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Edição #49 do MIT SMR Brasil
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As recentes apostas de Microsoft, Amazon, OpenAI e Anthropic em inteligência incorporada às empresas reconfigura o setor de pesquisa e consultoria em inovação e transformação; a análise de ameaças e oportunidades mostra quatro cenários possíveis até 2030 – destacando-se o de “coopetição armada” (que inclui uma corrida pela aprendizagem)
Em 2 de julho de 2026, a Microsoft anunciou a Microsoft Frontier Company: uma organização de US$ 2,5 bilhões e 6 mil pessoas que incorporará engenheiros de software às operações dos clientes para projetar, desenvolver, implantar e operar sistemas de IA no local. No fim de junho, a Amazon havia comprometido US$ 1 bilhão com uma iniciativa semelhante de engenharia avançada alocada nos clientes. Poucas semanas antes, OpenAI e Anthropic também se mexeram na mesma direção. OpenAI lançou uma “empresa de implantação” independente (“deployment company” é o conceito originalmente utilizado), respaldada por mais de US$ 4 bilhões em capital liderado pela TPG; Anthropic constituiu uma joint venture de serviços para corporações com US$ 1,5 bilhão de investimentos, em conjunto com Goldman Sachs, Blackstone e Hellman & Friedman.
Ou seja, em cerca de 60 dias, os quatro mais importantes provedores de plataformas de IA do mundo declararam, com capital e não apenas com retórica, que o próximo mercado que pretendem conquistar não é o de software. É o universo de mais de US$ 6 trilhões em serviços profissionais que, historicamente, tem sido domínio exclusivo de consultorias, integradores de sistemas e institutos de inovação.
O que esse movimento significa? Que Microsoft, OpenAI, Anthropic e Amazon leram David Teece: o economista neozelandês diz que, quando os ativos complementares de uma inovação são especializados e o regime de apropriação de valor é fraco – os modelos estão se comoditizando e a imitação é instantânea –, os lucros não ficam com o inovador, mas com quem controla os ativos complementares. Então, as quatro estão destinando, juntas, US$ 9 bilhões para a engenharia avançada alocada nos clientes, ou seja, para os ativos complementares.
O movimento também significa uma nova fase do avanço da inteligência artificial nos negócios. Já entendemos que, com a IA, temos vivido um processo de quatro estágios: IA como ferramenta, como copiloto, como agente operacional e como agente econômico. Certo? A nosso ver, o movimento das quatro big techs representa bem a fronteira entre o terceiro e o quarto estágio. Trata-se do ponto em que a camada de plataforma deixa de vender instrumentos para a realização do trabalho e passa a vender o próprio trabalho, tendo como output a solução operada em si e seu respectivo ciclo fechado de aprendizagem.
Emerge assim uma empresa de fronteira, resultante de um movimento de integração vertical em direção aos ativos complementares nos quais fica retido o valor decorrente da comoditização dos modelos. Para os mais atentos, não há surpresas: o movimento confirma um cisne vermelho que já estava em curso havia uma década. Mas isso tem uma série de implicações sobre as quais pouco nos debruçamos, e três delas serão tratadas mais profundamente neste artigo.
Um ponto de partida que deve ficar explícito é que este artigo confronta a leitura do mercado sobre esse momento de fronteira, com o conhecimento agêntico se impondo, uma leitura que eu chamo de “tese maximalista da transmutação”, segundo a qual “o jogo acabou” – “game over”, como eles dizem. Os maximalistas dizem o seguinte:
A recombinação do conhecimento foi resolvida por conjuntos de agentes; a vantagem de coordenação das organizações humanas chegou ao fim; toda empresa de consultoria precisa se transformar em operadora de soluções proprietárias, sob pena de ser desintermediada; instituições concebidas para promover o encontro entre pessoas são obsoletas por definição; e o número de funcionários passa a ser um passivo sempre que não atuar como multiplicador.
Discordo. Entre outras razões, essa leitura erra por confundir velocidade com tempo. A velocidade de lançamento dos modelos é uma coisa; a velocidade de adoção por organizações, sistemas regulatórios e sociedades é outra. É no intervalo entre os dois que a estratégia se desenvolve. Instituições cuja trajetória é medida em décadas – universidades, institutos e profissões – absorveram todas as tecnologias de propósito geral anteriores, não por igualar sua velocidade, mas por governar seu tempo de incorporação. Apostar na obsolescência completa dessas instituições tem sido uma estratégia perdedora há dois séculos.
As empresas de fronteira têm três efeitos claros:
A confiança. À medida que a análise se comoditiza, a síntese se torna barata e as recomendações passam a ser muito fáceis de reproduzir, aquilo que um cliente compra, em última instância, de qualquer interlocutor cognitivo externo não é inteligência – porque agora inteligência existe em abundância. Ele compra o direito de confiar: seja na integridade do processo que produziu uma resposta, na independência de quem a subscreveu e na responsabilização de alguém que possa responder por ela quando estiver errada. Todas as funções que, em nossa análise, sobrevivem à automação – julgamento, certificação, atribuição e governança – são modalidades de confiança.
Então vem a má notícia: a forma de confiança da qual o setor tem vivido está morrendo. Vamos chamá-la de “confiança presumida”, uma neutralidade que uma empresa reivindicava por meio da marca, da reputação e da alegação de que não tinha interesses em jogo. Confiava-se em uma empresa porque se acreditava nela, e não porque sua neutralidade pudesse ser verificada. A confiança presumida era viável quando o único produto do consultor era o aconselhamento.
Mas esse tipo de confiança não sobrevive à transmutação – para nenhum ator:
Se a confiança não pode ser mais presumida na economia agêntica, o que a substitui é o que chamamos de confiança arquitetada: independência e integridade demonstradas por meio da engenharia de software e verificadas por terceiros, em vez de apenas afirmadas com base em reputação.
Eis seus componentes concretos:
Duas propriedades dessa arquitetura merecem destaque. Primeiro, um interesse declarado pode ser mais confiável do que uma neutralidade apenas afirmada. Segundo, a confiança arquitetada deve ser vista como uma linha de negócios e uma vantagem defensável, não um custo adicional.
Mudanças estruturais. A escala do setor estabelecido de serviços de transformação e inovação continua formidável. A Deloitte encerrou o ano fiscal de 2025 com receita global de US$ 70,5 bilhões, tornando-se a primeira empresa de serviços profissionais a ultrapassar a marca de US$ 70 bilhões, com crescimento de 4,8% em moeda local. A Accenture registrou US$ 69,7 bilhões no ano fiscal de 2025, alta de 7%, e um recorde de US$ 80,6 bilhões em novos contratos. A Capgemini chegou a € 22,5 bilhões, crescimento de 3,4% a taxas de câmbio constantes. A CI&T avançou 13,2% em moeda constante, para US$ 489,7 milhões, com crescimento orgânico de 19,3% no quarto trimestre.
O indicador mais acompanhado entre as empresas estabelecidas talvez seja a operação de IA generativa da Accenture: US$ 5,9 bilhões em contratos de IA gen e US$ 2,7 bilhões em receita combinada de IA generativa e agêntica no ano fiscal de 2025 — três vezes mais do que no ano anterior —, apoiados por 77 mil profissionais de IA e dados e por mais de 550 mil funcionários treinados nos fundamentos da tecnologia. São números genuinamente impressionantes. Mas também são, estruturalmente, pequenos: representam cerca de 4% da receita e 7% das contratações. Os 96% restantes do negócio ainda monetizam, de uma forma ou de outra, a pirâmide alavancada por mão de obra que a entrega agêntica está dissolvendo.
Essa é, em miniatura, a equação das empresas incumbentes: o novo motor é real, crescente e lucrativo — mas o motor antigo, que vem perdendo valor por unidade de trabalho entregue, é 20 vezes maior ainda. O atual momento de fronteira intensifica cinco pressões que já incidiam sobre as grandes empresas do setor: compressão das margens no núcleo analítico; inversão da pirâmide profissional (o modelo de aprendizagem que transforma analistas juniores nos futuros sócios da empresa perde sua base econômica quando agentes sintéticos passam a executar o trabalho da camada de analistas; em cinco a oito anos, haverá escassez de capacidade de julgamento sênior); desintermediação vinda de cima (engenheiros de software das plataformas incorporados às operações dos clientes e com acesso direto ao roteiro de desenvolvimento dos modelos); internalização de capacidades pelos clientes; inversão do mercado de talentos (as grandes empresas de consultoria agora precisam disputar orquestradores metacognitivos com empregadores que oferecem remuneração na escala das plataformas e proximidade com as pesquisas situadas na fronteira tecnológica).
Não se deve esperar a substituição dessas grandes consultorias, porque elas dispõem de ativos poderosos, como relacionamentos de décadas com clientes, conhecimento regulatório e setorial profundo, capacidade de gestão da mudança numa escala que nenhuma organização de engenharia possui, infraestrutura global de entrega e balanços que lhes permitem adquirir aquilo que não conseguem desenvolver internamente. Tanto que a própria iniciativa de fronteira da Microsoft chamou Accenture, Capgemini e EY como parceiras de lançamento, a fim de estas lhe fornecerem conhecimento setorial, gestão da mudança e melhoria contínua. Um cenário de coopetição armada, tratado adiante, é o que se espera.
E as integradoras de sistemas indianas offshore — como TCS, Infosys, HCLTech e Wipro — e suas equivalentes latino-americanas nearshore? Bem, elas construíram suas operações sobre uma única vantagem: mão de obra de engenharia de software economicamente competitiva, oferecida em escala além das fronteiras nacionais. Essa arbitragem está sendo atacada por dois lados: (1) a geração agêntica de código reduz o volume de horas de engenharia rotineira que os clientes precisam comprar, independentemente do preço e (2) as iniciativas de engenharia avançada alocada nos clientes que reúnem o que a entrega de fora não oferece – presença física nas operações, proximidade com os modelos e responsabilização pelos resultados.
O único reposicionamento durável é para cima: em direção à orquestração, à profundidade de domínio e à responsabilidade pelos resultados.
Geoeconomia e o Sul Global. A análise econômica vigente pressupõe que o conhecimento recombinado pelos sistemas agênticos simplesmente existe — e que é um insumo gratuito, como o ar. Não é assim. Nenhuma análise deste momento de fronteira será completa (ou honesta) se não enfrentar a pergunta que o setor menos deseja formular: quem produziu a matéria-prima da inteligência de máquina, quem captura seu valor e o que acontece com a produção do conhecimento quando essas duas respostas se afastam permanentemente? Uma resposta é: os modelos fundacionais (e seus acionistas).
Outra resposta é: o trabalho intelectual do qual os modelos LLM se apropriaram – em grande parte sem consentimento, remuneração ou rastreabilidade. As duas interpretações são verdadeiras ao mesmo tempo. É exatamente por isso que a questão pertence à economia política, e não apenas à engenharia. O mecanismo merece um nome preciso: recombinação sem rastreabilidade. Um modelo não copia; ele dissolve. Seu resultado não cita; ele sintetiza.
Os riscos estruturais disso se acumulam:
Porém, para o Brasil e o Sul Global, o que está em jogo tem um nome mais contundente: colonização cognitiva. O padrão é conhecido das antigas economias extrativistas: a periferia fornece a matéria-prima — dados, casos, talentos e pesquisas financiadas com recursos públicos — e importa o produto acabado — inteligência empacotada — a preços monopolistas. Desse modo, acrescenta-se um déficit cognitivo estrutural ao já conhecido déficit tecnológico.
Uma região que forma orquestradores, preserva instituições confiáveis e governa seus próprios bens comuns de dados participa da economia agêntica como agente. Uma região que apenas consome essa economia participa como mercado. Esse conflito — conhecimento aberto versus inteligência proprietária — organizará a política dos próximos dez anos.
Entre esses dois polos, começam a ser concebidas as inovações institucionais que efetivamente decidirão o resultado:
O vencedor é predeterminado? Não. O que vale reforçar é que todos os riscos listados representam categorias de serviços: auditoria de procedência e rastreabilidade; desenho e operação de data trusts; estruturação de licenças para treinamento; regimes de compartilhamento de valor; consultoria para governos e produtores de conhecimento que precisam navegar essa disputa. Para uma empresa de estratégia, as controvérsias da década também são os mercados da década.
Quatro cenários delimitam o espaço plausível para o setor de transformação até 2030. Eles não têm a mesma probabilidade, não são mutuamente excludentes entre regiões e segmentos e — um aspecto que este relatório torna explícito – dependem do estágio em que a IA se encontra entre os quatro possíveis (IA como ferramenta, como copiloto, como agente operacional e como agente econômico):
A engenharia avançada alocada nos clientes demonstra ser operacionalmente escalável; a precificação por resultados supera o modelo de tempo e materiais sempre que o trabalho está claramente especificado; as unidades de IA das grandes empresas de consultoria crescem, mas nunca conseguem escapar do peso da pirâmide legada.
Levado ao estágio 4, o estado final deste cenário é ainda mais radical: a engenharia incorporada funciona como estrutura provisória para a criação de soluções operadas — serviços pertencentes às plataformas que executam funções dos clientes de ponta a ponta e se aperfeiçoam por meio de ciclos fechados de aprendizagem, nos quais:
a operação gera dados → os dados aprimoram os agentes → os agentes aprimoram a operação.
Quando esses ciclos se fecham em escala, a vantagem passa a se reforçar sozinha, e a janela para a concorrência independente nos domínios afetados efetivamente se fecha.
Até 2030, veremos, caso esse cenário se confirme:
Quer saber quais os indicadores de que estamos a caminho do cenário A? Ei-los, em ordem crescente de intensidade:
Perez interpretaria esse cenário como um período de implantação capturado pelo capital do período de instalação — configuração que, historicamente, acaba provocando uma ruptura regulatória.
O modelo de engenharia avançada alocada nos clientes funciona, mas não consegue ganhar escala culturalmente: as plataformas descobrem que gestão da mudança, regulamentações setoriais e política organizacional resistem a soluções puramente técnicas — exatamente como preveem os defensores das grandes consultorias.
Surge uma divisão de trabalho duradoura com o cenário B:
As margens se comprimem para todos na parcela comoditizada do mercado. As grandes empresas concluem uma transição dolorosa, mas viável, para a precificação por resultados, operando talvez com apenas 40% a 60% da densidade de receita anterior.
Esse equilíbrio contém uma instabilidade interna que precisa ser explicitada: a coopetição é uma corrida de aprendizagem.
Cada projeto realizado em conjunto transfere disciplinas de entrega para as plataformas mais rapidamente do que transfere intimidade com os modelos para as grandes consultorias. Por isso, o cenário B deve ser entendido não como destino, mas como um corredor que se desloca em direção ao cenário A — a menos que os atores não pertencentes às plataformas acumulem ativos proprietários, como agentes, bases de conhecimento e arquiteturas de confiança, mais rapidamente do que as plataformas acumulam experiência de entrega.
Eis os indicadores:
Há um incidente relevante — vazamento de dados entre projetos de uma plataforma, intervenção de uma autoridade de defesa da concorrência, falha agêntica de grande repercussão com prejuízos materiais ou ruptura geopolítica. E isso transforma a preocupação com o aprisionamento tecnológico, já visível na cobertura dos lançamentos pela mídia, em política de contratação.
No cenário C, empresas e governos passam a exigir:
A União Europeia, o Brasil e a Índia endurecem seus regimes de soberania em IA. As disputas sobre apropriação de conteúdo autoral produzem as primeiras decisões que impõem rastreabilidade obrigatória da origem e licenças para treinamento.
Especialistas em confiança arquitetada e instituições reinventadas tornam-se estruturalmente privilegiadas. As unidades de entrega das plataformas são obrigadas a operar em estruturas independentes, mantendo barreiras auditadas em relação às demais atividades do grupo.
É necessário corrigir uma interpretação equivocada bastante comum: este cenário não restaura o antigo modelo de consultoria. A lógica econômica subjacente à automação não regride.
O cenário pune aqueles que avançaram sem governança e recompensa quem desenvolveu mecanismos de garantia, rastreabilidade e validação enquanto o mercado ainda não os exigia. A própria linguagem de Satya Nadella, da Microsoft, sobre “permissão social” demonstra que os proprietários das plataformas já estão simulando precisamente essa possibilidade.
Eis os indicadores:
Entre os elementos constantes nos quatro cenários estão a mudança da confiança — agora em sua forma arquitetada e verificável — e a valorização da capacidade de formação
A curva J passa a apontar amplamente para cima por volta de 2028, à medida que amadurecem os investimentos complementares. Modelos operacionais baseados em orquestração se disseminam.
A demanda por serviços de transformação cresce mais rapidamente do que a automação reduz seu preço unitário — o efeito de reintegração de Autor operando na escala de todo o setor.
O resultado agregado, porém, esconde um efeito de composição que precisa ser explicitado: o mercado cresce enquanto todas as parcelas baseadas no legado encolhem.
A arbitragem pura de mão de obra desaparece; os contratos episódicos de consultoria diminuem; e o crescimento se concentra em categorias que praticamente não existiam em 2025:
Em outras palavras, o renascimento não é uma maré que eleva as empresas estabelecidas. É uma maré que eleva aquelas que passaram pela transmutação.
A lista de indicadores é esta:
O QUE O LEITOR PODE ESPERAR? Arriscamos dizer, com a humildade necessária a um framework desse tipo, que o período entre 2026 e 2028 pode ser mais semelhante ao cenário de coopetição armada, o cenário B. Pensando em sobreposição de cenários, as dinâmicas de absorção do cenário A predominarão nos segmentos de engenharia de software em que o trabalho estiver claramente especificado, enquanto as dinâmicas de soberania do cenário C se intensificarão primeiro na Europa, no Brasil e na Índia. O cenário D, de renascimento, seria a recompensa disponível, a partir de 2028, para as regiões e empresas que utilizarem os dois anos anteriores para construir ativos complementares, em vez de apenas defender suas posições.
Como recomendação prática, eu diria que cada ator deve manter um dashboard atualizado de indicadores, incluindo:
Como estamos em condições de cisne vermelho, o próprio conjunto de cenários precisa ser tratado como provisório. A característica definidora da ruptura é sua capacidade contínua de invalidar as categorias utilizadas para acompanhá-la. Um framework de cenários que permaneça 18 meses sem ser revisado constitui evidência de desatenção.
Além disso, é importante sublinhar que, nos quatro cenários, três elementos permanecem constantes, e é sobre eles que a estratégia deve ser construída:
Este artigo traz highlights do paper “The Frontier Moment”, que Silvio Meira produziu para a consultoria da qual é cientista-chefe, a TDS.company – quem quiser lê-lo na íntegra, na versão original em inglês, pode baixá-lo aqui. A análise que Meira faz se baseia tanto em conceitos que ele tem desenvolvido desde 2023 como na melhor produção acadêmica global sobre revoluções tecnológicas e mudança estrutural.
Como parte do primeiro conjunto de referências, de autoria do próprio Meira, estão o framework “cisne vermelho”, a tríade de inteligências da era da IA, a transição do trabalho programado para a orquestração metacognitiva, a economia do valor da IA sob o modelo REAIS (sigla em inglês para Economia Responsável para Estratégias de IA) e a análise da armadilha do legado na disrupção provocada pela IA. Papers sobre todos esses temas podem ser baixados na biblioteca da TDS.company.
Entre os autores globais que influenciaram a análise de Meira se destacam, entre outros, Carlota Perez (sobre instalação e implantação), Joseph Schumpeter e Philippe Aghion (sobre destruição criativa_, Daron Acemoglu (sobre deslocamento de tarefas e automação medíocre), David Autor (sobre o paradoxo da abundância), Clayton Christensen (sobre a disrupção dos serviços profissionais), Peter Drucker (sobre o trabalho do conhecimento), David Teece (sobre ativos complementares) e Erik Brynjolfsson (sobre a curva em J da produtividade).
No paper original, o autor sugere playbooks para as organizações afetadas por esse momento de fronteira. Às grandes consultorias, ele diz que devem canibalizar o que existe com disciplina e construir o novo com convicção, por meio de parcerias com plataformas e adotando um pipeline de julgamento baseado em “problemas reais/simulação deliberada/ crítica adversa/ decisão com consequência/ mentoria concentrada” – essa “pedagogia de julgamento”, como ele a chama, lembra a dos médicos e a da aviação, e substitui a velha fábrica de analistas. Para butiques de consultoria de nicho, ele sugere que escolham entre se tornar infraestrutura ou permanecer na parte do julgamento, evitando ao máximo ficar no meio do caminho. Formar alianças laterais também é recomendado a essas butiques. Por fim, as instituições de inovação devem, segundo Meira, escolher seu destino enquanto a janela ainda está aberta – há três destinos a escolher: declínio inercial, especialização defensável e reinvenção como um instituto nativo agêntico.
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