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Competitividade global

Inovação verde: o próximo salto que o Brasil precisa dar

Cinco lições que os países mais inovadores do mundo podem nos ensinar sobre como transformar sustentabilidade em motor de competitividade global

Valter Pieracciani
15 de outubro de 2025
4 min de leitura
Inovação verde: o próximo salto que o Brasil precisa dar

O Brasil tem potencial para assumir posição de destaque na economia verde, mas precisa aprender com quem já lidera a inovação global. Países como Suíça, Estados Unidos, China, Coreia do Sul e Singapura estão transformando a transição energética e a agenda de sustentabilidade em motores de crescimento, convertendo políticas ambientais em oportunidades tecnológicas e de mercado.

O especialista Valter Pieracciani, da Piera, consultoria de inovação e funding para inovação, destaca cinco lições que o Brasil pode aprender com os países mais inovadores do mundo para e aplicar para fortalecer sua competitividade, atrair investimentos e colocar a inovação verde no centro da estratégia nacional.

1. Previsibilidade e instituições sólidas atraem inovação

 A trajetória da Suíça, o país mais inovador do mundo segundo o IGI (da ONU), mostra que a inovação floresce em ambientes de negócios estáveis e confiáveis. Instituições fortes e regulação previsível dão segurança para investimentos de longo prazo em setores de alto risco e intensivos em P&D, inclusive nas áreas de saúde, tecnologia limpa e indústria verde.

Lição para o Brasil: fortalecer instituições e reduzir a instabilidade regulatória são passos essenciais para dar segurança às empresas e destravar investimentos estratégicos.

2. Estabilidade e capital estrangeiro como motores de avanço

Singapura prova que estabilidade política e regulatória, aliada à abertura ao investimento estrangeiro, cria um ecossistema fértil para P&D e tecnologia. O país conecta universidades, indústria e capital internacional em hubs que hoje também aceleram inovação em energia renovável, mobilidade elétrica e manufatura sustentável.

Lição para o Brasil: criar regras claras, duradouras e transparentes para atrair investidores globais e aproximar academia e setor produtivo em torno de clusters de inovação.

3. Formação de talentos é o maior diferencial competitivo

A força dos EUA em inovação está na base sólida de profissionais em STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). São esses talentos que alimentam ecossistemas como o Vale do Silício e sustentam avanços em inteligência artificial, biotecnologia e em soluções climáticas, como tecnologias de captura de carbono e energias renováveis.

Lição para o Brasil: priorizar a educação científica e tecnológica, formando mais engenheiros, matemáticos e programadores, é fundamental para sustentar um ambiente inovador de alto impacto.

4. Investimento empresarial em P&D gera resultados globais

A Coreia do Sul mostra que inovação exige empresas engajadas em pesquisa, com apoio governamental direcionado. Os resultados são patentes, pesquisadores corporativos e liderança em setores estratégicos como semicondutores, mas também em baterias, carros elétricos e tecnologias de energia limpa, áreas fundamentais da agenda verde.

Lição para o Brasil: estimular o investimento privado em P&D por meio de incentivos consistentes, proteção regulatória e parcerias em áreas críticas para a competitividade.

5. Inovação precisa ser prioridade para o Estado

A China transformou inovação em política nacional, com grandes investimentos em P&D e políticas públicas que aceleram empresas de tecnologia. A agenda inclui semicondutores, inteligência artificial e também tecnologias verdes, como energia solar e eólica. O governo atua como catalisador dessa transformação, garantindo escala e competitividade.

Lição para o Brasil: Colocar a inovação no centro da estratégia de desenvolvimento, com políticas de Estado de longo prazo que conectem indústria, ciência e tecnologia a prioridades nacionais.


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Valter Pieracciani
Valter Pieracciani
Valter Pieracciani, da Piera, consultoria de inovação e funding para inovação é italiano radicado no Brasil e pioneiro em gestão da inovação. Liderou projetos para empresas como Nestlé, Ambev e Bradesco e foi diretor-geral da ABNT. É pesquisador sênior do CLAEQ, autor de livros sobre inovação e palestrante internacional.

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