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Liderança transformadora

Os seis movimentos que só o CEO pode fazer

Tempos de disrupção e incerteza pedem movimentos estruturantes, capazes de moldar o futuro da organização — e que não podem ser delegados

Luciano Guidolin
5 min de leitura
Os seis movimentos que só o CEO pode fazer

No cenário empresarial atual, a liderança de uma organização exige muito mais do que a simples entrega de resultados de curto prazo. A complexidade crescente, impulsionada por disrupções tecnológicas, mudanças no comportamento do consumidor e instabilidades econômicas, demanda cada vez mais de um CEO. 

Hoje, quem ocupa essa posição precisa combinar a visão ampla e estratégica com a capacidade de mobilizar talentos e a coragem para tomar decisões difíceis — especialmente em ambientes voláteis, nos quais a velocidade da mudança traz riscos e oportunidades constantes.

Nesse contexto, o estudo “Moves Only a CEO Can Make” (em livre tradução, movimentos que só um CEO pode fazer), liderado por Christine Barton, Melanie Gaynes, Rich Lesser e Judith Wallenstein, do Boston Consulting Group (BCG), traz uma reflexão bastante atual e relevante: existem deliberações estruturantes que apenas o CEO pode – e deve –realizar. São escolhas que moldam o futuro da organização e que alavancam o papel único do CEO. 

Essas definições se manifestam em seis alavancas exploradas no estudo que, quando ativadas com clareza e convicção, permitem transformar as organizações com consistência e foco, gerando resultados duradouros e impacto real. São elas: 

1 – Propósito e clareza

Inspirar é importante, mas não suficiente. Cabe ao CEO traduzir a visão em ações tangíveis e dar clareza sobre o porquê a organização existe. Um propósito claro orienta decisões, investimentos e prioridades – e ajuda a manter o time engajado, em todos os níveis, mesmo em momentos de incerteza. 

2 – Foco estratégico

Diante de tantas possibilidades, saber o que não fazer é tão estratégico quanto escolher no que investir. Cabe ao CEO fazer os trade-offs para a alocação de recursos de forma eficiente, equilibrando demandas de curto prazo à necessidade de investir em inovação e adaptabilidade para o futuro. Também cabe a ele liderar os “momentos da verdade” em que grandes movimentos estratégicos, como M&As e novos investimentos, precisam ser definidos. 

3 – Capacidade organizacional

Não se trata apenas de investir em tecnologia ou em inteligência artificial. É preciso criar uma organização com a diversidade de competências – técnicas e emocionais – e resiliência para entregar as prioridades definidas. 

4 – Senso e determinação

Organizações se movem na velocidade das pessoas. Com seu drive e determinação pessoal, os CEOs criam ambientes em que as pessoas acreditam que é possível atingir os objetivos do negócio e se sentem motivadas a alcançá-los.

5 – Redução de complexidade

O crescimento traz complexidade — e, quando essa complexidade não gera valor, torna-se uma âncora. Cabe ao CEO zelar pela simplicidade e absorver a complexidade no topo da organização, fazendo os difíceis trade-offs necessários, em vez de repassá-la — junto com suas frustrações — por toda a estrutura organizacional.

6 – Alinhamento e colaboração

Silos são barreiras à inovação e ao crescimento, e fricções e desalinhamentos são comuns entre as áreas de uma organização. Nesse cenário, o CEO tem papel fundamental em promover a discussão de ideias entre os colaboradores, evitando disputas não construtivas entre as pessoas e resolvendo conflitos de maneira a gerar alinhamento.

Essas seis alavancas, por sua natureza, não podem ser delegadas. Elas exigem uma imersão profunda no negócio, um compromisso genuíno com a escuta ativa das equipes e uma visão de futuro que se conecte de forma pragmática com a realidade atual.

Assim sendo, o futuro das organizações será moldado por líderes que combinem uma intencionalidade estratégica clara com a coragem de promover transformações. Os CEOs que demonstrarem consistência nesse papel estarão mais bem posicionados para gerar resultados duradouros e um impacto real e positivo — tanto nos negócios quanto na sociedade.

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Luciano Guidolin
Luciano Guidolin
Luciano Guidolin é diretor-executivo e sócio do Boston Consulting Group (BCG).

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