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Ainda não medimos o suficiente o gap feminino na liderança. Isso é um problema, porque uma transformação cultural raramente acontece apenas por intenção ou discurso; ela depende de muito mais informação para se tornar ação prática
O debate sobre liderança feminina cresceu nos últimos anos, mas ainda sabemos pouco sobre quem são, como chegaram ao topo e quais barreiras enfrentam as mulheres que ocupam posições de CEO no Brasil. Existe uma percepção difundida de que elas têm trajetórias mais difíceis e menos acesso às oportunidades de liderança, mas a percepção, sozinha, na prática não tem qualquer impacto. É justamente por isso que pesquisar este tema é tão importante; são as pesquisas que fazem o debate sair do campo da percepção e entrar no campo dos dados.
Quando decidimos desenvolver o estudo “Women at the Top 2026”, o objetivo era justamente aprofundar um assunto que ainda costuma ser tratado de forma superficial no ambiente corporativo. A análise de mais de 2 mil empresas, somada às entrevistas realizadas com mulheres CEOs de diferentes setores, permitiu transformar experiências individuais em um retrato mais amplo sobre a presença das mulheres no topo da carreira executiva no Brasil.
Estudos anteriores do Evermonte Institute, como o “Report de Remuneração Diretoria Executiva 2026”, já registravam uma participação feminina de 14,45% nas posições de C-level no Brasil. O “Women at the Top 2026” aprofunda esse diagnóstico ao analisar especificamente as cadeiras de CEO, revelando um cenário ainda mais desigual: apenas 5,2% dessas posições no país são ocupadas por mulheres.
Quando percebemos padrões relacionados à formação acadêmica, áreas de origem profissional e trajetórias de carreira, começamos a entender que as dificuldades enfrentadas pelas mulheres não são casos isolados, mas movimentos estruturais que, com frequência, se repetem em diferentes contextos corporativos. Os números ajudam a revelar aquilo que muitas vezes permanece invisível dentro das organizações.
Outro ponto importante é que pesquisas como essa também ampliam repertório e criam referências mais concretas sobre a liderança feminina. Durante muito tempo, o mercado falou sobre o tema de maneira genérica e quase sempre baseado em exceções. Quando ouvimos mulheres que lideram grandes empresas e conectamos essas experiências aos dados coletados, conseguimos compreender nuances que dificilmente apareceriam em análises superficiais. Isso contribui para tornar a discussão mais objetiva e mais próxima da realidade.
Mais do que produzir estatísticas, pesquisas têm a capacidade de gerar consciência sobre temas que ainda não têm profundidade dentro das empresas. E isso é extremamente importante, porque a transformação cultural não acontece apenas por intenção ou discurso. Ela também depende de informação qualificada, disposição para encarar os dados e capacidade de transformar conhecimento em ação prática. Quanto mais conseguirmos medir, discutir e dar visibilidade a essas trajetórias, maior será a chance de construir ambientes corporativos mais equilibrados e preparados para reconhecer diferentes formas de liderança.
*A imagem deste artigo, criada pelo ChatGPT, é uma homenagem à obra cubista de Pablo Picasso.
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