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Diante do maior arsenal tecnológico já disponível às empresas, é preciso estratégia para mirar na direção certa
Nas últimas semanas, o relatório The GenAI Divide: State of AI in Business 2025, do MIT, acendeu um alerta: 95% das iniciativas de inteligência artificial (IA) em grandes corporações não geraram retorno algum. O impacto foi imediato: em um único dia, mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado evaporou na Nasdaq, com investidores temendo que a bolha da IA tivesse estourado.
Os outros 5% correspondem a iniciativas que avançaram da fase experimental para uma aplicação integrada aos fluxos operacionais, ao redesenho de processos de ponta-a-ponta, com impacto real nos resultados do negócio. Essas, sim, estão extraindo milhões em valor.
Essa disparidade entre as poucas iniciativas bem-sucedidas e o restante do mercado é resultado da lacuna crítica entre a adoção da IA e a captura real de valor, o que o relatório do MIT chama de “the GenAI divide” (em livre tradução, o abismo da IA generativa).
Olhando com mais atenção para os fatos, é possível perceber que a responsabilidade pelos 95% de fracassos não recai sobre a IA em si. Um padrão semelhante podemos observar nos investimentos em transformação digital nas últimas décadas. Em 2020, um estudo do BCG revelou que 70% das iniciativas de transformações digitais atingiam as metas ou não geravam mudança sustentável. Quatro anos depois, um relatório Bain & Company mostrou que 88% das transformações de negócios não conseguem alcançar seus objetivos estratégicos.
Agora troque o termo “digital” por “inteligência artificial”, e o cenário se repete. Dizem que loucura é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.
A analogia é perfeita para o momento atual. No ímpeto de mostrar serviço, empresas em todo o mundo se apressaram em empilhar casos de uso de IA. Lançaram projetos isolados, desconectados da estratégia, ignoraram que processos críticos só podem ser automatizados de forma integrada e esqueceram que IA só é “inteligente” quando alimentada com os dados certos. Em outras palavras: automatizar o processo errado é como correr com afinco — mas na direção contrária. Isso não conta para o resultado.
A história já deixou essa lição antes. Incumbentes como Kodak e Blockbuster não falharam por ignorar a digitalização, mas por digitalizarem modelos obsoletos. Jogaram o jogo errado.
A verdade é mais incômoda: a IA não é só mais uma ferramenta — é um arsenal estratégico sem precedentes. Tem o poder de reescrever as regras do jogo ao reestruturar fluxos de trabalho, reorganizar hierarquias e alterar a dinâmica de poder nos mercados. Usá-la com a mesma lógica aplicada à transformação digital é como entregar um F-16 nas mãos de uma criança de 12 anos.
É hora de recarregar os arsenais — e o verdadeiro reload não está em automatizar tarefas ou em aplicar IA para performar melhor em paradigmas antigos. Está em ousar imaginar o impossível, criar novas regras competitivas e redesenhar o modelo de negócios por completo.
Comece reconhecendo que otimizações de curto prazo não serão suficientes em um mundo onde o conceito de “impossível” é continuamente redefinido. Os 5% que obtêm sucesso seguem outro caminho: não empilham iniciativas, mas escolhem processos críticos que realmente movem a agulha, redesenham fluxos de ponta a ponta, tratam dados como infraestrutura estratégica, alinham cultura e incentivos da liderança ao uso da IA e, acima de tudo, ousam repensar o próprio modelo de negócio.
Em outras palavras, os 5% enxergam na IA a chance de redefinir indústrias inteiras — e não apenas de jogar versões melhoradas de um jogo que já ficou para trás.
O verdadeiro desafio dos próximos anos não será provar que a IA funciona. Será provar que os líderes sabem usá-la para criar o futuro.
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