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A extinção das organizações não digitais

Bem-vindos à era em que empresas que não se adaptarem radicalmente ao modelo digital serão eliminadas do competitivo e acelerado mercado pós-pandemia

Colunista Paulo Castello

Paulo Castello

20 de Abril

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Artigo A extinção das organizações não digitais

Os impactos e transformações provocados pela pandemia vão muito além das mudanças nas relações, nos formatos de trabalho e no impulso das inovações nas organizações. Nessa década, as grandes corporações vão precisar reinventar suas empresas, cultura e modelos de negócio e dinâmica de trabalho, ou, não serão mais competitivas.

O ano de 2020 forçou todos a irem para o digital, até a minha avó passou a usar app de banco. Também forçou a maioria das empresas a adotarem uma dinâmica de gestão online. Porém, a transformação digital não tem absolutamente nada a ver com tecnologia, tem a ver com a mentalidade do C-Level – ou seja, o exemplo vem de cima.

O mundo corporativo foi empurrado pela pandemia a evoluir para o digital. Entretanto, muitas organizações não estavam digitalizadas e acabaram ficando num limbo que elas começaram a chamar carinhosamente de híbrido. Foram para um mundo virtual e tentaram, ou pior, ainda tentam simular o ambiente de trabalho físico.

Pesquisa feita pela Accenture mostrou que, 62% das principais corporações globais já utilizavam alguma ferramenta digital para monitorar o desempenho dos funcionários, e de acordo com levantamento realizado pela Fundação Instituto de Administração (FIA), cerca de 46% das empresas adotaram o trabalho remoto, sendo que 67% disseram ter tido problemas de adaptação ao modelo, na comunicação e comportamento dos funcionários em ambientes virtuais.

Apego ao antigo modelo

Muitas empresas não abraçaram a nova realidade digital e ainda estão com planos de desenho de uma organização analógica. Estão perdendo tempo, montando planos de retorno dos funcionários, chamando de ambiente híbrido (fica dois dias em casa, três dias no escritório).

A triste verdade é que, essas empresas sabem que é muito difícil se digitalizar, pois muito investimento foi feito e ainda está sendo concretizado num desenho organizacional pré-covid-19. Desse modo, essas empresas irão demandar um reinvestimento gigantesco e, o pior, terão que se reinventar como profissionais para liderar uma transformação radical da organização.

Então, por ser muito dolorido, estão gastando energia num projeto perdido ou falido. E quanto mais tempo as empresas gastarem nesse projeto, mais distantes vão ficar das organizações 100% digitais. Todas as startups que disputarão nos próximos anos o mesmo mercado em que você atua, já estão nascendo 100% digitais. E isso que é interessante, a competição será num campo de batalha onde quem domina o digital terá a maior vantagem, sem dúvida.

Aceleração

Devido à pandemia, burocracias, leis e protocolos foram relacionados, de maneira impositiva, à velocidade da transmissão do vírus. E isso abriu as portas para colocar as transformações dessa década numa velocidade sobrenatural. Em outras palavras, apertem os cintos, pois estamos entrando em velocidade supersônica.

A medicina vai dar um salto de décadas nos próximos meses e anos, assim como outras áreas e setores. No pré-covid-19, um vendedor fazia duas visitas ou reuniões a clientes em um dia. No pós-covid-19, o mesmo vendedor faz cinco a seis reuniões com clientes em um dia.

Na era pré-pandemia, um contrato trafegava via e-mail, era impresso, precisava uma ou mais pessoas para coordenar e disponibilizar em uma determinada hora do dia, sincronizados com a logística do motoboy para circular o documento entre as partes para que as assinaturas fossem coletadas.

Na maioria das vezes, o documento passava ainda por um cartório para a autenticação das assinaturas. Naquele contexto, em média, levava cinco dias para as vias estarem assinadas, autenticadas e distribuídas cada via com sua devida entidade.

No pós-pandemia, e antes mesmo disso, o contrato é assinado em minutos digitalmente, de qualquer lugar, via plataforma na nuvem acessada por computador ou celular.

Experimentar para validar

Experiência do cliente é o nome do jogo atual. Muitos acham que essa experiência é fazer um aplicativo para celular, implantar um chatbot ou colocar sua loja na web. E a experiência do cliente é um jogo de touch points, ou seja, quanto mais passos o cliente tiver que dar, quanto mais tempo tiver que esperar, sua empresa será penalizada.

O jogo da experiência do cliente poderia ser relacionado ao futebol americano, onde você tem um time de ataque e um time de defesa (suporte, apoio e back office).

Em programação chamamos de frontend (interface com usuário) e backend (processamento, cálculos, regras de negócio, etc.). Não adianta você fazer um app em que o cliente abre uma conta no celular, mas leva horas ou dias para receber uma informação.

Todas as empresas, no mundo inteiro, estão tentando replicar o modelo de startup, “falhe rápido e aprenda rápido”. E para isso, precisa começar a trabalhar baseado em dados. Com elaboração de hipóteses, testes, análises dos dados e validação (ou nova hipótese).

PROCESSO DE EXTINÇÃO

A visão que tenho sobre o futuro da transformação digital nas corporações é que, nesse novo mundo supersônico que, diga-se de passagem, já estamos experimentando, o cenário de transformações é extremamente rápido devido aos inúmeros processos de digitalização. Como contexto, acrescento ainda que as decisões estão sendo tomadas por algoritmos em milissegundos.

Para não perder o enredo, digam adeus ao velho e arcaico e sejam muito bem-vindos à era de extinção das organizações não digitais.

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Autoria

Colunista Paulo Castello

Paulo Castello

é fundador e CEO da Fhinck, startup de alta tecnologia que ajuda grandes empresas a terem maior desempenho operacional, eficiência, produtividade e qualidade de vida, a partir da geração de dados inteligentes. É membro do Cubo Itaú, maior centro de empreendedorismo tecnológico da América Latina.

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