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Entenda como a modernização de sistemas legados e a IA agêntica garantem inovação com segurança e confiabilidade.
O setor financeiro viabiliza produtos e serviços através do uso intensivo de tecnologia. É necessária uma arquitetura altamente resiliente, modular e segura para que os serviços estejam sempre disponíveis e, que ao mesmo tempo, seja possível lançar novas funcionalidades de forma rápida e com a experiência esperada. O cliente quer ter a mesma experiência fluida e personalizada que tem quando utiliza serviços como o Uber, Netflix e Spotify.
Modernização da tecnologia é uma atividade contínua. Ao colocar um sistema em produção, ele automaticamente se torna legado e precisa ser atualizado constantemente em relação a segurança, versões de software e infraestrutura e débitos técnicos. Em instituições longevas, é preciso acompanhar a evolução das novas arquiteturas e plataformas e garantir a interoperabilidade de todas. Não existe uma tecnologia certa para tudo, a escolha deve ser feita sempre com base na necessidade do negócio.
O legado representa, na prática, a biografia viva de uma instituição. Nesses sistemas estão codificadas décadas de aprendizado: regras de crédito refinadas ao longo de diferentes ciclos econômicos, mecanismos de segurança desenvolvidos sob forte regulação, modelos de risco testados em sucessivas crises e uma inteligência de negócio que não pode ser recriada do zero.
O custo de manter essa história operacional torna-se cada vez mais alto. Dados da Accenture indicam que bancos globais destinam cerca de 70% de seus orçamentos de tecnologia apenas à manutenção de sistemas legados. Ao mesmo tempo, simplesmente substituir toda a infraestrutura tecnológica não é uma opção realista. O risco operacional é significativo. Uma interrupção de minutos pode afetar milhões de usuários, mercados inteiros e, sobretudo, a confiança no sistema.
Segundo um estudo da fisglobal, 86% dos executivos bancários afirmam que a modernização é crítica para alcançar objetivos estratégicos, mas apenas 18% se sentem completamente preparados para executá-la. O cuidado é com a lacuna entre capacidades atuais e exigências do mercado que vêm aumentando: sistemas legados não podem impedir inovação, resiliência e experiências em tempo real.
Por essa razão, a modernização tecnológica trata-se de um processo progressivo, cuidadosamente orquestrado, no qual a evolução da arquitetura preserva o conhecimento acumulado enquanto transforma a forma como ele é executado.
E é nesse contexto que modernizar sistemas deixou de ser apenas uma agenda tecnológica e se tornou um movimento estratégico para ampliar a capacidade competitiva das instituições. A arquitetura de tecnologia deve viabilizar o uso intensivo de dados e inteligência artificial para operar com decisões em tempo real, ampliar a personalização de serviços e reduzir o tempo de lançamento de novos produtos. Tudo isso preservando, claro, o conhecimento acumulado enquanto se transforma a forma como ele é executado tecnologicamente.
À medida que a modernização avança, muda também a forma de pensar a infraestrutura tecnológica. Modernizar sistemas legados exige a construção de uma arquitetura integrada capaz de sustentar inovação contínua em larga escala. A transformação digital não começa com o produto final, mas sim com a arquitetura que o sustenta.
Essa infraestrutura se apoia em alguns pilares fundamentais:
Esse movimento também exige uma evolução organizacional. Negócio e tecnologia passam a operar de forma mais integrada, com equipes multidisciplinares responsáveis pela evolução contínua de produtos e plataformas. Quando essa integração acontece, reduz-se a distância entre estratégia e execução, traz inovação com velocidade, sem comprometer confiabilidade.
A prioridade do que será modernizado deve sempre levar em consideração o valor para o cliente, tempo de lançamento de novos produtos, aumento da resiliência e segurança, redução do débito técnico e custos. A cada serviço de negócio modernizado, deve-se aproximar da arquitetura alvo. Outro aspecto importante é a racionalização de serviços, descomissionando os serviços que já foram modernizados e diminuindo o tempo de convivência onde há a duplicação de recursos e esforços.
Uma transação financeira se inicia em um canal (mobile, internet banking, agência, ATM, entre outros) que através de mecanismos de distribuição sensibiliza o core de produtos e serviços bancários. A estratégia de modernização “top-down” tem se mostrado eficaz, com a prioridade se iniciando nas camadas mais próximas ao cliente e que trazem mais percepção de valor.
O resultado durante a transformação é um ambiente híbrido: sistemas tradicionais continuam sustentando operações enquanto camadas digitais ampliam flexibilidade, interoperabilidade e velocidade de inovação. O roadmap final será dado pelo valor ao negócio, nem tudo precisa ser em cloud ou mainframe. Segundo pesquisa da EY, 92% das instituições já iniciaram iniciativas de modernização do core, sendo que metade delas adotaram estratégia “hollow core”, evoluindo gradualmente ao redor do legado em vez de substituição total.
A IA tem sido utilizada para acelerar todo o ciclo de desenvolvimento de software e modernização tecnológica. Isso envolve desde a análise de código legado e identificação de dependências até acelerar tarefas como testes e migração de aplicações para novas plataformas. Esse avanço não elimina a complexidade da modernização, mas reduz significativamente o tempo necessário para compreender sistemas antigos e preparar a sua evolução.
Uma das aplicações mais promissoras dessa nova geração de tecnologias é o uso de múltiplos agentes de inteligência artificial, capazes de apoiar diferentes etapas do processo de modernização. Imagine não apenas um assistente, mas “squads” coordenados de agentes especializados, um arquiteto de nuvem, um tradutor de código, um especialista em segurança, trabalhando de forma integrada.
Nos últimos anos, já não falamos apenas de automação, mas de uma transformação estrutural na forma como a tecnologia opera dentro das organizações. O Gartner projeta que a adoção de IA agêntica nas operações de TI crescerá de forma exponencial, saltando de menos de 5% das empresas em 2025 para 70% até 2029. À medida que agentes inteligentes assumem tarefas mais complexas, desde o planejamento até a execução contínua, cresce a necessidade de mecanismos sólidos de orquestração, governança e controle. Sem essa camada de integração, a autonomia deixa de gerar valor e pode ampliar riscos operacionais.
No Bradesco, instituição com 83 anos, 73 milhões de clientes e uso intensivo de tecnologia desde a década de 60, IA tem sido utilizada no desenvolvimento através da BIA Tech. Apoia todo o ciclo, desde a ideação, codificação, testes e operação. Os resultados vêm sendo expressivos com mais de 43% de redução do lead time e 118% de ganho de produtividade desde 2024. Temos também os multiagentes de IA sendo utilizados como “squads virtuais” na modernização, com ganhos de 30% em rearchitecture, replatform e documentação, 65% na engenharia reversa, além de otimizações de recursos computacionais.
Abordagens como essa indicam como atividades tradicionalmente demoradas, como rearquitetura de aplicações ou documentação de sistemas que evoluíram por décadas sem registros completos, podem ganhar escala e velocidade.
A próxima etapa da arquitetura bancária não será definida pela escolha entre sistemas antigos ou novos. O verdadeiro avanço estará na construção de infraestruturas adaptáveis, capazes de evoluir continuamente. Com hiperautomação e inteligência artificial incorporadas à própria operação tecnológica, será possível provisionar recursos, ajustar capacidades e evoluir sistemas com níveis crescentes de autonomia.
Nesse cenário, modernizar o legado deixa de ser apenas um projeto tecnológico. Torna-se um movimento estratégico de reinvenção institucional. O papel da liderança tecnológica é garantir que essa transição preserve o conhecimento acumulado ao longo de décadas, enquanto prepara as instituições para operar com a velocidade e a complexidade do futuro.
Porque, no setor financeiro, tecnologias evoluem, mas confiança permanece sendo o ativo mais valioso da arquitetura.
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