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De IA ao metaverso, as inovações na Dasa

Evento realizado no final de agosto reuniu executivos que demonstraram o que tem sido feito em várias áreas da empresa e os esforços da transformação digital da companhia

Sandra Regina da Silva
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O que sua empresa faria com R$ 1,5 bilhão para investir nos últimos seis anos? Ou com R$ 328,9 milhões em 2021? Ou com R$ 160 milhões no primeiro semestre de 2022?

A Dasa – hoje uma rede integrada de cuidados com saúde que engloba laboratórios, hospitais e clínicas – usou esses valores para começar a lidar com metaverso, realidade aumentada, impressão 3D, inteligência artificial (IA), entre outras tecnologias. Ela está investindo na chamada “medicina 4.0” para aumentar a eficiência e melhorar a jornada de experiência dos pacientes.

Durante um evento recente para jornalistas, vários executivos da Dasa apresentaram o que tem sido feito em termos de tecnologia, sobretudo de 2020 para cá, e os resultados que vêm sendo colhidos pela empresa de saúde integrada, que engloba laboratórios, hospitais e clínicas.

Peguemos, por exemplo, o NOC Núcleo de Operação e Controle. Criado em 2020, inspirado na aviação, o NOC acompanha todos os passos do paciente, desde o agendamento de uma consulta ou um exame até a alta do hospital após um procedimento, por exemplo, gerando indicadores e munindo os gestores com informações para a tomada de decisão, e assim otimizando os processos, como explicou Emerson Gasparetto, diretor-geral de negócios hospitalares e oncologia.

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Painéis de gestão em tempo real no Núcleo de Operações e Controle (NOC), baseado na aviação. Foto: Divulgação/Dasa

E os resultados? “Em janeiro de 2021, tínhamos uma taxa de 4,5 pacientes por leito por mês; em julho de 2022 passamos para uma taxa de 6,2 pacientes por leito. Um ganho por eficiência operacional”, destacou Gasparetto; e isso com o mesmo número de leitos. Outro ganho foi na eficiência clínica, incluindo o auxílio de um algoritmo preditivo, que avalia o risco de reinternação hospitalar de um paciente; além de levar ao uso mais racional de exames e de medicamentos.

A Dasa tem priorizado a oncologia, entre as especialidades médicas do NOC, em razão do aumento no número de casos e mortes no Brasil – por ano, são 450 mil novos casos e 232 mil mortes. A estimativa é que, até 2027, o número de mortes por câncer ultrapasse as causadas por doenças cardiovasculares, contou Gustavo Fernandes, diretor de oncologia da empresa. Levando em conta que um fator crucial para o sucesso do tratamento é iniciá-lo cedo, a Dasa tem utilizado algoritmos na leitura de laudos para encurtar o intervalo entre o diagnóstico e o início do tratamento. Historicamente, esse tempo é de 61 dias, enquanto na Dasa atualmente está em 15 dias.

A seguir, exploramos outras áreas de inovação da empresa.

“Metaverso”, RA, RV

Várias novas tecnologias vêm sendo usadas graças aos desenvolvimentos no Biodesign Lab, inaugurado em setembro de 2021 parceria com a PUC-Rio. Ali, disse Heron Werner, coordenador da medicina fetal da Dasa e desse lab, são criados modelos em 3D e imagens que apoiam estudos e diagnósticos (inclusive modelos em 3D com material reciclado).

Um case de uso das tecnologias do lab foi a separação dos gêmeos siameses unidos pelo crânio no Rio de Janeiro recentemente, realizada em nove etapas cirúrgicas. Outro exemplo foi a impressão 3D de um feto para que a gestante deficiente visual pudesse sentir com o tato seu bebê ainda no útero.

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Foto: Divulgação/Dasa

Impressão 3D do feto, a partir das imagens de ultrassom, para a mãe deficiente visual poder sentir o seu bebê ainda no útero.

Discussões de casos clínicos e simulações cirúrgicas já têm acontecido no ambiente que eles já chamam de ”metaverso”, com o uso de realidade virtual e realidade aumentada. Ao discutir um caso, os profissionais conseguem manipular interativamente exames em 3D, em sessões que podem até ter a presença do paciente virtualmente no metaverso. Esse ambiente também possibilita que haja a imersão para dentro de órgãos.

Dados e inteligência artificial

Com uma grande base de dados (dos pacientes, diagnósticos, exames, anotações dos médicos durante a consulta, etc.), a inteligência artificial tem garantido insights e apoio à tomada de decisões médicas. No programa DasAInova, médicos, engenheiros de software e cientistas de dados trabalham juntos para desenvolver algoritmos.

Entre os 20 algoritmos atualmente desenvolvidos, um deles, por exemplo, identifica, a partir da análise de tomografias, quanto um pulmão foi acometido pela covid-19, segundo Felipe Kitamura, superintendente de inovação aplicada e IA na Dasa e líder das iniciativas de inteligência artificial da companhia. Outros dois exemplos são de algoritmo que identifica a idade óssea pelo raio-x e outro que calcula o volume de gordura abdominal no exame de tomografia computadorizada. Como Kitamura disse, além dos insights e do apoio à decisão, um benefício da IA é a rapidez na realização de exames.

Genômica

A unidade de estudos genéticos talvez seja uma das principais apostas em ambidestria corporativa da Dasa. Isso porque ela trabalha com uma projeção de futuro bem diferente do presente, segundo José Eduardo Levi, superintendente de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e novos produtos: a ideia “é trabalhar cada vez com saúde e não só com doença” por meio da Dasa Genômica.

Lançada em 2019, essa unidade ganhou relevância durante a pandemia de covid-19, com projetos de vigilância genômica como o Genov – que sequenciou 10% dos 172.314 genomas do coronavírus, com a meta de chegar a 30 mil genomas.

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Foto: Divulgação/Dasa

Laboratório da Dasa onde foram realizados 8 milhões de testes RT-PCR para Sars-CoV-2.

O horizonte de possibilidades é grande. O próprio Genov deve ter desdobramentos com doenças causadas por outros agentes que não o coronavírus. Além disso, como o superintendente explicou, a Dasa Genômica tem feito testes diagnósticos não invasivos, que viabilizam, por exemplo, uma rápida identificação de rejeição no caso de um transplante – tradicionalmente, isso acontece um ano depois da cirurgia.

Plataforma digital

O Nav, plataforma (ou aplicativo) de navegação assistencial que reúne os dados dos pacientes, tem servido para antecipar tratamentos, simplificar a jornada do paciente e aproximá-lo do médico, que por ali tem acesso a todas as informações de forma integrada. O paciente, além de se sentir mais cuidado, tem acesso ao seu mapa de saúde na plataforma, e assim tende a se engajar mais em sua própria saúde, como destacou Andrea Dolabela, diretora geral de produtos, marketing experiência e analytics da empresa.

Os executivos deram uma ideia dos ganhos com a plataforma: ela conseguiu, aliada à comunicação com o paciente, uma redução de 90 dias para 12 dias entre o diagnóstico de alguma alteração em mamografia até o início do tratamento – por mês, são realizadas em média 20 mil mamografias na Dasa, e de 1% a 1,5% apresentam alguma alteração. Para reduzir possíveis avanços de doenças, a empresa entra em contato com pessoas que estão com mamografia atrasada.

As ações de cuidado integrado da companhia levaram ao aumento de 60% de diabéticos controlados, graças a acompanhamentos que reforçam a realização de exames e rotinas para controlar a doença. Outro resultado foi a redução de 6% de sinistro entre idosos, que até conta com orientação para mudanças de hábitos.

O Nav materializa a mudança da Dasa para uma visão centrada no cliente (customer-centric), mas também materializa o ganho de eficiência, possibilitando otimizar os processos com efetividade e segurança, segundo Leonardo Vedolin, vice-presidente e diretor geral da área médica e de cuidados integrados da empresa.

Estrutura e gestão

A transformação digital da Dasa não é de hoje; começou em 2015. Segundo o VP Vedolin, a proposta de valor da empresa tem sido “encontrar o caminho do meio entre uma saúde cara e inacessível e uma saúde barata e ineficiente”. Para isso, como completo Victor Gadelha, head de inovações médicas em hospitais da Dasa, a estratégia é unir design, informação e eficiência.

É interessante observar mais alguns fatos e números da Dasa:

Estrutura em números. A empresa diz que já consegue ver as pessoas como únicas – e sem deixar de seguir as premissas da Lei Geral de Proteção dos Dados (LGPD). Para alcançar esse patamar, a organização informa que investiu, entre outros, em data lake, em mais de 100 squads em funcionamento (com cerca de mil especialistas trabalhando no modelo ágil de desenvolvimento de novos produtos e serviço), em mais de 90 cientistas de dados que usam os dados clínicos e assistenciais do data lake para prever cenários e antecipar riscos de complicações de saúde.

Modelo de ecossistema. Desde 2017, a Dasa é curadora e mantenedora do Cubo Health – vertical de saúde do Cubo –, tendo uma presença muito forte entre as startups da área. O DasAInova tem vários projetos proprietários, sim, mas também pratica inovação aberta em parceria com startups e instituições de pesquisa, inclusive internacionais.

Treinamento. A empresa tem uma universidade corporativa, a Universidade Dasa, que vem desenvolvendo cada vez mais programas. Um dos mais recentes é o Forma Tech, iniciativa forma colaboradores de setores diversos da própria Dasa em desenvolvimento de softwares. O objetivo é que, depois do curso, eles integrem o quadro de programadores da empresa – uma maneira de acelerar a ascensão de suas carreiras, além de suprir a escassez de talentos disponíveis no mercado. O projeto começou em junho de 2022 com 26 colaboradores (14 homens e 12 mulheres) de áreas variadas, como recepção, manutenção, radiologia e coleta, e que já cursam faculdade na área de tecnologia.

O caso de uma mulher de 35 anos

Uma mulher de 35 anos fez 17 visitas ao pronto-socorro em um mês. Ela estava utilizando muito a rede credenciada, mas seus exames sempre davam normais. O que fazer? A Dasa fez um trabalho de inteligência de dados e reforçou a humanização das relações. De um lado, usou análise preditiva (com machine learning) nos dados do data lake e, de outro, ofereceu maior acolhimento à paciente. Em outras palavras, agiu com duas perspectivas: a de reduzir o custo do sistema de saúde e a centrada no paciente.

Quem contou essa história foi Ricardo Ramos, partner de gestão médica e tecnologia da Dasa Empresas, durante o Conarh Saúde, realizado também em agosto. Segundo ele, a solução de acolhimento e inteligência de dados permitiu diagnosticar nela ansiedade, pânico e dores articulares. Assim, ela foi encaminhada para especialistas de ortopedia e psiquiatria. As 17 visitas ao PS caíram para apenas quatro e o sinistro se reduziu de R$ 57 mil para R$ 9 mil.

A TRANSFORMAÇÃO NA DASA É PROFUNDA e, como toda transformação, contabiliza tanto sucessos quanto fracassos (ou aprendizados), tanto sabores quanto dores. Significa “apenas” a entrada da empresa na era da medicina 4.0 e todas as suas tecnologias? Provavelmente não. Romeu Domingues, cochairman da Dasa, tem dito, por exemplo, que a empresa está estimulando uma cultura de empreendedorismo inovador em saúde, ao fomentar o aprendizado e a criação de novas oportunidades. Mais do que trabalhar com tecnologia e dados, portanto, trata-se de instituir uma nova cultura e uma nova mentalidade. O trabalho está em andamento.

Na foto (da esquerda para a direita): Allan Macintyre, diretor de marketing da Dasa; Gustavo Fernandes, diretor de oncologia da Dasa; Emerson Gasparetto, diretor-geral de negócios hospitalares e oncologia da Dasa; Leonardo Vedolin, diretor-geral médico e de cuidados integrados da Dasa; Andrea Dolabela, diretora-geral de marketing, produtos, experiência e analytics da Dasa; José Eduardo Levi, virologista e superintendente de pesquisa e desenvolvimento e novos produtos da Dasa; Felipe Kitamura, superintendente de inovação aplicada e inteligência artificial da Dasa; Victor Gadelha, head de inovações médicas em hospitais da Dasa; Heron Werner, ginecologista e coordenador do Biodesign Lab da Dasa e Romeu Domingues, co-chairman da Dasa. Foto: Divulgação/Dasa

Sandra Regina da Silva
Jornalista com 30 anos de experiência em cobertura de negócios e inovação.

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