Centro de formação executiva focado em liderança, inovação e curadoria de conteúdos para líderes e gestores do futuro.

Conheça mais

O portal brasileiro da faculdade de gestão do MIT, trazendo conteúdo de qualidade e confiável sobre o tema.

Você está aqui

Acesso a estudos exclusivos e materiais de ensino produzidos pela faculdade de negócios de Harvard.

Versão brasileira do portal referência em negócios na China, endossado pela universidade de negócios Cheung Kong.

Conheça mais
O CNEX faz parte do ecossistema Atitus. Conhecimento, tecnologia e inovação. Conectadas com o mesmo propósito: o seu futuro.
5 pensamentos contraintuitivos
Edições

Review 38

5 pensamentos contraintuitivos

Lançar um produto quando a economia vai mal

Editorial

Adriana Salles Gomes

Ninguém em sã consciência negaria o valor de vozes dissonantes na equipe, acho eu. Mas a realidade corporativa é que os profissionais “do contra”, embora geralmente úteis, incomodam, porque tendem a tornar a execução mais lenta e custosa. Então, muitas vezes, fazemos o possível para silenciá-los – até inconscientemente. (E eu falo com a experiência dos dois lados: o de antagonista e o de quem lida com antagonistas.)

Começo nosso editorial com esse disclaimer porque a presente edição pode causar várias dores de cabeça, uma vez que tem cinco conteúdos antagonistas, no sentido de irem contra o senso comum atual. Minha sugestão é que você não se precipite em silenciá-los; leia todos os argumentos e pense a respeito antes de chegar a um veredito.

Vou começar pelo fim: In Hsieh diz, em seu artigo, que incluir China no seu horizonte de gestão pode ser mais importante para um gestor de empresa brasileira do que incluir inteligência artificial. Isso é TOTALMENTE contraintuitivo, eu sei. Mas o argumento dele é forte: “o uso da IA se impõe como narrativa dominante sobre o futuro, mas, nos bastidores da economia real – a que efetivamente movimenta capital, cria empregos, estabelece infraestrutura e define novas rotas de consumo –, é a China quem está redesenhando o presente brasileiro”.

Outro artigo do contra diz respeito ao crowdsourcing. Ultimamente, é lugar-comum os gestores reclamarem das iniciativas que envolvem a sabedoria das multidões para resolver problemas. A abordagem viveu uma febre, é verdade, mas, nesta ressaca, tem havido uma injustiça. Trazemos um experimento que não deixa dúvidas: não é a abordagem que falha, e sim o uso errado.

Talvez o artigo mais antagonista seja o da gestão do tempo. Afirmar que somos mais felizes quando usamos nosso tempo em algo que valorizamos parece quase ingênuo, além de contrariar todos os métodos de gestão do tempo, porém deveria suscitar reflexões sérias sobre como consumimos as horas diariamente.

Se você está entre os muitos que citam a expressão “ecossistema de negócios” para se referir a um portfólio de marcas ou a um conglomerado, atenção: Maximiliano Carlomagno atua como voz contrária, alertando sobre a aplicação incorreta do clichê, descrevendo os quatro tipos de ecossistemas e desenvolvendo os ecossistemas de inovação e plataforma.

E há um artigo sob medida para você que tem adiado todas as suas novas iniciativas para quando a economia melhorar. Os autores provam que os últimos momentos de uma crise econômica são a melhor janela de oportunidade para lançar diversos produtos, de carros de luxo a ração para cachorros. 

Para terminar, aqui vai uma analogia com a vida real: lembro-me de que uma vez fui pega em uma ressaca no mar e precisei nadar contra a correnteza para escapar. De repente, me desesperei e cansei; só não me afoguei porque um salva-vidas na praia me ajudou a sair dali com uma prancha. Nadar contra a correnteza pode ser crucial à sobrevivência também nos negócios, mas se lembre de ter um salva-vidas por perto que possa ajudá-lo na tarefa. Faço votos que o conhecimento compartilhado nesta edição seja seu salva-vidas e sua prancha. Boa leitura!

PS: Temos nesta Review a volta da coluna de inteligência artificial, com Alexandre Nascimento. E o tema dele, as seguidas perdas de oportunidades de inovar pelo Brasil como país (por falta de políticas industriais e outros bichos), tem tudo a ver com não saber nadar contra a correnteza, porque só inova quem nada contra a correnteza.

Você atualizou a sua lista de conteúdos favoritos. Ver conteúdos
aqui