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O que a regulamentação de stablecoins significa para os negócios

Em julho, o “Genius Act” abriu uma nova fronteira no sistema financeiro mundial e representa novas escolhas estratégicas, tanto para os líderes empresariais como para os reguladores do Brasil e de outros países

Christian Catalini
18 de dezembro de 2025
20 min de leitura
O que a regulamentação de stablecoins significa para os negócios

Durante grande parte do século 20, falar por telefone entre estados era um bem de luxo — uma conversa cobrada por minuto, tudo controlado pelo Sistema Bell em seu domínio privado. Décadas depois, a política reprogramou a economia da infraestrutura de comunicações. A dissolução da AT&T em 1984, seguida pelo Telecommunications Act de 1996, desencadeou uma onda de concorrência. Os preços despencaram. A cobrança contínua de chamadas desapareceu. Era um roteiro que o WhatsApp seguiria anos depois, explorando o alto custo dos SMS para tomar as mensagens das operadoras móveis.

Hoje, o mundo dos pagamentos parece desconfortavelmente familiar. Um punhado de instituições, como emissores de cartões de crédito e bancos, administram os pagamentos diários, cobrando um pedágio a cada deslize, toque ou transação. O que equivale a um imposto privado sobre a economia tem um esquema de marketing brilhante: os consumidores, com os custos sendo financiados pelo comércio, acreditam que estão recebendo um serviço gratuito, enquanto taxas invisíveis moldam os modelos de negócio — no valor de US$ 187 bilhões em taxas para comerciantes em 2024. A aprovação da Lei Guiding and Establishing National Innovation for U.S. Stablecoins (Genius) apresenta aos líderes novas opções que podem derrubar esse sistema.

O que são stablecoins e por que são diferentes?

Uma stablecoin é um token digital projetado para ser uma nota de dólar verdadeira para a internet. A Lei Genius, promulgada nos Estados Unidos em julho de 2025, determina que, para se qualificarem como stablecoins, esses tokens devem ser totalmente garantidos por ativos líquidos e de alta qualidade, tornando-os resgatáveis sob demanda 1 a 1 por dólares americanos. Essa garantia é o que os diferencia de um saldo dentro do PayPal ou Cash App, que é apenas uma nota do sistema de pagamento, e de outras criptomoedas, que variam de valor.

O problema histórico com esse conceito sempre foi a confiança: como você sabe que o dinheiro realmente existe? A Lei Genius aborda isso criando regras para composição de reservas, reivindicações legais e auditorias. Essa clareza regulatória dá às empresas a confiança necessária para adotar a tecnologia. Para os inovadores, é um sinal verde para golpear a infraestrutura de 50 anos que determinou como o dinheiro se move.

Comparadas aos pagamentos tradicionais, as stablecoins oferecem três vantagens fundamentais:

1. Eficiência. As stablecoins permitem liquidação instantânea, 24 horas por dia, 7 dias por semana, em qualquer lugar do mundo, reduzindo drasticamente os custos e atrasos associados a pagamentos transfronteiriços e transferências bancárias. Segundo a Visa, stablecoins processaram um volume impressionante de US$9,1 trilhões nos últimos 12 meses, rivalizando com os próprios US$ 13,2 trilhões da Visa. Embora os pagamentos tradicionais sejam uma fração desse valor, com menos de US$ 100 bilhões, a adoção das stablecoins está crescendo rapidamente, com o segmento B2B sozinho crescendo 315% ao ano.

2. Programabilidade. Stablecoins são construídas sobre blockchains programáveis, permitindo a automação dos fluxos de pagamento, como faturamento e gestão de tesouraria corporativa, além da criação de novos serviços financeiros. Isso fica mais evidente no que nas finanças descentralizadas, onde protocolos transformaram stablecoins em um mercado global de empréstimos 24 horas por dia, 7 dias por semana, com mais de US$ 26 bilhões em empréstimos. A programabilidade é crucial para pagamentos agênticos, permitindo que agentes de IA façam compras de forma autônoma usando protocolos nativos de máquina, como o padrão x402, tudo isso enquanto são seguramente limitados por regras e orçamentos. À medida que agentes autônomos cada vez mais transacionam entre si, eles precisarão ser capazes de fazer micropagamentos em tempo real — algo que stablecoins regulamentadas agora podem viabilizar, após anos de tentativas fracassadas.

3. Acessibilidade. Stablecoins operam em redes abertas, o que significa que qualquer pessoa com conexão à internet pode acessar uma “conta bancária em USD” funcional via uma carteira de autocustódia, evitando a necessidade de um intermediário financeiro. Atualmente, esse é o maior uso da stablecoin, com a Tether (USDT) alcançando uma capitalização de mercado superior a US$ 170 bilhões, já que poupadores e empresas em mercados emergentes a utilizam para se proteger contra a desvalorização da moeda.

Trocar o encanamento, não a pintura

Como a empolgação com as ondas anteriores de cripto muitas vezes se mostrou exagerada — e foi afetada por golpes e por maus atores —, é justo perguntar o que torna este momento diferente. A resposta é uma mudança da especulação para a utilidade, impulsionada pela regulação. Por uma década, “fintech” significou principalmente colocar uma interface de usuário bonita no encanamento velho. O front-end UX acelerou enquanto o back-end — ainda rodando com processamentos em lote e modelos desajeitados de banco de patrocinadores — usava pesos nos tornozelos. [O artigo não leva em conta o Pix brasileiro.]

Tornar a infraestrutura mais acessível e programável permite que qualquer pessoa melhore serviços antigos e invente outros totalmente novos. A inovação começa com coisas simples, como pagamentos instantâneos entre países, mas rapidamente se espalha, transformando tudo, desde pagamentos de trabalhadores eventuais até tesouraria corporativa, em que automatizam a gestão global de caixa 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Historicamente, leis que criam mercados tiveram dois efeitos: forçaram a interoperabilidade e ofereceram uma fórmula clara para que novos players inovassem e competissem. O Telecommunications Act não inventou a fibra, mas tornou inevitável a sua implementação. Quando um preço cai próximo a zero, as taxas antigas começam a parecer não só caras, mas absurdas. Basta perguntar para quem já teve que pagar por mensagem de texto.

O que isso significa para as empresas: escolha sua ambição

A Lei Genius faz mais do que esclarecer regras. Ela força uma escolha. As stablecoins devem ser tratadas como uma simples utilidade ou como uma tecnologia fundamental para construir uma plataforma financeira mais forte? O segundo caminho parece ambicioso até você perceber quantas marcas já o seguiram. A linha entre um produto e seu ecossistema financeiro sempre foi tênue, e as empresas mais experientes há muito entenderam que o programa de fidelidade de hoje pode se tornar o banco do amanhã.

As companhias aéreas são o principal exemplo. Elas são, na verdade, dois negócios sob o mesmo teto: uma empresa de logística de baixa margem, intensiva em capital e brutalmente competitiva, que opera aviões; e uma empresa financeira de alta margem e lucrativa que imprime sua própria moeda privada. Esse segundo negócio, o programa de fidelidade, geralmente é o que sustenta o primeiro. As companhias aéreas criam milhas do nada e as vendem aos bilhões para parceiros de cartão de crédito, gerando um fluxo significativo de dinheiro. Esse motor financeiro é tão valioso que os próprios programas de fidelidade foram avaliados em dezenas de bilhões — muitas vezes mais do que toda a companhia aérea — e foram usados para garantir os empréstimos das empresas.

Então, por que qualquer empresa arriscaria tanto tornando sua moeda privada interoperável? A resposta simples é que as empresas não precisam fazer isso: elas podem usar stablecoins para modernizar os pagamentos que fazem — como compras, reembolsos e vouchers — sem alterar a lógica de ciclo fechado do próprio programa de fidelidade. E para aqueles que se sentem mais aventureiros, surge uma estratégia híbrida: eles poderiam começar a abrir suas milhas para o mundo exterior — enquanto ainda controlam a taxa de câmbio — para possuir uma fatia ainda maior das jornadas financeiras de seus clientes.

Marcas como a Starbucks levaram o modelo de recompensas tão longe que ele se tornou praticamente um banco, exceto no nome e nas licenças. Seu aplicativo de fidelidade, que permite que os clientes mantenham um saldo, mantém consistentemente mais de US$ 1,9 bilhão em fundos dos clientes — um empréstimo sem juros que é maior do que os depósitos de muitos bancos segurados pela FDIC. Esse enorme saldo flutuante não é um item contábil peculiar: é um ecossistema financeiro construído sobre cafeína, conveniência no ponto de venda e confiança na marca.

A Target adotou uma abordagem diferente ao atacar o próprio ciclo de vida do pagamento. Seu RedCard é mais do que apenas um cartão-fidelidade — é uma linha privada de pagamento que se conecta diretamente à conta bancária do cliente. Ao rotear transações pela rede ACH de baixo custo, a Target contorna as taxas cobradas pelas redes de cartões. Depois, reinveste essas economias para oferecer um desconto de 5% — uma brilhante peça de engenharia financeira que transforma um centro de custos em uma máquina de construção de fidelidade.

A estratégia é sempre a mesma: monetize seu ativo mais valioso. Para montadoras como a Ford, esse ativo era o cliente no momento de uma grande compra, permitindo que seu braço financeiro se tornasse um centro de lucro mais estável do que suas fábricas. Para a Apple, o ativo é o iPhone no seu bolso, que está lentamente transformando-se em um centro financeiro com Apple Card e Apple Savings. Para a Amazon, é o mercado. Todos mostram que, uma vez que você conquista a confiança do cliente, o próximo passo lógico é se tornar o banco dele.

Não surpreendentemente, muitas dessas marcas agora exploram stablecoins, o que reflete o reconhecimento de que o caminho à frente está dividido em dois caminhos estratégicos.

A jogada da eficiência

Para a maioria dos negócios, pagamentos são um serviço. A oportunidade imediata é usar stablecoins reguladas para ganhos simples de eficiência, transformando o movimento de dinheiro em um serviço mais rápido, mais barato, programável e sempre ativo.

As empresas devem focar em dois fatores ao escolher uma stablecoin: segurança e utilidade. Segurança significa escolher emissores regulados e respeitáveis para gerir riscos. Utilidade significa garantir que a stablecoin não apenas se encaixe no uso específico — como gestão de tesouraria corporativa versus micropagamentos — mas também tenha acesso e saída sem interrupção das ferramentas financeiras que clientes e parceiros realmente usam.

Uma vez confirmadas a segurança e a utilidade, a decisão se resume à alavancagem. Na atual disputa por participação de mercado, emissores de stablecoins como Circle, Bridge e Paxos estão dispostos a trocar os retornos de suas reservas pela adoção pelos usuários. Serviços que podem gerar um alto volume de uso podem exigir uma parcela significativa de receita dos emissores. É uma janela de máxima alavancagem que se fecha assim que os vencedores surgirem.

Essa estratégia trata os provedores de stablecoin como utilidades intercambiáveis, exigindo o melhor desempenho e custo, enquanto simultaneamente projeta uma saída para o dia em que usar o ativo de outra pessoa não for mais a melhor opção da empresa.

A jogada da plataforma estratégica

O caminho mais ambicioso é uma oportunidade para empresas onde finanças são um produto central, não apenas uma utilidade. Essa categoria vai muito além do fintech, abrangendo os mecanismos globais de pagamento da economia dos criadores, como YouTube, Instagram e TikTok; varejistas e plataformas de comércio eletrônico como Shopify, Amazon e Walmart; as enormes e autossuficientes economias de plataformas de jogos como o Roblox; e os intermediários de pagamento confiáveis da gig-economy, como Uber, Remote e Airbnb. Para todas essas empresas, uma stablecoin com marca é uma atualização natural de sua missão principal de movimentar valor.

O fio condutor em todos esses casos é um relacionamento com o cliente construído sobre confiança. Ceder o controle do ativo financeiro central nessa relação ao distribuir a stablecoin de outra pessoa significa correr o risco de se tornar apenas um “funil” — o encanamento comoditizado para o produto de um concorrente.

Embora isso possa ser uma troca aceitável para uma empresa de jogos, é uma ameaça existencial para qualquer instituição financeira regulada cujo negócio inteiro esteja ligado à transação e à custódia de bens. É o ponto de inflexão que a IBM enfrentou com a Microsoft nos anos 1980: controlar o sistema operacional para pagamentos programáveis, ou se tornar hardware comoditizado.

A velocidade do mercado de stablecoins transformou a emissão de uma jogada defensiva em um imperativo ofensivo para todos os investidores financeiros.

A IBM construiu o hardware dominante, mas terceirizou o sistema operacional para a Microsoft, tragicamente não percebendo que o sistema operacional não era um componente, mas a camada fundamental sobre a qual todo o valor futuro seria construído. A IBM controlava a caixa, mas a Microsoft controlava a plataforma. O erro final foi permitir que a Microsoft licenciasse seu sistema operacional para outros fabricantes de PCs — uma decisão que é repetida em tempo real por todas as empresas de serviços financeiros que integram a stablecoin USDC da Circle, ajudando efetivamente um futuro concorrente a construir uma rede global sobre suas costas.

Hoje, as instituições financeiras fornecem o “hardware” confiável do dinheiro: contas, controles, conformidade. Stablecoins programáveis são o novo sistema operacional em relação ao valor. Simplesmente distribuir a stablecoin de um concorrente é repetir o erro da IBM: tornar-se um canal bobo para sua plataforma e ceder o terreno estratégico mais valioso da próxima década.

O perigo é que esse novo sistema operacional pode rodar em qualquer hardware. Embalado em uma carteira de autocustódia, ele pode oferecer uma conta bancária funcional em dólares para qualquer pessoa no planeta, contornando completamente o sistema tradicional. Embora atualmente seja uma história de regulamentação arbitrada, ela segue o clássico manual do Vale do Silício: lançar primeiro, alcançar uma escala imparável e depois negociar a partir de uma posição de poder. Um emissor que realiza isso não se torna apenas um concorrente, mas sim uma primitiva financeira global — um novo tipo de poder que nem mesmo os bancos e fintechs mais rápidos conseguem igualar. A Tether já está fazendo sua jogada, puxando a legitimidade para os Estados Unidos ao fazer parceria com o banco regulado Anchorage Digital e contratar o ex-assessor cripto da Casa Branca, Bo Hines, para liderar essa ação.

A velocidade do mercado de stablecoin transformou a emissão de uma medida defensiva em um imperativo ofensivo para todos os players financeiros, incluindo redes de pagamentos como o Zelle, neobancos como o Revolut e os maiores bancos dos Estados Unidos e da União Europeia. É a única forma dessas empresas controlarem seu ecossistema, adquirirem conhecimento operacional e aprenderem a competir em plataformas abertas, especialmente considerando que o próximo aplicativo agêntico de pagamentos de destaque não será construído sobre terreno antigo.

Essa tecnologia desencadeou um conflito estratégico pelo controle. Na vanguarda está a Stripe, que vem construindo agressivamente um ecossistema verticalmente integrado — controlando as trilhas de pagamento, o ativo e a carteira embutida — para escapar de sua dependência das redes de cartões. Por outro lado, os emissores de stablecoins estão lutando para transformar os blockchains dessas trilhas em commodities, para que o valor flua para seus tokens.

DE AGORA EM DIANTE, A escolha de todos os players parece clara: tornar-se parte do novo sistema operacional do dinheiro ou ceder esse papel fundamental a um concorrente. O que é certo é que os pagamentos estão se tornando uma camada de software. E quando a base de uma indústria se transforma em código, novos gigantes nascem.

A tokenização e o “Brasil do Pix”

E o que a regulamentação das stablecoins no Brasil poderia significar para os nossos negócios? Vamos citar highlights de um artigo que Carlos Netto escreveu a respeito de stablecoins para HSM Management. ”TK’, como é conhecido no mercado, fundou a Matera, empresa brasileira de tecnologia com foco em soluções e produtos financeiros que está atuando também no sistema financeiro americano. Veja os principais:

  • O mundo financeiro viveu transformação sem precedentes nos últimos 30 anos, quando a digitalização dos serviços bancários mudou totalmente a maneira como interagimos com o dinheiro, e o Brasil foi um dos países líderes dessa revolução, primeiro com a inovação Pix, que democratizou pagamentos instantâneos, reduzindo custos e criando eficiência, depois com o open banking. [Entre consumidores e empresas, há uma economia direta de R$ 117 bilhões nos cinco anos desde o lançamento do Pix, segundo levantamento do Movimento Brasil Competitivo.]
  • A nova revolução começa a acontecer: trata-se da tokenização de ativos financeiros e não financeiros. Indo muito além dos meios de pagamento, essa transformação impacta desde os mercados de capitais globais quanto o turismo, criando um sistema financeiro cada vez mais sem fronteiras.
  • Pode haver tokens de ações, imóveis, dívidas e fundos, títulos governamentais, o que nos faz entrar em um mundo efetivamente sem fronteiras. As stablecoins são parte crucial dessa tokenização e, se os EUA foram pioneiros na regulação dessas criptomoedas,  o Brasil também pode ser um dos primeiros a avançar nesse campo – nosso Banco Central se prepara para regular as stablecoins até o fim de 2025 e a Lei das Instituições de Pagamento, com mais de dez anos de vigência, nos dá base legal. 
  • O desafio? Outros reguladores brasileiros têm de complementar o arcabouço legal, permitindo: ofertas públicas de tokens regulamentadas; acesso global a ações tokenizadas de empresas brasileiras, replicando no blockchain o mesmo efeito que hoje existe com ADRs (American Depositary Receipts) negociados nas bolsas dos EUA; captação internacional de recursos para a dívida pública brasileira por meio de títulos tokenizados na forma de stablecoins pareadas com o real.
  • Um benefício da tokenização é a racionalização do software usado pelas instituições financeiras, que assim ganham mais eficiência.
  • Três tipos de aplicações de stablecoins são citadas: 
  1. Turismo internacional. Por meio de cartões pré-pagos conectados ao blockchain, o turismo brasileiro pode ter suas despesas no exterior debitadas automaticamente em stablecoins.
  2. Agronegócio e comércio exterior em geral. A promessa aqui é poder receber em stablecoins e fazê-las ser parte de sua tesouraria, de maneira a poder pagar fornecedores internacionais de modo instantâneo e barato.
  3. Eficiência de pagamentos. Transferências internacionais tradicionais, que podem levar dias e custar dezenas de dólar, passam a ser concluídas em segundos com custo inferior a US$ 0,01. 

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Christian Catalini
Christian Catalini
Christian Catalini é pesquisador no Massachusetts Institute of Technology e fundador do MIT Cryptoeconomics Lab. Ele também é cofundador e diretor de estratégia da Lightspark.

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