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A mentalidade de lucro a qualquer custo está ficando cara. Líderes e empresas precisam colocar significado e valor sustentável no centro das decisões
O modelo de negócios que enxerga o mercado como um campo de batalha e o lucro como único troféu final está, aos poucos, perdendo sua relevância. A mentalidade da “guerra”, onde a única missão é esmagar a concorrência e maximizar o retorno a qualquer custo, está se mostrando não apenas insustentável, mas cada vez mais cara para quem está no topo. A conta, que por muito tempo foi adiada, está chegando agora, e é salgada.
Um sinal claro dessa mudança é a estagnação na remuneração executiva. Conforme levantamento da SG CompPartners, consultoria especializada em remuneração, 52% das empresas analisadas pretendem manter salários de suas lideranças inalterados em 2026, diante de um cenário econômico global incerto e de uma busca por mais cautela financeira. Esse dado ganha ainda mais relevância quando comparado a levantamentos anteriores. A Pesquisa de Remuneração para Presidentes e Diretores Executivos da Page Executive (PageGroup) – realizada entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025 com 2 mil executivos de diferentes setores – mostrou que os salários fixos mensais médios para cargos de alta gestão no Brasil se mantêm estáveis nos últimos anos.
Este não é um evento isolado, mas sim um sintoma de um sistema que não consegue mais recompensar a agressividade e o risco de forma ilimitada. A única saída para esse impasse não é apenas congelar custos, mas reinventar a forma como o valor é criado e distribuído. Isso exige que as empresas olhem para além do balanço e conectem a remuneração de seus líderes à criação de valor sustentável e ao propósito, não apenas a um crescimento agressivo e insustentável.
Outra prova contundente de que as regras do jogo mudaram vem do front regulatório. A discussão sobre a tributação de dividendos, hoje em tramitação no Congresso Nacional pelo Projeto de Lei nº 1.087, evidencia um movimento crescente em direção à reavaliação de como o capital é recompensado. O modelo clássico de extrair valor em nome do acionista, com pouca ou nenhuma transparência sobre o impacto social e ambiental da operação, está agora sob o olhar atento da sociedade e de governos. Essa nova realidade obriga a alta gestão e os investidores a repensarem suas estruturas de governança e de planejamento financeiro, mostrando que a busca por lucro a todo custo não é mais uma estratégia fiscalmente imbatível.
Esses dois cenários – a pressão econômica sobre a remuneração fixa e o desafio regulatório sobre a distribuição de lucros – não são coincidências. São os pilares de uma nova era onde a mentalidade de “guerra nos negócios” simplesmente não funciona mais. Ela não atrai o melhor talento, não gera valor resiliente e, cada vez mais, traz consigo custos e riscos que os antigos “guerreiros” não sabem como administrar.
A solução, portanto, não está em mais uma rodada de cortes e ajustes, mas em uma transformação cultural profunda. E o capitalismo consciente oferece o caminho para essa nova jornada: ao colocar o propósito no centro da estratégia, as empresas podem construir um modelo de negócios que gera valor para todos os seus stakeholders – clientes, funcionários, fornecedores, comunidade e meio ambiente. Esse é um sistema mais justo, mais transparente e, no longo prazo, muito mais rentável. É a única maneira de se preparar para um futuro onde a conta do passado não é mais um custo aceitável.
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