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SXSW 2026

Entretenimento digital: o que o SXSW 2026 tem a nos ensinar

Capacidades internas de IA, soberania de dados, confiança construída a cada fraude evitada definirão as empresas duráveis do mercado de apostas online

João Gerçossimo
5 min de leitura
Entretenimento digital: o que o SXSW 2026 tem a nos ensinar

Diretamente de Austin, Texas, o cenário de inovação do SXSW 2026 serviu como pano de fundo para uma análise contundente sobre o futuro do entretenimento digital no Brasil. O evento consolidou a transição definitiva da inteligência artificial que deixou de ser uma promessa mística de “hype” para se tornar uma camada operacional pragmática. A soberania de dados surge como o pilar central para o sucesso no mercado brasileiro, dado que soluções globais “de prateleira” falham ao não capturar as nuances específicas do nosso consumidor.

A estratégia necessária foca na construção de capacidades internas de IA – na utilização de data lakes próprios para a segmentação e em modelos de análise que entendam o ciclo de vida do usuário. Não se trata apenas de uma escolha técnica, mas uma decisão de sobrevivência. Empresas que terceirizam completamente essa inteligência abrem mão da capacidade de compreender o próprio cliente. Esse movimento em direção a modelos locais e especializados, como se discutiu no SXSW, valida uma trajetória de negócios onde os dados são, de fato, o coração da operação.

No que se refere à segurança, o Brasil permanece como um dos mercados mais visados por fraudes digitais, o que exige investimentos em camadas de proteção que não geram fricção. Durante o evento foi possível compreender que a biometria comportamental, capaz de identificar o titular da conta pela forma como ele digita e interage com a tela, apresenta-se como uma fronteira invisível de proteção. Além disso, o blockchain deve ser encarado como uma poderosa ferramenta de auditoria e transparência, e não necessariamente como um meio de pagamento. A confiança construída a cada fraude evitada é o que definirá quais empresas durarão no mercado.

O conceito ”high-tech” não reside na tecnologia mais cara, mas na aplicação da ferramenta correta para o problema certo

A eficiência operacional também é pautada sob uma ótica de disciplina rigorosa. É fundamental uma abordagem onde a automação de processos repetitivos libera capital humano para o que realmente diferencia o produto: a experiência do usuário. Ficou claro que o conceito de high-tech não reside na tecnologia mais cara, mas na aplicação da ferramenta correta para o problema certo. Se a tecnologia não melhora a experiência ou a sustentabilidade do negócio, deve ser vista como custo e não investimento.

O SXSW 2026 abordou bastante questões de infraestrutura, consolidação do 5G e edge computing (a computação de borda), que no Brasil vemos como soluções para acabar com o “gargalo” para as apostas ao vivo. A latência ainda limita o mercado de “in-play betting” no País. Espera-se, no entanto, assim que a rede brasileira suportar essa demanda com consistência, um cenário de streaming integrado e apostas em “micromomentos”.

Com 5G e edge computing, espera-se um mercado de “in-play betting” no Brasil, com apostas em micromomentos

Por fim, com base em referências como a palestra da futurista Amy Webb e, claro, nas tendências levantadas pelo MIT, as previsões para 2030. exigem separar o “sinal” do “ruído”. IA aplicada ao comportamento, comunidades como modelo de engajamento, personalização com privacidade e automação inteligente são sinais claros do futuro que está por vir. Por outro lado, metaversos genéricos, NFTs de avatar e cripto como pagamento no varejo local ainda são ruídos que não resolvem problemas reais do consumidor brasileiro.

Ficou claro que o usuário busca uma experiência que funcione. Para ele, o que importa é o Pix cair na hora, a “odd” ser competitiva e o aplicativo não travar durante o jogo enquanto interage com amigos.

A mudança estrutural da próxima década é comportamental: o brasileiro está mais digital, exigente e informado. Ele compara, lê avaliações e troca de plataforma se estiver insatisfeito. A lealdade será conquistada com produto, transparência e comunidade, não com bônus de boas-vindas. As empresas que respeitarem essa evolução, liderarão; as que tentarem operar com a mentalidade de anos atrás, simplesmente perderão relevância rapidamente.

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João Gerçossimo
João Gerçossimo
João Gerçossimo é CEO da Stellar Gaming, responsável por marcas como EstrelaBet e VUPI, que são plataformas de apostas esportivas (como no Brasileirão e NBA) e cassinos online reguladas no Brasil.

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