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IA em escala
Edições

Review 48

IA em escala

Crie estruturas diferentes para inovar, criar valor e gerenciar riscos

Editorial

Adriana Salles Gomes

A caverna, o sol e o backbone de IA

“Dentro da caverna, confundimos sombras com realidade. Projeções geradas por IA são confundidas com compreensão. O que falta é a capacidade de nos virarmos para enxergar a estrutura que gera as projeções – e a capacidade de sairmos da caverna para a luz do sol, e originarmos novos padrões.”

Começo meu editorial copiando o parágrafo acima do artigo que Otto Scharmer escreve nesta edição, artigo esse sobre o ponto cego de liderar em tempos de IA. E o faço por três razões:

• A primeira é que (como os leitores de MIT SMR sabem no fundo) Otto está certo:  a IA produz sombras cada vez mais convincentes – profundidade, empatia, até sabedoria – mas elas são só simulações a partir de padrões desprovidos de uma condição interior.  

• A segunda é que as três inteligências da era da IA descritas por Otto foram descritas em um artigo nacional que publicamos em julho de 2023, assinado por Silvio Meira, André Neves, Rui Belfort, Filipe Calegario e Vinícius Garcia. Pensamento brasileiro na primeira linha da gestão global. (As inteligências são a dos LLMs/artificial, a orgânica/individual e a de fonte/social.)

• E a terceira é que lembrar o tempo todo desse ponto cego (e trazê-lo à luz) deve ser a premissa, a nosso ver, para os executivos aproveitarem as orientações riquíssimas desta Review sobre “criar valor em escala com a IA”, que é tudo que todos querem neste momento. Sem essa premissa, escalar pode não ser uma boa ideia.

Fora isso, preciso dizer a presente edição me enche de orgulho. Será uma das mais úteis que já vi, considerando que todas sempre têm lições úteis e comparando com outras revistas de gestão, não só a nossa. A utilidade por centímetro quadrado está absurda, uma vez que traz um pouco de ordem para o caos da transição que vivemos com IA nos negócios. Duvidam? [risos]

O artigo #1 que vocês encontram aqui descreve em detalhe como conectar e amplificar os esforços de inteligência artificial em toda a empresa por meio do que os autores chamam de “backbone de IA”. Isso vale para organizações grandes, médias e pequenas. É para ser estudado até nas vírgulas, a meu ver.

O artigo #2 aborda uma governança para a IA que lhe permita escalar e essa é uma governança distinta, porque adaptativa. Os leitores verão o uso do conceito de alinhamento “ex post” (a expressão vem do latim e significa “após o fato”), que é algo com que estamos menos acostumados. Outro estudo que vale até virar madrugada para implementar.

O artigo #3 focaliza a área financeira e o CFO, mas é um microcosmo que serve ao entendimento de todas as outras áreas, como eu o entendo. (De qualquer modo, CFO não pode deixar de ler.) Nele a gente entende o papel da liderança no fracasso e no sucesso da IA em criar valor. A pesquisa que embasa o artigo observou que muitas equipes perdem fôlego à medida que o uso da IA se expande. E a maneira como as pessoas dessas equipes são incentivadas, apoiadas e ouvidas de fato é que restabelece esse fôlego. Mais do que o design organizacional. (Ah, os autores ainda dão alguns puxões de orelha nos líderes e suas formas literais de interpretar diagnósticos de maturidade digital ou de prontidão para a IA.)

O artigo #4 desta Review traz um case de métricas de sucesso de IA em uma faculdade americana da Filadélfia, Estados Unidos. Eu achei MUITO interessante – e acho que vocês também acharão. Nesse caso, não darei nenhum spoiler [risos].

O artigo #5, por fim, é o do grande Otto Scharmer, do qual já falei.

É isso. Agora é só sair da caverna e deixar o sol brilhar. Ao menos quando se trata de IA nas empresas.

Boa leitura, bom estudo, boa reorganização!

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