Centro de formação executiva focado em liderança, inovação e curadoria de conteúdos para líderes e gestores do futuro.

Conheça mais

O portal brasileiro da faculdade de gestão do MIT, trazendo conteúdo de qualidade e confiável sobre o tema.

Você está aqui

Acesso a estudos exclusivos e materiais de ensino produzidos pela faculdade de negócios de Harvard.

Versão brasileira do portal referência em negócios na China, endossado pela universidade de negócios Cheung Kong.

Conheça mais
O CNEX faz parte do ecossistema Atitus. Conhecimento, tecnologia e inovação. Conectadas com o mesmo propósito: o seu futuro.

Status de leitura

Faça login para usar este recurso

Crie uma playlist

Faça login para salvar este conteúdo em suas playlists

Não lido

©2026 MIT Sloan Management Review Brasil. Todos os direitos reservados. A reprodução, total ou parcial, é proibida sem a autorização prévia e expressa do CNEX.

Além da IA

Como preservar a habilidade humana em uma era de máquinas inteligentes

As conquistas atuais da IA dominam a mídia. Mas talvez já seja hora de voltarmos o olhar para aquilo que ainda nos torna únicos: as competências humanas. Alguns leitores certamente acharão que meu tema aqui hoje soa um pouco de moda — e estão certos!

Augusto Dias Carneiro
27 de junho de 2025
7 min de leitura
Como preservar a habilidade humana em uma era de máquinas inteligentes

Falar que inteligência artificial (IA) é o tema do momento é chover no molhado. Restrições de tamanho me impedem de elencar aqui as muitas situações em que decisões antigamente tomadas por humanos, no trabalho e também em casa, foram substituídas por IAs e robôs. Até porque tenho certeza de que vocês vivem isso nas suas próprias vidas e/ou recentemente leram sobre. E alguns perdem o sono com o tema.

Ao mesmo tempo, todos nós sabemos, ou no mínimo intuímos, que os humanos não se tornarão de todo redundantes no futuro. Sempre haverá situações onde humanos prevalecerão porque têm intuição, curiosidade, compaixão e o bom e velho bom-senso, coisas que — pelo menos até o momento — são difíceis de emular em IAs. Até que isso aconteça, precisamos preservar as habilidades que nos são exclusivas.

Constatei que neste momento pouco se fala sobre o papel futuro dos humanos no meio dessa enxurrada atual de IA. Organizei o pouco que encontrei conforme dois critérios:  

  • Já está acontecendo? (porque, como meus leitores mais assíduos já sabem, não sou futurólogo)
  • Responde a uma pergunta (consciente ou não) sobre o que estamos nos fazendo no momento? 

Terminei com quatro vertentes simultâneas, sobre as quais os convido a refletir a seguir.

1.    Não deveríamos enfatizar humanos e IAs trabalhando juntos?

Há quem diga (não muito popular no momento, mas para mim é obvio) que o grande futuro do IA e dos robôs instruídos por IA encontra-se justamente em colaborações com humanos. Amy Webb (esta sim uma futuróloga profissional) tem uma palestra TED sobre isso. No coaching eu já vi funcionando muito bem uma IA que “escuta” as sessões e manda um resumo delas um pouco antes do encontro seguinte. Gostei, porque – confesso – sou um coach não muito assíduo em tomar notas nas sessões!

Em outra vertente do coaching — o foco no atingimento de metas pessoais — o avanço dos coaches IA já ameaça a hegemonia dos coaches humanos. Pessoas que desejam, por exemplo, perder peso têm alcançado melhores resultados com o apoio das IAs — talvez porque se sintam menos constrangidas ao compartilhar aspectos íntimos com uma máquina.

2.  Como vamos nos relacionar com nossos respectivos governos? 

Quem já teve que lidar com o gov.br no passado recente vai se identificar aqui. O governo holandês descobriu, em pesquisa de mercado, que boa parte dos holandeses é incapaz de lidar com decisões importantes mas pouco frequentes dos seus cidadãos (meu corretor de texto insiste que eu deveria escrever súditos; afinal, a Holanda é uma monarquia): selecionar um plano de aposentadoria, um plano de saúde ou uma educação universitária, por exemplo.

Diante desse cenário, o governo encomendou a quatro professores universitários holandeses um plano de ação com recomendações tanto para impacto imediato quanto para os próximos vinte anos — recomendo fortemente esse trabalho aos leitores brasileiros. Não apenas pela qualidade das análises, mas também pelo rigor com que quantificam o problema e propõem soluções viáveis (o material está em inglês — o que não surpreende, já que os holandeses há muito deixaram de tentar fazer os estrangeiros entenderem sua própria língua.)

Vale observar como eles enfrentam — ou deveriam enfrentar — decisões individuais importantes dentro de uma sociedade avançada de bem-estar social.

A seguir, você encontra o resumo do estudo, que inclui um filminho em inglês de quase quatro minutos com uma das coautoras, além do link para o trabalho em si. 

3.    Quais serão os danos colaterais de IAs e de robôs movidos por IAs? 

Matt Beane é um professor da Sloan que descreveu em livro como a introdução de IAs (e de robôs movidos por IA) na cirurgia está prejudicando a formação de uma geração inteira de cirurgiões, que não terão a oportunidade de aprender trabalhando ao lado de médicos mais experientes. Trata-se de um dilema complexo porque essa robotização já traz resultados muito melhores e mais rápidos em alguns casos, como por exemplo, as cirurgias de próstata). 

Recomendo em particular o podcast genial que a Rita McGrath (sim, aquela senhora que enxerga pra lá da esquina) fez com ele. Nessa conversa, Matt descreve os meses que passou em diferentes hospitais entrevistando cirurgiões recém saídos da faculdade de medicina que foram substituídos por robôs em cirurgias. 

Uma devastação semelhante já ocorre em outro lugar da medicina: interpretação de imagens médicas, onde a IA reduz muito os falsos negativos (isto é, encontra patologia que humanos não enxergam). 

Matt encerra nos alertando que o mesmo hiato geracional provocado por IAs já está em andamento no direito, na engenharia e na arquitetura.

4. E na nossa vida pessoal, existe espaço para IA além das Alexas? 

Para criar uma IA pessoal para colaborar com você no seu dia-a-dia, já existem diversos cursos rápidos em português. E – imagino – vídeos no Youtube.

Um livro (em inglês): Sandra Matz é professora na Columbia Business School. Este livro dela é um mergulho bem-humorado sobre como cidadãos normais, como eu e você, podemos pôr IAs para trabalhar para nós. Recomendo em particular as sugestões de Sandra para aprimorar nossa saúde mental e disciplinar nossos hábitos financeiros. 

Além disso, tem um podcast (também em inglês) dela com o Martin Reeves, chairman do Boston Consulting Group (BCG). Independente de você ler o livro da Sandra, vale a pena escutar o podcast. 

Nas conversas com meus clientes de coaching — executivos c-level e profissionais identificados por suas empresas como talentos de alto potencial — percebo que a preocupação deles não é com o risco de serem substituídos por inteligências artificiais. A dúvida mais recorrente é outra: qual será o papel do ser humano nesse novo cenário?

Além das quatro qualidades que mencionei, escuto com frequência termos ainda mais abrangentes: significado, propósito e engajamento de equipes. São esses os elementos que realmente importam quando se pensa no futuro do trabalho e da liderança.

Você leu o post? Então faça login e tenha acesso ao recurso de “Marcar como lido”.

Augusto Dias Carneiro
Coach e autor do Guia de Sobrevivência na Selva Empresarial (2008) e do O Livro das Ideias: Inovação e Empreendedorismo (2025).

Este conteúdo está tagueado como:

Deixe um comentário

Ouvir
Bookmark (0)
Please login to bookmark Close
Exportar
Share

Para você Faça login para ver sugestões personalizadas

Você atualizou a sua lista de conteúdos favoritos. Ver conteúdos
aqui