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Fast learning, o imperativo da nova realidade

Além do aprendizado rápido, o desenvolvimento de competências pessoais está vinculado às exigências de um mercado de trabalho que sustenta um tripé: uso de conhecimento, criação de habilidades e atitude para gerenciar comportamentos humanos

José Cláudio Securato
30 de julho de 2024
5 min de leitura
Fast learning, o imperativo da nova realidade

A aceleração e a transformação digital, a exigência de novas competências e a geração dos trabalhos do amanhã, tornam o lifelong learning e o reskilling imperativos do cotidiano, levantando a seguinte questão: por que você precisa aprender mais rápido?

Segundo PwC e Fórum Econômico Mundial, a transformação digital deverá gerar cerca de USD 15 trilhões em riqueza até 2030. Trata-se de aproximadamente um acréscimo de 15% na riqueza global, considerando os números de hoje. No entanto, se a riqueza global não é bem dividida, a disparidade entre países ficará ainda pior. EUA, União Europeia e China, por exemplo, já respondem por cerca de 60% do PIB global. Essas regiões, aliás, vão capturar a maior parte da nova riqueza a ser gerada.

Para conquistar a riqueza produzida todos os dias pela transformação digital é necessário desenvolver novas habilidades ou competências. E aqui que o WEF é quase catastrófico em predizer que nossos desafios como humanidade são imensos. Vamos lá:

Desenvolvendo o CHA 4.0

Primeiro, competência é um termo técnico e importante para o WEF. Competência pode ser explicada pelo CHA: conhecimento, habilidade e atitude (nada novo para o mundo da educação e de RH). Conhecimento é saber. Habilidade é saber fazer. Atitude é ir lá e fazer.

Desenvolver novas competências, portanto, significa a soma do domínio do conhecimento de forma profunda, a capacidade de aplicar esse conhecimento em problemas reais e a orquestração de si mesmo. Além disso, é necessário desenvolver capacidades para conduzir o ambiente corporativo, de negócios e socioeconômico. Isso envolve ainda a tarefa de agregar outras pessoas que participam do problema para ir lá e fazer a solução ou tarefa pretendida.

Em segundo lugar, o desenvolvimento de competências não se trata apenas de se capacitar por redes sociais lendo posts de resumos, frames, assistindo algumas palestras, lendo/ouvindo livros. Embora essas ações sejam importantes para nos mantermos atualizados, elas não são capazes de sequer nos fazer dominar o conhecimento (o “”C”” do CHA). Simular e exercitar a aplicação prática é fundamental, bem como a nossa capacidade de ir lá e fazer.

Como terceiro ponto, não despreze o “”A”” do CHA, a atitude. A atitude de ir lá e fazer requer um conjunto de soft skills muito complexo de serem desenvolvidas. Empatia, persuasão, colaboração, adaptação, mediação e design de solução são palavras cheias de significados e desafios. Não é à toa que, das chamadas competências do amanhã elencadas pelo WEF, cerca de metade são relacionadas a esses temas.

Em quarto lugar, na estimativa do WEF, o tempo necessário para desenvolver novas competências aumentou. Enquanto aprender marketing ou estratégia exigia, em média, 40 horas de dedicação de uma pessoa, temas como ciência de dados, por exemplo, exigem o dobro, 80 horas.

Competências do amanhã

A transformação digital também transformou o trabalho. O WEF não fala mais em trabalhos ou competências do futuro para não dar a impressão de que a transformação está longe. Agora, fala-se em trabalhos e competências do amanhã. Das 15 competências do amanhã, a meu critério, divido-as em três partes: (1) competências tecnológicas; (2) soft skills; e (3) aprender a aprender.

As competências tecnológicas falam muito de novas ferramentas exponenciais, mas com um tom mais tático e estratégico: usar, monitorar, controlar, desenhar soluções, analisar e avaliar essas tecnologias.

Os soft skills (ou temas comportamentais) são pensamentos críticos, soluções de problemas complexos, inovação e pensamento analítico, criatividade, originalidade e iniciativa, influência social, resiliência e tolerância ao estresse, inteligência emocional, persuasão e negociação. São temas fundamentais para garantir a atitude de ir lá e fazer.

Por fim, aprender a aprender me parece uma competência chave. A autonomia de aprender aquilo que quiser aprender (quando quiser e para o que quiser) é o ativo mais importante a ser conquistado por um indivíduo no mundo atual. A capacidade de aprendizado, a aprendizagem ativa ou autonomia da aprendizagem, chamemos de diversas maneiras, enfim, é o que nos colocará em chance de competir, de inovar e de participar do mundo atual como protagonistas.

Ações exigidas

Sabemos que a pandemia está acelerando as transformações do mundo e antecipando a transformação digital. Certamente, como consequência, a pandemia fará ainda com que a nossa capacidade de desenvolvimento também precise ser mais rápida. Assim, por que você precisa aprender mais rápido? Aprender pelo resto da vida (lifelong learning) e se capacitar e recapacitar constantemente (reskilling), desenvolvendo competências (e não apenas conhecimentos) são imperativos.

Lembre-se: muitas coisas no mundo são exponenciais – ou seja, tem seu incremento agregado ao último resultado obtido. Por isso, cresce de uma forma que não nos é muito intuitiva – e o aprendizado é uma dessas coisas.

Em síntese, o aprendizado gera mais aprendizado. Assim, o desenvolvimento de um conjunto de competências torna mais fácil a criação das próximas competências. Ou, por fim, quanto maior for a aplicação do lifelong learning e do reskilling, maior será a capacidade de desenvolver o lifelong learning e o reskilling. Não há como fugir: “”fast learning””: aprender rápido é imperativo.

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José Cláudio Securato
José Cláudio Securato é empreendedor, professor e autor de dez livros, entre eles *Onlearning - Como a Educação Disruptiva Reinventa a Aprendizagem*. Fundador de uma das mais importantes escolas de negócios do Brasil, a Saint Paul Escola de Negócios, Securato tem como propósito pessoal impactar, de modo positivo e global, o maior número de pessoas através da Educação. Por isso o autor é também sócio-fundador e CEO do LIT, uma plataforma disruptiva de aprendizagem.

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