Centro de formação executiva focado em liderança, inovação e curadoria de conteúdos para líderes e gestores do futuro.

Conheça mais

O portal brasileiro da faculdade de gestão do MIT, trazendo conteúdo de qualidade e confiável sobre o tema.

Você está aqui

Acesso a estudos exclusivos e materiais de ensino produzidos pela faculdade de negócios de Harvard.

Versão brasileira do portal referência em negócios na China, endossado pela universidade de negócios Cheung Kong.

Conheça mais
O CNEX faz parte do ecossistema Atitus. Conhecimento, tecnologia e inovação. Conectadas com o mesmo propósito: o seu futuro.

Status de leitura

Faça login para usar este recurso

Crie uma playlist

Faça login para salvar este conteúdo em suas playlists

Não lido

©2026 MIT Sloan Management Review Brasil. Todos os direitos reservados. A reprodução, total ou parcial, é proibida sem a autorização prévia e expressa do CNEX.

Agentes

Por que substituir cargos não resolve o problema de IA nas empresas

O ROI da IA depende do redesenho da empresa, e não apenas da tecnologia. A área responsável pela adoção da tecnologia precisa ser reposicionada

Daniele Botaro
18 de maio de 2026
5 min de leitura
Por que substituir cargos não resolve o problema de IA nas empresas

Existe uma apresentação circulando em salas de diretoria e ela traz o organograma da empresa com metade dos cargos riscados e substituídos por uma única palavra: “agente”. O analista vira um agente. O coordenador vira um agente. O atendente vira um agente. O custo cai, a eficiência sobe e o CFO aplaude. É uma narrativa perfeita e é exatamente por isso que ela é perigosa.

A lógica parece sólida à primeira vista, mas trata cargos como blocos homogêneos de tarefas, quando na verdade cada cargo combina execução, julgamento, relacionamento, priorização, coordenação, memória institucional, gestão de exceções e responsabilidade por consequências. Algumas dessas tarefas são automatizáveis, outras devem ser assistidas por IA e outras precisam permanecer integralmente humanas. E algumas precisam ser redesenhadas antes que qualquer automação faça sentido.

A pergunta certa não é “quais cargos serão substituídos”, mas “quais decisões precisam de intervenções humanas”. A maioria das empresas ainda chama isso de “human in the loop”, mas o verdadeiro desafio é o de desenhar um loop em que a presença humana faça diferença real. 

Nesse contexto, a área responsável pela adoção interna de IA precisa ser reposicionada. Hoje, ela costuma ser tratada como suporte, ou seja, o time que distribui licenças, organiza workshops, promove treinamentos e coleta casos de uso. Isso é pouco demais para o que está em jogo. Essa área deveria atuar como arquiteta de mudança operacional, conectando estratégia, trabalho e comportamento; traduzindo ambição em casos de uso priorizados por valor; e ajudando a empresa a tornar explícito o que sempre dependeu de improviso. É ela que vai acompanhar a organização no desconforto inevitável dessa transição.

E os dados reforçam essa urgência. A McKinsey identificou que práticas de adoção e escala estão diretamente associadas a maior impacto no ebit, incluindo líderes seniores engajados, comunicação interna sobre valor criado, treinamento por função, roadmap claro, KPIs bem definidos e mecanismos de feedback contínuo. Ainda assim, menos de um terço das organizações pesquisadas seguem a maioria dessas práticas, e menos de um em cinco acompanha KPIs das soluções de IA generativa.

A seguir, compartilho com vocês seis princípios para organizações que querem capturar valor real da IA.

1.  Comece pelo valor, não pela ferramenta. A pergunta inicial não deve ser “onde podemos usar IA”, mas “qual métrica de negócio precisa mudar”. Receita por colaborador, custo por atendimento, tempo de ciclo, conversão, churn, margem, qualidade, risco, NPS, produtividade de engenharia.

2.  Documente antes de criar agentes. Para criar agentes, você precisa transformar o conhecimento implícito (o que as pessoas sabem de cabeça) em conhecimento explícito (dados estruturados).

3.  Redesenhe workflows, não organogramas. A McKinsey aponta que o redesenho de workflows é o atributo com maior efeito na capacidade da organização de observar impacto de EBIT com IA generativa. 

4.  Desenhe a intervenção humana com precisão, definindo quem decide, em qual nível de senioridade, diante de quais gatilhos, com quais limites de automação e com qual loop de correção. 

5.  Trate capacitação como estratégia de força de trabalho, não como treinamento pontual. Quase metade dos funcionários pesquisados pela McKinsey quer mais treinamento formal em IA generativa, e 48% veem treinamento como a principal iniciativa para aumentar o uso diário. Integração aos workflows, acesso a ferramentas e incentivos alinhados aparecem como alavancas igualmente relevantes.

6.  Construa um dashboard de ROI que considere 3 camadas: Adoção (uso ativo por função, frequência, qualidade dos casos de uso e fluência dos times); Performance (tempo de ciclo, retrabalho, qualidade, velocidade e satisfação); e Impacto financeiro (receita incremental, redução de custo, margem, capital liberado ou risco mitigado). Sem essas três camadas, qualquer afirmação sobre ROI de IA é narrativa.

Em síntese, a próxima fase da IA não será vencida por quem riscar mais cargos, comprar mais licenças ou anunciar mais agentes autônomos. Será vencida por quem entender que agentes precisam de estrutura para funcionar, de humanos certos para supervisionar e de métricas reais para provar valor. O ROI da IA não está esperando uma nova versão do modelo, mas sim uma nova versão da empresa.

Você leu o post? Então faça login e tenha acesso ao recurso de “Marcar como lido”.

Daniele Botaro
AI Culture & Workforce Readiness Strategist da Oracle para a América Latina, Daniele também é embaixadora da Gaia+ e foi empreendedora e sócia-diretora, da Impulso Beta, consultoria especializada em programas de diversidade.

Deixe um comentário

Ouvir
Bookmark (0)
Please login to bookmark Close
Exportar
Share
Conteúdo da editoria Estratégia e inovação

Para você Faça login para ver sugestões personalizadas

Você atualizou a sua lista de conteúdos favoritos. Ver conteúdos
aqui