Status de leitura
Faça login para usar este recurso

Edição #41 do MIT SMR Brasil
©2026 MIT Sloan Management Review Brasil. Todos os direitos reservados. A reprodução, total ou parcial, é proibida sem a autorização prévia e expressa do CNEX.
Lidar com suas pessoas dessa maneira pode ser uma solução muito inteligência, mas os desafios são variados, incluindo a resistência cultural pode ser um tanto teimosa. Um case bem-sucedido traz, no entanto, ensinamentos valiosos para fazer a inovação dar certo
Cada vez mais gente defende a criação de mercados internos de talentos, que são uma inovação em gestão. O problema? Fazer um deles decolar é difícil. Na Booz Allen, consultoria americana de transformação digital e inteligência artificial, tivemos que lidar com isso. Neste artigo, examinaremos alguns dos desafios que enfrentamos, como os superamos e o que aprendemos.
Criar um marketplace interno de talentos foi uma mudança importante para a Booz Allen. Durante anos, a empresa distribuía profissionais entre as equipes por meio de redes internas informais que operavam com base em quem você conhecia e em quem confiava.
Mas esse caminho limitou a flexibilidade para fazer o melhor uso possível dos recursos disponíveis, combinando os talentos certos com as funções certas. Mais importante ainda, restringiu o controle dos funcionários sobre suas próprias carreiras, o que prejudicou o engajamento e a retenção.
Para testar uma abordagem melhor, a Booz Allen lançou um projeto-piloto de mercado interno de talentos em parceria com a consultoria Lotis Blue no início de 2022. Com ele, procuramos enfrentar os desafios que restringiam o crescimento e prejudicavam questões como contratação, implantação, desenvolvimento de talentos, tecnologia e mudança cultural. Queríamos resolver esses problemas de maneira sistemática e holística, em vez de introduzir soluções pontuais. Entretanto, o grau de transformação cultural necessário para ativar e operar algo do tipo é significativo. É preciso um esforço persistente para resolver vários problemas de comportamento humano e percepção.
O caminho para um mercado de talentos
A Booz Allen queria acabar com sua dependência das redes habituais (e informais) de contratação centradas em clientes ou equipes. Essas redes dificultavam a identificação de talentos em outras partes da organização que atendessem a necessidades corporativas, fossem elas regionais ou locais.
Em contraste, o marketplace interno estabeleceu uma abordagem centralizada para avaliar a demanda e obter talentos em toda a empresa (por meio de contratação externa, distribuição interna ou qualificação). Assim, ela tinha capacidade de alocar pessoas em quaisquer áreas.
O piloto do projeto se concentrou em habilidades, não em redes. Isso deu aos funcionários uma nova visibilidade – pois surgiriam oportunidades em toda a empresa – e aos gestores, pois aumentava o leque de pessoas disponíveis e adequadas.
Essa visão de alta resolução sobre oportunidades de emprego e desenvolvimento expandiu o escopo de carreira que se podia explorar, melhorando o engajamento das pessoas e proporcionando níveis mais altos de desempenho individual e empresarial. O piloto dobrou a taxa de preenchimento interno de vagas abertas e obteve feedback positivo dos funcionários sobre transparência e facilidade de buscar novas oportunidades.
Havia outras vantagens nessa abordagem baseada em habilidades. Entre elas, os candidatos de grupos sub-representados tinham mais oportunidades em domínios técnicos com clientes do setor público.
Nos primeiros meses, precisávamos superar alguns desafios importantes para criar interesse e entusiasmo. Mais importante ainda, precisávamos semear o mercado interno com um número suficiente de oportunidades de alta qualidade e talentos disponíveis para envolver funcionários e gestores. Ao fazer isso, aprendemos várias lições em torno da administração de mudanças.
Regra de ouro: o marketplace precisa ser alimentado com um número suficiente de boas oportunidades e de talentos – ou não funcionará
À medida que os ambientes e as necessidades dos clientes estão mudando, surge a demanda por novos conjuntos de habilidades. A capacidade de cumprir uma missão depende da rapidez com que os funcionários aprendem e se adaptam.
Para resolver isso, Jim Hemgen, líder estratégico de desenvolvimento de talentos da Booz Allen, e sua equipe de aprendizado e desenvolvimento (A&D, em vez de T&D) projetaram e lançaram um sistema de reconhecimento por mérito, com distribuição de selos virtuais, ou badges, que atestam habilidades e podem ser compartilhados online. O programa teve como objetivo desenvolver capacidades empresariais estratégicas, iluminando diferentes caminhos de carreira e as habilidades necessárias para acessar diversas oportunidades.
Para ganhar um desses selos, o funcionário precisava obter a credencial e ter um gestor que validasse a aplicação de determinada habilidade no trabalho. Isso gamificou o aprendizado e ofereceu reconhecimento e retorno aos participantes, que investiram em seu próprio desenvolvimento.
A equipe de A&D envolveu boa parte da empresa na iniciativa. No ano passado, os funcionários ganharam mais de 4 mil selos ou certificações externas.
Encontramos vários desafios técnicos associados ao piloto. Entre eles estavam a estrutura de dados (estabelecer a arquitetura de trabalho correta), a qualidade desses dados (garantir que os dados de habilidades estivessem completos, por exemplo) e o design de algoritmo (a melhor forma de executar o processo de recomendação de talentos e vagas abertas).
Para obter dados completos de habilidades, precisávamos de ampla adoção. Tivemos um início lento, enquanto funcionários e gestores exploravam a funcionalidade e as vantagens do programa. Isso mudou quando John Grumbine, líder de operações de mercado, ajudou a lançar o Career Hub, um aplicativo para a intranet da empresa, em 2023.
O aplicativo serviu como um caminho para os funcionários encontrarem oportunidades de trabalho, treinamento e desenvolvimento, além de mentores e comunidades no marketplace. Eles passaram a ter interesse em manter suas habilidades e preferências atualizadas, porque essas informações geravam recomendações customizadas.
O lançamento do Career Hub levou a um aumento substancial na adoção do mercado interno. Em oito meses, mais de 50% dos funcionários da Booz Allen estavam usando o aplicativo.
É provável que você encontre estes problemas ao liderar a mudança de cultura relacionada a um mercado interno de talentos:
| DESAFIOS | IMPLICAÇÕES PARA O NEGÓCIO |
| Todos os gestores querem manter seus melhores funcionários ou estão preocupados em se tornar um “exportador” de talentos em um mercado aberto. | Em vez de deixarem a equipe, os talentos de alto desempenho deixam a empresa. |
| Os funcionários relutam em buscar oportunidades abertamente por medo de parecerem desleais aos seus gestores. | O engajamento e o desempenho da equipe que se fecha para o mercado de talentos tendem a diminuir com o tempo. |
| Os gestores de projetos relutam em aceitar talentos que não conhecem pessoalmente e em confiar nas recomendações de gestores fora de sua rede pessoal. | Ter de encontrar pessoal para montar a equipe certa a cada projeto é muito mais desafiador. O processo de contratação leva mais tempo e é mais suscetível ao viés do gestor contratante. |
| Os gestores contratantes rejeitam candidatos quase ideais, aqueles que geralmente exigem apenas um pequeno investimento para preencher as lacunas de habilidades. | Os membros da equipe ficam menos engajados e o desempenho se degrada. |
Esses desafios começaram a causar muitos problemas. Em resposta, nossa equipe priorizou várias ações para impulsionar a mudança de cultura:
Todas essas etapas podem ser incorporadas a um plano de lançamento para um mercado interno de talentos.
Para efetuar mudanças comportamentais, os líderes devem entender o que motiva pessoas diferentes, bem como observar em que medida e de que maneira as mudanças que estão fazendo atenderão às necessidades delas. O projeto-piloto forneceu feedback valioso sobre a utilidade do marketplace de talentos, ajudou a priorizar melhorias e estabeleceu o nível de gestão de mudanças necessário para apoiar a evolução e o dimensionamento do design.
Monitorar e medir o desempenho do piloto ajudou nossa equipe a tentar coisas novas, notar e corrigir as falhas rapidamente e aumentar o valor do mercado interno para os participantes. Nossas métricas incluíram o número de oportunidades publicadas, tendências dentro dessas oportunidades, o nível e a amplitude do interesse dos funcionários por tipo de postagem, a porcentagem de oportunidades antigas (aquelas que ficaram muito tempo sem serem preenchidas) e a porcentagem de cargos que encontraram ocupantes.
Esses dados nos ajudaram a avaliar a integridade e a força da plataforma. Por fim, deram uma visão de como os ajustes do sistema estavam influenciando o desempenho.
Não adianta: para conseguir mudanças comportamentais, os líderes devem entender as diferentes motivações das pessoas
Comprometa-se com a melhoria contínua
O projeto deu certo. Nossa retenção de pessoal melhorou mais de 4% após o piloto. No entanto, essa jornada nunca termina. O investimento contínuo na evolução dos talentos é essencial para o sucesso do negócio.
ABORDAR OS OBSTÁCULOS QUE SURGEM AO LONGO DO CAMINHO faz parte da jornada e, em última análise, leva a um melhor design e a melhores resultados. Um mercado interno de talentos oferece benefícios importantes: ao priorizar a mobilidade e o desenvolvimento das pessoas, as empresas podem se adaptar melhor às mudanças nos requisitos de habilidades e obter níveis mais altos de inovação, colaboração e flexibilidade entre funcionários.
Você leu o post? Então faça login e tenha acesso ao recurso de “Marcar como lido”.