Centro de formação executiva focado em liderança, inovação e curadoria de conteúdos para líderes e gestores do futuro.

Conheça mais

O portal brasileiro da faculdade de gestão do MIT, trazendo conteúdo de qualidade e confiável sobre o tema.

Você está aqui

Acesso a estudos exclusivos e materiais de ensino produzidos pela faculdade de negócios de Harvard.

Versão brasileira do portal referência em negócios na China, endossado pela universidade de negócios Cheung Kong.

Conheça mais
O CNEX faz parte do ecossistema Atitus. Conhecimento, tecnologia e inovação. Conectadas com o mesmo propósito: o seu futuro.

Status de leitura

Faça login para usar este recurso

Crie uma playlist

Faça login para salvar este conteúdo em suas playlists

Não lido

©2026 MIT Sloan Management Review Brasil. Todos os direitos reservados. A reprodução, total ou parcial, é proibida sem a autorização prévia e expressa do CNEX.

REDESENHO ORGANIZACIONAL

O grande achatamento: cadê a média gerência que estava aqui?

Drucker via os gestores intermediários como garantidores de que os objetivos estratégicos fossem traduzidos em ações práticas e mensuráveis. Mas agora Elon Musk, Mark Zuckerberg e outros querem eliminar essa camada “burocrática” e seus custos – e isso pode aumentar a resistência a mudanças e ter outros impactos negativos

Daniele Botaro
14 de fevereiro de 2025
7 min de leitura
O grande achatamento: cadê a média gerência que estava aqui?

Se um fenômeno corporativo tem nome e sobrenome, é sinal de que ele já está acontecendo em larga escala e em múltiplos setores. Vivenciamos recentemente tendências como “quiet quitting”, “great resignation” e “quiet firing”. Agora, chegou a vez do “great flattening”, ou grande achatamento. Essa nova trend corporativa é marcada pela eliminação sistemática de posições de média gestão em diversas indústrias, particularmente em empresas de tecnologia e grandes corporações. Mais do que um mero ajuste operacional, trata-se de uma redefinição radical da estrutura organizacional, das dinâmicas de trabalho e, inevitavelmente, da identidade profissional.

A origem deste movimento está fortemente associada à visão de líderes influentes na indústria de tecnologia. Mark Zuckerberg, CEO da Meta, e Elon Musk, à frente do Twitter (atual X), têm vocalizado críticas severas às camadas hierárquicas intermediárias, consideradas por eles como entraves à eficiência organizacional. A mensagem central é simples, mas disruptiva: menos camadas significam mais agilidade e menos burocracia.

A lista de promessas associadas ao achatamento é longa e pouco considera o papel fundamental da média gerência em uma organização. Líderes defendem que a eliminação da média gerência proporciona redução de custos administrativos, comunicação mais direta entre líderes e equipes operacionais; eliminação de redundâncias burocráticas, maior adaptação a modelos ágeis e tecnologias disruptivas e respostas mais rápidas às demandas de uma força de trabalho flexível e remota.

Entretanto, ao simplificar o papel da média gerência, ignora-se o impacto crítico dessa camada para o desenvolvimento organizacional sustentável. Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna, descrevia a média gerência como o lugar “onde a borracha encontra a estrada” (“where the rubber hits the road”, ele dizia, e aqui o velho mestre se referia à borracha do pneu, bem entendido). Para Drucker, a média gestão era o elo essencial entre a visão estratégica da alta liderança e a realidade operacional, garantindo que os objetivos fossem traduzidos em ações práticas e mensuráveis.

As ameaças contidas nesse movimento

Historicamente, a média gerência tem sido mais do que um intermediário hierárquico, que transmite as demandas da base para os líderes e vice-versa, ajustando expectativas e processos; identificando e, desenvolvendo talentos, servindo como um pilar no crescimento de profissionais dentro das organizações; além de sustentar valores, fomentar colaboração e impulsionar a inovação. A quem caberá essas funções?

Pesquisas recentes também indicam ainda que a média gerência desempenha um papel vital no engajamento das equipes e na implementação de mudanças organizacionais. Eliminar essa camada pode, paradoxalmente, aumentar a resistência à mudança e criar lacunas na execução da estratégia. Essa deve ser outra preocupação com a eliminação da camada.

Mais um ponto de atenção do “grande achatamento”: o impacto desproporcional sobre profissionais diversos, como mulheres, minorias raciais e étnicas, e indivíduos de origens interseccionais. Esses grupos, que já enfrentam barreiras sistêmicas significativas, podem ser particularmente afetados de várias formas. Com menos gestores intermediários, os profissionais diversos podem ser forçados a acumular responsabilidades mais amplas tendo menos suporte estrutural. Isso intensifica a pressão por desempenho e aumenta o risco de burnout, especialmente entre aqueles que precisam constantemente provar seu valor.

Além disso, em estruturas planas, o poder tende a ser distribuído de maneira menos formal e mais dependente de redes de relacionamento. Especificamente os profissionais diversos, que frequentemente não têm acesso aos mesmos círculos de influência, podem enfrentar desvantagens na busca por recursos, visibilidade e patrocínio para suas equipes.

Estruturas mais enxutas podem aumentar a visibilidade de profissionais diversos? Sim, podem, mas essa exposição, sem o devido apoio, também pode amplificar vieses sobre sua competência. A ausência de uma média gerência que os apoie tende a tornar esses profissionais mais vulneráveis a críticas baseadas em julgamentos sem evidencias.

Não é só isso. A média gerência sempre serviu como uma etapa intermediária essencial para o avanço na carreira. Sua eliminação pode estreitar o pipeline de talentos para posições de liderança, dificultando ainda mais a ascensão de profissionais diversos. E, com mais líderes sobrecarregados, iniciativas de inclusão possivelmente vão perder prioridade, sendo vistas como secundárias diante das exigências por agilidade e resultados rápidos.

Outros modos de “achatar”

As organizações que desejam implementar o “grande achatamento”, e fazê-lo de maneira bem-sucedida, precisam fazer isso com intencionalidade estratégica e não perder o foco sobre a inclusão. Há outros modos de achatar. Em vez de eliminar a média gerência, as empresas podem, isto sim, reimaginar seu papel, criando estruturas mais flexíveis e colaborativas e sistemas que valorizem e integrem perspectivas diversas, garantindo que a inovação nao seja estrangulada durante o processo.

Um “achatamento” não deve ser visto apenas como uma reestruturação administrativa; ele pode ser um experimento em tempo real sobre como equilibrar eficiência organizacional e capital humano. Na paisagem de incerteza e oportunidade que vivemos, a adaptabilidade emerge como a competência mais crítica. Para profissionais diversos que navegam por essas águas transformadoras, o caminho adiante requer pensamento estratégico e uma crença inabalável na própria proposição de valor.

A narrativa da estrutura organizacional continua a ser escrita, não em pedra, mas nas interações dinâmicas e em constante mudança entre o potencial humano e a inovação institucional.

Você leu o post? Então faça login e tenha acesso ao recurso de “Marcar como lido”.

Daniele Botaro
AI Culture & Workforce Readiness Strategist da Oracle para a América Latina, Daniele também é embaixadora da Gaia+ e foi empreendedora e sócia-diretora, da Impulso Beta, consultoria especializada em programas de diversidade.

Deixe um comentário

Ouvir
Bookmark (0)
Please login to bookmark Close
Exportar
Share
Conteúdo da editoria Gestão de talentos

Para você Faça login para ver sugestões personalizadas

Você atualizou a sua lista de conteúdos favoritos. Ver conteúdos
aqui