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Evento InfoQ Dev Summit, realizado recentemente na Alemanha, revela as cinco principais expectativas europeias para a inteligência artificial nos próximos anos
O InfoQ Dev Summit 2025, realizado em Munique, na Alemanha, confirmou a impressão generalizada de que o avanço da inteligência artificial passa por um momento diferente e entra em uma nova fase – mais integrada e, acima de tudo, mais humanizada. Tendo acompanhado de perto as principais discussões do evento, eu montei uma lista de cinco tendências que devem nortear o desenvolvimento e a implementação da IA nos próximos anos aos olhos europeus.
Antes de tudo, é preciso dizer que a conferência de Munique reforçou um ponto essencial: o sucesso da IA nas empresas não depende apenas da tecnologia, mas da forma como times e líderes integram estratégia, cultura e propósito aos projetos. O “quem irá resolver“’” importa tanto quanto o ‘como iremos resolver. É o fator humano que define se uma iniciativa de IA vai realmente gerar valor. Isso está em linha com estudos do MIT que apontam o elemento humano como uma das principais causas de sucesso ou fracasso em projetos do tipo.
A soberania digital, em especial da nuvem, tem sido um tópico de destaque, especialmente entre empresas europeias. Com tensões geopolíticas e disputas comerciais, cresce o movimento da União Europeia de manter dados sob jurisdições locais – uma forma de reduzir a dependência de provedores estrangeiros, que geram prejuízos ao redor do mundo quando sofrem alguma instabilidade inesperada, a exemplo do apagão da AWS que vivemos em outubro de 2025. O Brasil pode aprender com esse modelo. Temos um ecossistema tecnológico maduro, relações diplomáticas estáveis e espaço para fortalecer nossa infraestrutura nacional de nuvem. Isso pode ser um diferencial estratégico nos próximos ano.
Segundo Tejas Kumar, developer advocate da IBM, o uso e a descoberta de novas maneiras de usar o Model Context Protocol (MCP) será um divisor de águas já em 2026. A tecnologia permitirá que agentes de IA troquem informações de maneira dinâmica e segura, criando sistemas realmente contextuais, expandindo as capacidades de softwares que utilizam Large Language Model (LLMs). Hoje, as ferramentas ainda operam em blocos isolados. O MCP deve permitir que a IA entenda o ambiente em que atua e colabore com outras plataformas. Para os negócios, o impacto é direto: processos mais autônomos, decisões mais rápidas e um salto na eficiência operacional.
As discussões sobre governança e regulação também foram pauta e apontam que esse é um debate cada vez mais necessário em todo o mundo. Na minha visão, criar regras claras de uso não limita a inovação, pelo contrário, pode criar um terreno fértil para o desenvolvimento responsável. Ainda não há consenso sobre o uso de obras registradas ou dados sensíveis no treinamento de modelos, mas uma regulação bem desenhada pode justamente ajudar a resolver isso. Assim como o sistema financeiro precisou evoluir para proteger dados pessoais, a IA deve trilhar caminho semelhante.
Outro insight importante veio da palestra Building a CTO Office, que mostrou como as empresas estão redesenhando a governança da área técnica. A tendência é cada vez mais tratar o “escritório-chefe de tecnologia” como uma rede que integra arquitetura, compliance e estratégia. Isso exige profissionais com perfil híbrido, capazes de entender tanto a linguagem do código quanto a do negócio. Não se busca mais apenas o especialista técnico, mas quem consegue traduzir tecnologia em resultado.
Entre tantas discussões, uma mensagem-chave ressoou: o sucesso da IA continua dependendo das pessoas. Sem profissionais preparados para entender o problema, nenhuma tecnologia entrega valor real. Para mim, esse é justamente o diferencial do talento brasileiro: profissionais tecnicamente sólidos, mas também capazes de navegar em ambientes complexos e regulados, como os setores financeiro e fiscal.
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