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Entre conquistas e incertezas, as mulheres já têm o que precisam, mas falta tomar posse. Uma reflexão sobre a jornada no DELAS e a construção da autoconfiança
Para expandir, a base precisa estar firme. Antes de ampliar o repertório profissional das mulheres, é fundamental um movimento anterior: fazê-las reconhecer e se apropriar das competências já adquiridas. Sem esse passo, o resultado é apenas o acúmulo de certificados, e não um desenvolvimento real.
É natural olhar para fora, medir nossa trajetória pela régua do outro. Admirar, espelhar, desejar. Tudo isso impulsiona o nosso próprio crescimento. Até aí, tudo bem. Mas quando a comparação vira padrão, corremos o risco de enxergar apenas o que falta e esquecer o que já conquistamos. A grama do vizinho pode até parecer mais verde, mas e as raízes que já plantamos?
Vivemos em busca de um ideal que, no fundo, pode estar somente adormecido.
Recentemente, iniciamos uma nova turma do DELAS — programa executivo de liderança feminina do Cnex, em parceria com a MIT Sloan Review Brasil. Nele, recebemos mulheres de diferentes níveis hierárquicos, idades, regiões, formações e setores. Apesar das diferenças, há um elemento comum a todas: a sensação de inadequação.
Quando questionadas sobre a escolha por um programa voltado especificamente para a liderança feminina — em vez de um programa de liderança de forma geral —, as respostas revelam que:
“Geralmente sou a única mulher nas reuniões do board.”
“Sou incessantemente questionada sobre as ideias que apresento.”
“Sinto que preciso me moldar para ser vista como uma pessoa de negócios.”
“Tenho conhecimento, mas eu mesma me cobro demais e questiono se estou preparada.”
Esses relatos evidenciam uma lacuna invisível, que não está relacionada à formação acadêmica ou ao preparo técnico. As estatísticas comprovam: as mulheres são maioria entre os concluintes do ensino superior (60,3%, segundo o IBGE, 2022) e detêm a maior parte dos títulos de mestrado (56,8%) e doutorado (55,6%) segundo o CGEE (2024). Ainda assim, muitas sentem que nunca estão prontas, vivendo a necessidade constante de provar seu valor — não apenas para os outros, mas também para si mesmas.
A raiz desse problema não está na falta de competência ou preparo, mas na ausência de reconhecimento e de autoridade simbólica. Ainda prevalece, mesmo que de forma inconsciente, uma imagem cristalizada do que significa ser um “executivo de sucesso”. Trata-se de um imaginário coletivo que ainda associa liderança a um gênero, a um tom de voz, a uma forma de se vestir e até de se comportar.
Como bem disse a empreendedora Monique Evelle em um episódio do podcast Autoras do Amanhã:
“Por mais títulos, por mais pronta e preparada que você esteja, nunca será o suficiente. Achar que é o doutorado que vai resolver é ilusão, não vai.”
Antes de buscar novas competências para o desenvolvimento da liderança feminina, é essencial resgatar o que já existe. Chamo esse movimento de self skill: a apropriação consciente das habilidades que as mulheres já possuem, mas que muitas vezes permanecem subutilizadas em razão de um contexto que fragiliza sua autoconfiança. Não basta dominar o conteúdo — é preciso sentir-se preparada e capaz de aplicá-lo.
Nesses encontros, existe algo mágico. Creio que seja a esperança que emerge quando essas mulheres se reconhecem umas nas outras. Juntas, compartilham vivências, identificam dores comuns e, sobretudo, renovam a confiança — não apenas em si mesmas, mas no impacto que podem gerar no ambiente de trabalho.
Além dos títulos, da experiência e da bagagem técnica, essas mulheres carregam atributos fundamentais para enfrentar crises e promover transformações: resiliência, sensibilidade, afeto e uma notável capacidade de acolhimento. São ativos invisíveis, frequentemente ausentes em trajetórias tradicionais de aprendizagem, mas absolutamente indispensáveis para o futuro do trabalho.
Para tomar posse da sua potência, experimente:
De nada serve uma bagagem cheia de ferramentas se você só usa a metade. E veja, a culpa não é sua por não estar acessando todo esse potencial. Por outro lado, a verdade é que só você pode acionar esse arsenal e colocá-lo em prática.
E, pasme, talvez seja exatamente isso que vai te levar àquele lugar aonde você tanto quer chegar.
Comece honrando tudo o que já te trouxe até aqui. Reconheça as forças que habitam em você. Elas estão vivas, pulsando, e apenas aguardam a sua permissão para se expandir.
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