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Entre o foresight estratégico e o gerenciamento de crises
Edições

Review #47

Entre o foresight estratégico e o gerenciamento de crises

Habilidades, framework e tecnologia para os líderes navegarem o contexto atual com mais facilidade.

Editorial

Adriana Salles Gomes

Ou os mata-matas da gestão atual

Como estamos em plena Copa do Mundo de Futebol, não resisto e uso, como título deste editorial, uma expressão do mundo da bola no pé. Mata-mata remete aos jogos nos quais o time que perde tem de ir embora para casa, o que acontece com uma elevada dose de drama. Aqui vou tomar a liberdade de dizer que os desafios atuais estão querendo jogar vários mata-matas com os gestores corporativos (talvez não com as empresas em si, mas com seus tomadores de decisões). E acho que poucos discordarão da afirmação. Então, esta edição de MIT Sloan Management Review Brasil traz autores craques para reforçar ataque, defesa (incluindo o gol) e meio de campo da gestão, e espera contribuir para vitórias (se possível, sem ninguém precisar bater pênalti):

No ataque. Existem duas maneiras de atacar melhor: com foresight estratégico e com adaptação ao contexto geopolítico. No caso do foresight, trazemos um artigo de Cynthia Selin que ensina a usar cinco lentes de certeza para compreender o que não vai mudar no mar de incógnitas em que navegamos, e isso que fortalece bem a tomada de decisão. Já a adaptação tem a ver com fazer com que construir modelos de operação, supply chains e arquiteturas governança que equilibrem atuação global e descentralização, como propõem Caterina Moschieri, Davide Ravasi e Quy Huy. Para isso, o artigo elenca desde as estruturas polinacionais e a ascensão da diplomacia corporativa até decisões de realocar operações e de abandonar países.

No meio de campo. Muitas vezes, é aqui que mais nos ressentimos da falta de craques, seja no futebol, seja nos negócios. Concorda? Pois temos duas convocações importantes para essas posições. A primeira delas é de David Feffer, presidente do conselho da Suzano, uma das nossas multinacionais com mais presença global, que convoca os pares a entender melhor a revolução industrial generativa atual, que vai mundo além da corrida pela inteligência artificial em si. Se não agirmos, podemos perder em goleadas históricas. A segunda posição meio-campista tem um viés defensivo fundamental: são as capacidades de gestão de crises, mais especificamente as capacidades de executar sete práticas organizacionais (os sete Cs, como as denominam Rick Aalbers, Killian McCarthy e Arjan Groen). Não vou deixar ninguém adivinhando: entram no gramado contingência, coordenação interfuncional, comunicação transparente, compaixão, confronto de verdades difíceis, controle e continuidade.

Na defesa 1. Bem, começo pelo goleiro, sugerindo o artigo de Katherine W. Isaacs e Richard C. Schwartz, que traz a metodologia IFS, de sistemas familiares, desenvolvida por Schwartz. Você, líder, vai aprender um processo de fases quando estiver naquelas situações-limite e “acessar a energia do self – uma presença calma, lúcida e equilibrada que lhe permitirá compreender o sistema como um todo e mobilizar os recursos necessários”. Admito: como o texto se baseia muito em Carl Jung, cujas ideias admiro demais, gostei dele de saída.

Na defesa 2. O que oferecemos no papel de zagueiro nesta Review é a pesquisa de mercado reiventada pela IA – mais eficiente, mais eficaz, mais rápida, que tem como resultado provável mais e melhores clientes atraídos e retidos. E não estamos falando só dos insights vindos de gêmeos digitais; o fato de o qualitativo ganhar escala faz muita diferença. É o tema do artigo assinado por Neeraj Arora, Ishita Chakraborty e Yohei Nishimura, que também alerta para os cuidados que precisam ser tomados.

Gostou da escalação de reforço para os seus mata-matas? Conte com a nossa torcida.

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