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As perguntas essenciais para não ser enquadrado na entrevista de emprego

A pessoa que fará a entrevista já tem uma concepção do candidato ideal; conheça as perguntas para criar um diálogo interessante sobre os desafios da posição

Augusto Dias Carneiro
12 de julho de 2024
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Você está entrando em uma entrevista de emprego. Embora seu entendimento da empresa e do desafio ainda sejam bastante incompletos, a sensação é de entusiasmo com a oportunidade. Você já sabe, ou está prestes a saber, quem é seu entrevistador.

Ele pode ser um dos quatro seguintes personagens:

  • Cliente Interno: seu provável futuro chefe; você vai se reportar diretamente a essa pessoa.
  • Foco na Solução: a pessoa dentro da organização que está lidando com a solução de um desafio da empresa no momento, e a sua contratação é parte crucial da solução.
  • Comprador Técnico: tem a missão de saber se você domina os hard skills exigidos pela posição.
  • Foco na Cultura: seu objetivo é descobrir se você combina com a cultura da empresa (normalmente uma pessoa de RH).

Escrevi “personagem” acima porque seu entrevistador pode acumular mais de um papel. Você vai saber, no primeiro minuto da entrevista, qual papel (ou papéis) aquela pessoa desempenhará durante a sua entrevista.

A moldura criada pelo entrevistador

Agora vem a parte mais crítica: todo entrevistador entra na entrevista com uma determinada concepção prévia da pessoa ideal para aquela posição para a qual estão recrutando.

Por isso, ele cria uma “moldura” – em grande parte inconsciente– em torno daquela concepção, e tenderá a rejeitar candidatos fora da moldura. Já o entrevistado cria boa parte da sua moldura no decorrer da entrevista.

Então sua tarefa, a partir do segundo minuto da entrevista, é saber qual é a provável moldura que seu entrevistador trouxe para essa conversa.

Se o entrevistador for dos tipos 1 e 2 acima, vai naturalmente focar nos principais desafios da posição. Se for dos tipos 3 e 4, talvez não inicie assim, mas você pode e deve direcionar a conversa para lá.

O tipo 3 vai gostar de ver que você é uma pessoa orientada para resultados. E o tipo 4 só vai apreciar essa ênfase se a cultura da empresa for orientada para resultados. Se não for, você provavelmente não vai querer trabalhar lá…

As perguntas essenciais para essa conversa

Ao falar de desafios, é importante fazer estas perguntas ao longo da entrevista:

  • De que maneiras esse problema se manifesta?
  • Quais são as consequências dele?
  • Como a empresa lidava com isso no passado?
  • Como a empresa pretende lidar (diferentemente) com isso no futuro?
  • Será que existe mais de uma solução?

A próxima pergunta pode ser feita de duas maneiras –escolha uma:

  • Esta posição é recém-criada ou já existia antes?
  • Havia uma pessoa lidando com isso? O que aconteceu com ela?

Eu escrevi as perguntas acima na ordem em que é viável fazê-las. Então eu sugiro você fazer estas perguntas mais ou menos na ordem acima, e depois perguntar:

  • Quais são as minhas alternativas de carreira aqui na sua empresa depois que a solução for decidida e implantada?

Lembre-se de que você precisa “conquistar” seu entrevistador nos primeiros 12 a 15 minutos de entrevista. Um cliente meu – presidente de empresa grande – expressou isso muito bem quando disse: “Eu levo 15 minutos para gostar ou não de um candidato e 45 minutos para descobrir por quê”.

Os psicólogos e pioneiros da economia comportamental Daniel Kahneman e Amos Tversky referiram-se a esse tema da moldura como um caso particular do que batizaram de viés de classificação em 1974.

As pessoas usam filtros para lidar com a realidade, e depois tomam decisões com a moldura que criaram. Não surpreende que os médicos tenham gerado muita bibliografia sobre o tema.

Augusto Dias Carneiro
Coach, headhunter, autor, mediador e board member, Augusto Dias Carneiro é sócio da Zaitech Consultoria. Autor de *Guia de Sobrevivência na Selva Empresarial*.

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