Pesquisa inédita da MIT SMR Brasil mapeia os desafios e as oportunidades do setor para acelerar sua transformação digital e tornar-se future-ready
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Pesquisa inédita da MIT SMR Brasil mapeia os desafios e as oportunidades do setor para acelerar sua transformação digital e tornar-se future-ready
O cooperativismo de crédito brasileiro vem ocupando um espaço cada vez mais relevante no Sistema Financeiro Nacional (SFN), impulsionado por uma rede capilarizada, gestão participativa dos cooperados e forte presença nas comunidades. De acordo com o último relatório Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, do Banco Central, o segmento cresce de forma consistente e amplia sua participação em componentes como ativos totais, carteira de crédito e depósitos, reafirmando o compromisso com o desenvolvimento regional e o acesso democrático ao crédito.
A rede de atendimento das cooperativas de crédito continua em expansão, enquanto os bancos reduzem sua presença física. Em 2023, o número de municípios com agências de cooperativas superou o de municípios atendidos por bancos, o que reforça o papel do segmento como instrumento de inclusão financeira, especialmente no interior do país. Ao mesmo tempo, a base de cooperados aumentou, assim como o percentual da população associada a cooperativas.
Por outro lado, o relatório ressalta que os cooperados ainda contratam volume relevante em outras instituições financeiras, o que revela um grande potencial de crescimento para as cooperativas na própria base de associados. E também uma oportunidade “para ampliar sua participação no SFN, contribuindo para promover a concorrência, a eficiência e a cidadania financeira”.
Apesar dos bons ventos e perspectivas favoráveis, os indicadores de sucesso que trouxeram o cooperativismo de crédito até aqui não necessariamente são garantia de sucesso para o futuro. A ascensão das fintechs, o crescimento dos bancos digitais e a digitalização acelerada dos bancos tradicionais exigem das cooperativas mais do que boas práticas já consolidadas para impulsionar seu potencial competitivo e resultados no mercado financeiro.
No futuro, a competitividade entre cooperativas e bancos será ainda mais acirrada. O fator preço ganhará mais peso, e justificar valores maiores com o argumento de que o cooperado também é dono do negócio não será suficiente. Se não evoluirmos em tecnologia e ferramentas — como outros vêm fazendo —, perderemos em eficiência. E eficiência é fundamental para manter a competitividade. Luis Henrique Flores, do Sicredi Ouro Verde MT (MT)
Nesse contexto, preparar-se para o futuro deixa de ser uma aspiração e torna-se uma necessidade estratégica. O conceito de organizações future-ready – com prontidão para o futuro –, desenvolvido pelo MIT Center for Information Systems Research (MIT CISR), oferece uma lente poderosa para compreender esse desafio.
Ser uma organização future-ready significa estar preparada para inovar continuamente, atender às expectativas dos clientes e, ao mesmo tempo, operar com alta eficiência. O conceito está baseado em mais de uma década de estudos do MIT CISR sobre transformação digital em empresas ao redor do mundo.
Mas a verdade é que ninguém vira future-ready e pronto. Ter prontidão para o futuro é um alvo móvel, em constante evolução e que vai muito além de investir em tecnologia. Implica, por exemplo, repensar a gestão, revisitar a operação e a jornada do cliente e, em alguns casos, até transformar o próprio modelo de negócio.
Trazendo e adaptando o conceito de future-ready para o universo do cooperativismo de crédito, uma cooperativa de crédito pode ser considerada future-ready quando for capaz de equilibrar um alto desempenho operacional com excelência na experiência do cooperado, ao mesmo tempo em que constrói capacidades digitais estratégicas que a tornam ágil, resiliente e preparada para mudanças.
Na prática, não se trata apenas de se digitalizar. Mas estar preparada para evoluir continuamente acompanhando tecnologias emergentes (como IA generativa), modelos de negócio inovadores, métodos mais eficientes e mudanças nas expectativas dos cooperados. E tudo isso sem abrir mão dos princípios do cooperativismo — que, além de serem os estruturantes do modelo de negócio, podem ser precisamente os alicerces da inovação com propósito.
“A essência cooperativa é uma, o mundo digital é outro. Mas é possível juntar os dois. O desafio é manter nossos valores sem parecer uma fintech. Tecnologia a gente compra — cultura, a gente constrói. Temos que manter nossa alma, mas com um corpo novo. Essa mudança é urgente, mas a velocidade interna ainda é lenta. Não se trata apenas de tecnologia: é modelo de negócio, é mentalidade, é cultura.” Luiz Ajita, do Sicoob Metropolitano
Nesta pesquisa — “A competitividade das cooperativas de crédito na era digital” —, desenvolvida pela MIT Sloan Management Review Brasil, partimos da hipótese de que a transformação digital orientada para a busca de eficiência e centrada no cooperado é o diferencial estratégico para que elas prosperem agora e no futuro.
No entanto, alcançar esse estágio não é trivial. Requer uma gestão consciente dos movimentos estratégicos de reinvenção — processos muitas vezes desafiadores no curto prazo, mas indispensáveis para liberar espaço, abrir caminhos e viabilizar transformações sustentáveis ao longo do tempo.
Diante desse cenário, esta pesquisa convida o setor a um exercício de imaginação estratégica. Por meio de evidências, entrevistas em profundidade e referências teóricas, ela oferece subsídios para que cada cooperativa reflita sobre sua trajetória e seus próximos passos rumo à transformação digital, inovação no modelo organizacional e construção de um mindset preparado para o futuro.
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