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Gestão adaptativa

A pirâmide corporativa derreteu (e a IA acendeu a luz)

A inteligência artificial está reescrevendo a hierarquia das empresas e exigindo que líderes voltem a aprender - não por humildade, mas por estratégia

Rafael Martins
22 de outubro de 2025
4 min de leitura
A pirâmide corporativa derreteu (e a IA acendeu a luz)

A inteligência artificial deixou de ser uma fronteira tecnológica para se tornar uma fronteira humana. Em questão de meses, deixou de estar nas áreas de inovação para ocupar o centro das decisões de negócio, redefinindo funções, acelerando mudanças e testando a capacidade de adaptação de quem lidera. O que está em jogo agora não é a eficiência operacional, mas a relevância executiva. 

Durante o StartSe IA Festival, realizado em São Paulo de 15 a 16 de outubro, entrevistei o Júnior Borneli, CEO da StartSe. Borneli é reconhecido como uma das principais vozes sobre transformação digital e futuro do trabalho no Brasil  e falamos sobre um tema que tem atravessado todas as conversas com líderes e conselhos: a requalificação executiva na era da inteligência artificial. Não é mais sobre entender uma nova ferramenta ou se adaptar a um processo – é sobre reaprender a ser relevante em um mundo onde a IA está refazendo os fundamentos de cada negócio.

A urgência é real. Pela primeira vez, a tecnologia não está apenas automatizando tarefas operacionais – está mexendo com a estrutura das organizações e reconfigurando a pirâmide corporativa. Funções de coordenação, gerência e especialização vêm sendo gradualmente absorvidas por uma combinação de algoritmos, automações e decisões orientadas por dados.

A inteligência artificial não substitui pessoas de forma imediata; ela expõe ineficiências, revela zonas de sombra e impõe uma nova exigência a quem lidera: voltar a aprender.

Borneli usou uma metáfora perfeita: a da Fórmula 1. A cada novo regulamento, todas as equipes – das mais vencedoras às que correm atrás – são obrigadas a voltar à prancheta. É exatamente isso que a IA fez com o mundo corporativo. Zeros e uns resetaram o jogo. Nenhum modelo de negócio é mais garantido, nenhuma vantagem é definitiva.

O curioso é que muitos líderes sabem disso, mas continuam agindo como se ainda tivessem tempo. Não têm. O que antes se resolvia com uma consultoria ou uma reestruturação agora exige mudança de mentalidade. Letramento em IA deixou de ser um diferencial curricular para se tornar um novo idioma da gestão. E o papel do executivo não é entender código, mas entender contexto: como a IA redefine decisões, margens, competências e o próprio conceito de liderança.

A inteligência artificial não substitui pessoas de forma imediata; ela expõe ineficiências, revela zonas de sombra e impõe uma nova exigência a quem lidera: voltar a aprender

Requalificação deixou de ser um programa corporativo para se tornar um movimento pessoal de sobrevivência intelectual. As empresas que quiserem prosperar precisarão de líderes dispostos a voltar à sala de aula, não por humildade, mas por estratégia.

Em um cenário em que aprender rápido vale mais do que saber muito, quem lidera precisa se tornar, novamente, aluno.

O topo precisa puxar o movimento – mas a base também precisa responder. Como diz Borneli, trata-se de um “movimento de pinça”: vem de cima com propósito e de baixo com preparo. Sem essa sintonia, o meio ( justamente a camada que mais resiste) implode. E é o que já se observa: menos pessoas para liderar, mais algoritmos para executar e uma zona cinza onde os cargos intermediários perdem sentido.

É inevitável: quem não se requalificar será gerenciado por quem se requalificou. E talvez essa seja a frase que melhor define a transição que estamos vivendo.

Não é uma ameaça, é um convite. Porque o futuro do trabalho não será sobre quem sabe mais, e sim sobre quem continua aprendendo. 

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Rafael Martins
Rafael é CEO e confundador do Share, professor convidado do MBA de Negócios do Mackenzie e da graduação em Comunicação e Letras da Universidade de Coimbra, em Portugal. Eleito por quatro anos consecutivos como um dos Top 100 profissionais digitais do Brasil pelo ranking Cloudez.

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