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Maturidade x primeiros passos
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Review 41

Maturidade x primeiros passos

É preciso saber agir como adulto e explorar o mundo olhos frescos ao mesmo tempo, em um novo tipo de ambidestria

Editorial

Adriana Salles

Rediscutindo o tempo

O MIT CISR, um dos centros de pesquisa da MIT Sloan School dos quais somos mais próximos no Brasil, fez no final do ano passado uma pesquisa bacana sobre como uma organização pode construir maturidade em inteligência artificial, tornando-se “AI future ready” (com prontidão para o futuro em IA). Os quatro estágios do processo são bastante úteis para que os gestores organizem seu pensamento e tomem decisões nessa seara, mas temos acompanhado a pesquisa de doutorado que um de nossos colunistas, Eduardo Peixoto, fez sobre maturidade digital em geral, IA incluída, e dá orgulho de ver quão útil ela pode ser para nossas empresas. Edu, que é presidente do centro de inovação CESAR, do Porto Digital do Recife (PE), traz dois achados importantíssimos: (1) o que é maturidade para uma empresa não é para outra; e (2) toda iniciativa digital, os pilotos incluídos, tem de estar ligada à estratégia corporativa, algo que não temos visto acontecer por aí.

Esta edição da MIT Sloan Management Review Brasil indiretamente discute a relação dos gestores com os tempos e movimentos, e o faze apontando quando e onde as empresas devem ter maturidade (e em qual nível) e quando e onde devem se comportar como iniciantes e, nela, este conteúdo nacional assinado por Eduardo Peixoto não poderia ser mais adequado.

Aliás, o conteúdo nacional brilha duas vezes nesta edição: o artigo sobre frameworks que as empresas podem usar para atuar em diferentes horizontes temporais também é de autores brasileiros. A maioria dos gestores em nosso País está acostumada com um framework específico nessa área: o H1-H2-H3 da McKinsey. E ninguém nega sua utilidade. Mas há um desconhecimento quase generalizado em relação a pelo menos mais dois frameworks temporais: a abordagem 3H do International Futures Forum (IFF) e o modelo “Flexuous Curves” da Cynefin.

O que os difere? Os frameworks IFF e Cynefin parecem se alinhar mais com a complexidade atual, ambos adequados à transformação organizacional em ambientes cheios de incertezas, enquanto o framework McKinsey se volta sobretudo à otimização de estratégias de crescimento. Alexandre Magno e Elson Barbosa nos contam, por exemplo, que o framework IFF vem em resposta à seguinte pergunta: como podemos sustentar sistemas em transição enquanto cultivamos futuros alternativos mais justos, regenerativos ou resilientes? Eu pessoalmente considero esse artigo uma leitura imperdível para quem quer ser maduro em relação ao presente e manter-se com olhos frescos sobre o futuro.

Vamos agora aos nossos artigos globais. Falamos de exercitar uma liderança madura para gerenciar mudanças, de manter mente de iniciante para criar um marketplace de talentos internos e também de ter olhos frescos para a gestão de robôs que está vindo por aí. (Não perdemos por esperar.)

Preciso dizer ainda que, em nossa newsletter Xtended, abordamos recentemente um ensaio sobre a hipótese de estarmos vivendo hoje um contexto de estagnação socioeconômica. Desafiando o que pensa Peter Thiel (que disse o mesmo recentemente em entrevista a um podcast do The New York Times, mas com um racional bem distinto), o ensaísta Michael Beckley afirma que o contexto de estagnação (que ele prova com muitos dados) pode ser prenúncio de um novo ciclo para a humanidade. Quer essa hipótese se confirme ou não, a meu ver, os conteúdos desta Review se encaixarão muito bem para as empresas navegarem bem o tal contexto.

Boa leitura!

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