fase inicial e expansão gradual ao público geral. O caminho é mais longo, mas mais sólido.

O que vem a seguir

O Reporte Pulso aponta que 66,8% dos líderes financeiros da América Latina já enxergam os pagamentos instantâneos como porta de entrada para novos modelos de negócio — não apenas como meio de transferência. Essa percepção define o próximo capítulo da disputa competitiva.

Para as instituições financeiras, as oportunidades estão na camada de orquestração: crédito com portabilidade automatizada via Open Finance, tokenização de ativos via Drex, pagamentos programáveis e soluções de wallet white label integradas a ecossistemas de varejo e delivery. Quem domina a infraestrutura que conecta esses trilhos deixa de vender produto e passa a vender posição no ecossistema.

Para o varejo, a questão é equivalente: a decisão já não é sobre aceitar ou não o Pix, mas sobre como combinar meios de pagamento, dados de comportamento e ferramentas de crédito para reduzir abandono, aumentar conversão e criar vínculos mais duradouros com o cliente.

Em ambos os casos, o crescimento sustentável passa pela capacidade de construir e manter confiança em cada ponto de contato. Em um ecossistema em que regulação, tecnologia e comportamento do consumidor evoluem em paralelo, avançar com segurança exige mais do que inovação: exige visão integrada, inteligência operacional e decisões orientadas por dados. Para entender como líderes do setor estão enfrentando esse cenário e onde estão as principais oportunidades para os próximos anos, acesse a 7ª edição do Reporte Pulso e confira a análise completa.

Acesse o relatório completo aqui.

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Topaz
A Topaz é uma referência tecnológica especializada em produtos financeiros digitais, destacando-se como principal líder no mercado brasileiro e latino-americano. Com presença estratégica em mais de 25 países, atendemos 300+ clientes e, consequentemente, impactamos diretamente mais de 550 milhões de usuários finais.

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