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O futuro da IA corporativa não depende da sofisticação dos modelos, mas de um fator crítico que muitos conselhos ignoram. Sem resolver esse gargalo, empresas tomam decisões presas ao passado.
Em um ambiente de negócios marcado por transações em milissegundos, cadeias de suprimentos cada vez mais interdependentes e consumidores que mudam suas demandas com extrema rapidez, a velocidade da decisão deixou de ser um diferencial para se tornar uma exigência competitiva. Ainda assim, muitas organizações seguem tomando decisões com base em dados defasados, consolidados tarde demais para refletir a realidade do negócio. A pergunta, portanto, não é apenas tecnológica, é estratégica: como sustentar ambições de inteligência artificial em escala se a base informacional continua presa ao passado?
Essa discussão tem ganhado urgência à medida que a IA deixa de ser experimentação e passa a ocupar o centro da agenda executiva e dos negócios. Conversando com conselhos e lideranças de empresas de diferentes segmentos, percebo uma constatação recorrente: o futuro da IA não será determinado apenas pela sofisticação dos modelos, mas pela qualidade, disponibilidade e atualidade dos dados que os alimentam. Sem fluxo contínuo de informações confiáveis, a IA perde sua capacidade de agir com contexto, de antecipar movimentos e de executar tarefas com autonomia real. Em outras palavras, sem dados em tempo real, a IA corre o risco de permanecer inteligente sobre o que ela sabe ou foi treinada, mas não sobre o que está acontecendo agora e isso muda tudo.
O desafio está nos silos. A maioria das organizações ainda opera com movimentações de informações que levam horas, dias ou até semanas para transformar dados brutos em insumo analítico. Nesse intervalo, decisões críticas são tomadas com base em informações já envelhecidas. Em mercados nos quais uma variação de demanda, um sinal de fraude ou uma alteração de comportamento do cliente pode redefinir resultados, esse atraso representa perda de competitividade. O problema se agrava em ambientes múltiplos, nos quais sistemas legados convivem com nuvens, serviços SaaS e uma infinidade de planilhas. e em empresas que acumulam dados distribuídos em dezenas ou centenas de bases de dados em silos pelos departamentos, linhas de produtos, diretorias… O resultado é conhecido: inconsistência, baixa observabilidade, lentidão operacional e dificuldades para transformar volume em valor.
Ao mesmo tempo, cresce a expectativa em torno de agentes de IA capazes de otimizar e transformar os processos de negócios. Um estudo recente do IBM Institute for Business Value mostra que 75% dos líderes brasileiros esperam que agentes de IA operem de forma autônoma até o fim de 2026. A ambição é clara, mas ela exige uma base igualmente madura. Não basta treinar modelos mais avançados ou ampliar a capacidade computacional. É preciso assegurar que esses sistemas recebam sinais relevantes no instante em que os fatos acontecem. É exatamente aqui que os dados em streaming assumem papel central: eles funcionam como a camada vital que conecta o mundo real às decisões automatizadas.
As aplicações práticas são numerosas e já estão ao alcance das organizações. Em prevenção a fraudes, por exemplo, um sistema que detecta padrões suspeitos em tempo real pode bloquear uma transação antes que o prejuízo ocorra ou uma compra verdadeira em uma viagem, causando frustração no consumidor. Mas se conseguisse ter mais contexto, como a localização, que poderia ser obtida através do app da empresa (outro silo), poderia evitar o transtorno. No varejo, a precificação dinâmica responde com precisão às oscilações de demanda, estoque e comportamento do cliente. Em operações industriais, sensores conectados permitem ajustar linhas de produção imediatamente, reduzindo falhas e ampliando eficiência. Em serviços financeiros, saúde, logística e setor público, a mesma lógica se aplica: quanto menor o intervalo entre evento e resposta, maior a capacidade de capturar valor, proteger ativos e melhorar a experiência do usuário.
Esse movimento, no entanto, ainda encontra barreiras relevantes. Empresas evitam usar dados por dificuldades de acesso, com tempos de resposta que podem variar até semanas. Em outras companhias, dados corporativos nunca chegam a análises úteis. Isso revela um paradoxo inquietante: as empresas acumulam volumes crescentes de informação, mas continuam com baixa capacidade de convertê-la em inteligência acionável. O problema, portanto, não está na ausência de dados. Está na infraestrutura necessária para torná-los utilizáveis no ritmo que o negócio exige.
Para a liderança executiva, essa é uma agenda de competitividade, não apenas de tecnologia, exigindo decisões e definições de que o dado é para a empresa como um todo, não para a área que o gerou ou o possui. Isso mexe com as estruturas de micro poder burocrático e organizacional, outro problema antigo e ainda persistente nas empresas.
A mensagem é inequívoca: ignorar dados em tempo real é limitar a ambição e o potencial dos negócios. Organizações que desejam se manter competitivas precisam tratar a infraestrutura de dados como ativo estratégico, e não como camada operacional. O próximo salto de produtividade não virá apenas de modelos maiores, mas da capacidade de fazê-los reinventar processos e a cultura das empresas. Em um mercado que premia velocidade, precisão e adaptação, os executivos que priorizarem plataformas inteligentes de dados estarão melhor posicionados para liderar a próxima era da transformação empresarial. Bem-vindos a nova era da tecnologia aplicada aos negócios!
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