Status de leitura
Faça login para usar este recurso
©2026 MIT Sloan Management Review Brasil. Todos os direitos reservados. A reprodução, total ou parcial, é proibida sem a autorização prévia e expressa do CNEX.
Nas empresas, a era da obediência silenciosa está dando lugar à era do alinhamento ético. Os líderes se atualizaram?
As organizações são medidas pelo sucesso na entrega de resultados e pela adaptação dos seus produtos às mudanças da sociedade e do mercado. Perseguimos métricas de crescimento, market share, retorno econômico, escala e inovação. Contudo, o principal desafio passa pela dissociação crescente entre estes indicadores e a realização humana e o sentido de propósito no trabalho das pessoas.
O que realmente importa tem sido ignorado em detrimento do que é fácil de ser medido, gerando carreiras vazias e um sentimento de não pertencimento. Líderes exaustos, pessoas desconectadas, escassez de talentos e estratégias ocas, passaram a ser a regra no momento em que mais se precisa de criatividade, engajamento e transformação.
Mas como fazer tudo de que precisamos, quando as pessoas não entregam sua energia mais verdadeira? Como iremos transformar os países e a sociedade, se ainda não conectamos as pessoas a algum propósito real nas empresas.
A história das grandes empresas sempre foi a história de grandes pessoas. Desde os visionários da revolução industrial até os inovadores do Vale do Silício – um grupo que inclui, entre outros, Henry Ford, John Rockefeller, Thomas Edison [que ilustra este artigo], Steve Jobs, Jeff Bezos, Bill Gates ou Elon Musk – foram indivíduos com ideias, coragem e obsessão pelo novo que moldaram mercados, desafiaram estruturas e criaram instituições que transformaram o mundo. No entanto, o que antes era impulsionado somente por gênios isolados como esses hoje exige o engajamento coletivo de gerações que não se movem mais apenas por salários, mas por sentido, propósito e pertencimento.
A era da obediência silenciosa deu lugar à era do alinhamento ético. Funcionários deixam empresas pelo cansaço com o vazio, pelos objetivos que não refletem seus valores. Nesse novo cenário, as empresas do futuro não sobreviverão sem o engajamento emocional e moral de suas pessoas, pois é delas que brota a inovação, a resiliência e a legitimidade social.
A prosperidade e a abundância que a exponencialidade da ciência que está por vir, trará consigo um desafio maior para que as empresas atraiam as pessoas para o seu círculo de influência, sejam elas como clientes ou como colaboradores. Em sua raiz mais profunda, o trabalho deixa de ser um contrato funcional, mas um espaço de expressão ontológica — uma forma de o ser humano se realizar através do pertencimento. O desejo de servire pertencer — essa disposição interior de ofertar ao outro aquilo que se é e se sabe — sempre foi o cimento invisível das culturas organizacionais vencedoras, mas será o elemento essencial num futuro de pleno emprego.
A base da sustentação dos países e da sociedade moderna se dá a partir das empresas e do impulso e motivação dos empreendedores. O espírito empresarial é uma força ambivalente que une o egoísmo racional de Adam Smith, o espírito inovador e destrutivo de Schumpeter, e a liberdade econômica de Milton Friedman. E esse mesmo espírito livre e ousado, que deve ser formado e estimulado, tampouco deve se esquecer de que tudo sempre está relacionado às pessoas, às histórias e ao “zeitgeist” do seu tempo.
A ambição, a eficiência e competência gerencial não são inimigas da ética, mas suas aliadas. São as organizações capazes de conectar propósito e moralidade com pragmatismo, cultura com desempenho, e principalmente, dando sentido às pessoas para que desejem combinar o seu tempo de vida ao seu tempo de trabalho, que construirão não apenas negócios duradouros, mas soluções escaláveis para os grandes desafios do nosso tempo.
Você leu o post? Então faça login e tenha acesso ao recurso de “Marcar como lido”.